Alex afirma que Estádio Municipal não tem condições de receber confronto entre Athletic e Internacional

Treinador lamenta que confronto pela Copa do Brasil não poderá ser realizado em São João del-Rei


Por Vinicius Soares

01/04/2026 às 07h00- Atualizada 01/04/2026 às 07h48

O Athletic Club vive o seu melhor momento no ano, após estrear com vitória na Série B do Campeonato Brasileiro sobre a Ponte Preta por 2 a 1 e conseguir três classificações consecutivas na Copa do Brasil. A reviravolta na temporada, que começou com o rebaixamento no Campeonato Mineiro, veio sob o comando de Alex de Souza, que assumiu o lugar do português Rui Duarte.

Em entrevista exclusiva à Tribuna de Minas, o ex-meia da Seleção Brasileira, ídolo de Coritiba, Palmeiras e Cruzeiro, e agora técnico do Athletic, conta como foi a sua chegada no Esquadrão de Aço, como aconteceram as mudanças no elenco e projeta os confrontos contra o Internacional pela Copa do Brasil. Segundo Alex, o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, em Juiz de Fora, não se encontra em condições de receber o jogo contra o Colorado.

Alex afirma que Estádio Municipal não tem condições de receber confronto entre Athletic e Internacional
Alex está invicto no comando do Athletic (Foto: Reprodução/Instagram)

Tribuna de Minas: Como você enxergou a possibilidade de treinar o Athletic?

Alex de Souza: Eu tinha saído do Operário no início de janeiro, na quarta rodada do Campeonato Paranaense e, como é normal, fiquei acompanhando o futebol brasileiro nos seus estaduais. O Guilherme Sousa, que é o nosso executivo aqui, ele me liga falando que o Rui Duarte, que era o treinador, tinha acabado de sair, e que eles iam entrevistar alguns treinadores e queriam saber se eu tinha interesse nessa situação. Eu disse que conversaria, trocaríamos uma ideia e, a partir daí, as conversas começaram a acontecer. Conversei com todos os envolvidos aqui na gestão do Athletic, as conversas foram boas, as conversas bateram e eu acabei vindo.

Tribuna: O que você achou da estrutura do clube?

Alex: É uma estrutura enxuta, oferece aquilo que a gente usa no dia a dia, tem um bom campo de treinamento, tem uma boa academia, tem os setores que a gente usa no futebol bem definidos. O estádio é bem pequeno, mas o gramado é de uma qualidade muito boa. Encontrei jovens jogadores e, com a diretoria, imaginamos fazer algumas mudanças de nomes, que acabaram acontecendo. Eu imaginei e vi um clube que tem uma estrutura bem enxuta, mas que oferece, dentro das possibilidades, boas situações para que a gente, no dia a dia, trabalhe.

Tribuna: Sob o seu comando, o Athletic tem três vitórias em quatro jogos, e três classificações na Copa do Brasil. Quais foram as suas primeiras providências ao assumir o cargo, já que assumiu o time após o rebaixamento no estadual?

Alex: A primeira coisa é entender como é que se chegou ao resultado do descenso, o que tinha sido feito para ter um resultado ruim, como acabou acontecendo. E conversas diárias com quem estava aqui. Só que uma outra coisa que mudou é: você muda o ritmo, você muda o clima, você muda a energia, porque chega uma comissão técnica nova, chegam novos jogadores, alguns acabam saindo. Então, se nós olharmos o time do Athletic que caiu no Campeonato Mineiro, em termos de nomes, são jogadores diferentes do que estão jogando desde o dia que eu cheguei. Então, foi um reconhecimento de cenário, olhar para frente, planejar para frente, e aí a sorte sorriu um pouquinho ao nosso favor, porque quando você vai para as penalidades, como nós fomos com o Rio Branco em Vitória, é 50 a 50, você pode ser eliminado. Nós fomos felizes, e se nós lembrarmos, nós perdemos a penalidade antes, o Kauan Rodrigues perdeu a penalidade dele. A gente também correu atrás com aquele desespero do momento, mas classificamos. Quando nós enfrentamos o Ypiranga, foi um jogo equilibrado. O Ypiranga, inclusive, faz um gol que é anulado no final do primeiro tempo. Depois, quando estava 0x0 no segundo tempo, o Ypiranga teve uma possibilidade que, talvez, se o jogador finalizasse, a gente teria alguma dificuldade. E depois nós ganhamos o jogo, mas também poderíamos ter ficado por ali. A sorte nesses dois primeiros jogos sorriu para nós, para que a gente seguisse para a terceira fase. Aí sim, contra o Sport, a gente foi superior e vencemos com méritos. Depois, venceu na estreia da Série B, já com um pouco mais de tranquilidade, três resultados bons, histórico para o clube, porque o clube chega em uma fase da Copa do Brasil que ele ainda não conhecia, que é uma novidade para o clube e para o município. Foi um reconhecimento de cenário, muito trabalho e um pouquinho de sorte. A sorte, nesse um mês que a gente está aqui, correu a nosso favor.

Tribuna: Após a sua chegada, o Athletic anunciou 13 jogadores. Essa janela forte que o clube fez após o Mineiro foi um pedido seu? Você indicou alguns dos jogadores?

Alex: Não, foi um diagnóstico da diretoria. Eu venho junto com esses reforços. Os reforços, quando eu chego, eu já chego determinado: fulano sai, ciclano entra. A diretoria já estava trabalhando em cima de alguns nomes, em cima de algumas características. O meu papel aqui era determinar aquilo que eu imaginava em termos de características. Mas a grande maioria dos jogadores que chegaram, quando eu cheguei, eles já estavam em conversas bem adiantadas para poderem vir para o nosso clube. Essa é a situação.

Tribuna: Você chegou a indicar algum nome que veio?

Alex: Não, não deu tempo, porque eu sou contratado, acho que três, quatro dias depois da saída do Rui, as conversas já estavam adiantadas com muitos dos jogadores que saíram e muitos dos jogadores que chegaram. Vou te dar o exemplo do David Braga. Quando eu chego aqui, eu já sabia que ele sairia no dia 27 de março, que é quando a janela fecha. A minha conversa com o Braga era no sentido de entender se ele tinha cabeça, após o Campeonato Mineiro, de ajudar nessa sequência, e aproveito para agradecê-lo, mais uma vez, aqui agora de maneira pública, porque ele teve um comportamento espetacular com o clube, muito comprometido, e nos ajudou muito em Vitória, nos ajudou muito contra o Ypiranga, nos ajudou muito contra o Sport, e depois acabou seguindo aquilo que ele já estava conversando com a diretoria. E o mesmo vale para outros nomes. Eu lembro que quando eu cheguei, o Edson, o zagueiro, saiu. E o Edson era uma referência do clube, muita gente falando a respeito da saída dele. Só que quando eu chego, a saída dele já está definida. Então, a minha participação agora foi no goleiro, que o Jhonatan sente a lesão, e o Robert acaba retornando para o Atlético-MG. E nessa, a gente teria que contratar um goleiro. O Luan Polli, que já tinha uma conversa com o clube, que já tinha uma relação com essa diretoria, acaba entrando num acordo de maneira rápida e a diretoria dá solução nisso. Então, essa é a minha situação desde o dia da minha chegada.

Tribuna: Alex, falando agora sobre a Copa do Brasil, você, como jogador, tem uma vastíssima experiência, foi campeão pelo Palmeiras e pelo Cruzeiro da Copa do Brasil. O Athletic chega na quinta fase, um estágio que o clube ainda não havia chegado na sua história, e vai pegar o Internacional. O que você achou do confronto?

Alex: Na verdade, não achei nada, porque, ou seria o Inter, ou seria um outro gigante do futebol brasileiro, não tem muito o que escolher. O que viesse seria duríssimo e nós somos os franco-atiradores. Favorito é o Internacional, como seria outro time qualquer da Série A, que era o Pote 1 contra o Pote 2, que sobraria para a gente enfrentar. Sinceramente, não pensei no Internacional ainda, porque até lá nós temos mais três jogos da Série B, e uma das coisas que eu tenho feito aqui é pensar jogo a jogo. Eu acompanhei o sorteio, estamos discutindo onde vai ser o jogo, porque infelizmente o regulamento não nos permite jogar dentro de São João del-Rei, a gente vai ter que, a diretoria está buscando uma solução. É importante deixar claro para o torcedor que é uma solução que a gente tem que buscar em termos de logística, porque a gente joga esse jogo da Copa do Brasil primeiro com o mando nosso, entre o jogo do Novorizontino, que é fora, e o jogo do Náutico, que é dentro de casa. Então, tem que arranjar uma logística boa para poder sair de Novo Horizonte, enfrentar o Inter e retornar para São João para enfrentar o Náutico. A diretoria está dando solução nisso para ver qual vai ser a melhor situação. Quando estiver chegando o próximo, a gente começa a imaginar mais o Internacional, mas com certeza vai ser prazeroso colocar o Athletic numa situação como essa. Vamos enfrentar um time gigante do futebol sul-americano, um time que é campeão do mundo, tem uma torcida apaixonadíssima, vamos ter a experiência de jogar em um dos grandes estádios do Brasil, que é o Beira-Rio. Essa rapaziada está de parabéns por ter conseguido colocar o Athletic dentro dessa situação e temos que seguir trabalhando para que a gente tenha merecimento de buscar novas e melhores situações.

Tribuna: O Athletic não poderá jogar em São João del-Rei contra o Inter. Como fazer para não perder o “fator casa” mesmo jogando em outra cidade?

Alex: Nós já perdemos, e não tem o que fazer. A nossa casa é a Arena Sicredi em São João del-Rei, e a gente não vai jogar aqui. Essa é uma realidade e a gente tem que encarar ela. Tudo que eu vier a falar aqui é fictício. Então nós vamos jogar num estádio neutro, não sei onde é, se for Belo Horizonte, como foi no Independência no ano passado em alguns momentos, é fora de casa. Na região de São João não existe um outro estádio que pudesse trazer algum benefício de pelo menos estar próximo da cidade. Muito se fala de Juiz de Fora, mas o estádio de Juiz de Fora, hoje, não se encontra em condições de receber um jogo como esse. Então nós vamos jogar fora de casa. Essa é uma realidade, todo mundo sabe. É uma situação que o Athletic tem que enfrentar, acho que o Barra também vai enfrentar isso, devido ao regulamento. E isso é um processo natural de um clube que voltou há pouco, que está passo a passo tentando se consolidar. Independente de onde seja, o importante é que a gente vá lá, aproveite bem essa situação e seja competitivo. Eu acredito que nós vamos ser o tempo todo.

ESTADIO MUNICIPAL FELIPE COURI
Alex descarta utilização do Estádio Municipal para jogo contra o Internacional (Foto: Felipe Couri)

Tribuna: A Copa do Brasil muitas vezes muda o patamar de um clube, tanto esportivo quanto financeiro. Como você administra a expectativa em torno desta competição?

Alex: Como eu disse, eu não pensei no Internacional ainda. Essa é uma realidade, até porque eu tenho um jogo duríssimo com Criciúma, e depois eu tenho América, e depois tem CRB e depois Novorizontino. É semana a semana, jogo a jogo. Relacionado à Copa, a gente sabe que as premiações financeiras, elas são altíssimas, que ajudam muito os clubes, faz com que você dê um refresco, um frescor maior no seu caixa. Mas assim, o meu olhar para a Copa do Brasil, para as três passagens, é muito mais o olhar técnico e o olhar de moral. Porque quando nós chegamos, era um time que tinha acabado de descer, teve um descenso que é ruim para todo mundo. Então você tem que, de alguma forma, apagar isso e começar a olhar para frente. Por exemplo, esse pessoal hoje, moralmente, eles estão muito mais fortalecidos. Do jeito que a tabela caiu, nós saímos de um time da Série D, viemos para um time da Série C, viemos para um time da Série B, que é um dos clubes tradicionais da Série B, que é o Sport, e passamos por essas três fases, crescendo jogo a jogo. O jogo do Ypiranga é um pouco melhor do que o jogo do Rio Branco, o jogo do Sport Recife é muito melhor do que o do Rio Branco e do Ypiranga, e agora a gente chega para enfrentar um dos gigantes do Brasil, que é o Internacional, mas isso é um olhar um pouquinho mais para frente. Então o olhar de momento é um olhar de moral, de satisfação por aquilo que a gente está conseguindo construir aqui dentro.

Tribuna: O Athletic começou bem a Série B ao vencer a Ponte Preta na primeira rodada por 2 a 1. Qual o objetivo que você espera alcançar com o clube na competição?

Alex: No ano passado, eu assumi o Operário na metade do primeiro turno. E competindo, acompanhando, enfrentando, eu vi a dificuldade que tem dentro dos jogos e como os jogos se desenrolam. O que eu tenho passado para eles aqui é que nós temos que ser competitivos o tempo todo, seja jogando em casa ou fora de casa. Quanto mais organizados nós estivermos, quanto mais competitivos nós formos, a gente tem condições de ir pontuando, e semana a semana a gente vai olhar onde é que nós vamos estar, onde é que nós nos encontramos. Eu, sinceramente, não consigo ficar projetando o Athletic lá para novembro, até porque eu não conheço o clube. Eu estou no clube há um mês e é um mês de sucesso. E, sinceramente, isso não me ilude, até porque eu já citei para você aqui, a gente poderia ter caído contra o Rio Branco, a gente poderia ter caído contra o Ypiranga, e futebol muitas vezes se define nesses detalhes. A gente está muito preocupado com detalhe, mas semana a semana, jogo a jogo, e dentro disso, a cada semana que for passando, a gente começa a desenhar, imaginar aquilo que pode ser feito em relação ao ano. Nesse momento, pensamento exclusivo no Criciúma, para que a gente vá até Santa Catarina, seja bem competitivo e consiga trazer pontos de lá, que é a nossa ideia.

Tribuna: Na Série B, onde o equilíbrio costuma ser muito grande, o que costuma fazer mais diferença: organização, intensidade, elenco ou força mental?

Alex: Cara, eu acho que depende muito, porque cada time vai contar um contexto diferente. Se nós olharmos o Sport Recife, tem uma torcida apaixonada por trás, tem uma imprensa que participa muito. O Athletic não tem isso. E se nós olharmos, por exemplo, o Operário de Ponta Grossa tem menos torcida que o Sport, mas tem uma imprensa que participa parecido. Cada clube vai ter um olhar diferente. O América tem um olhar diferente do Botafogo de Ribeirão Preto. Nós vamos agora enfrentar o Criciúma, que talvez seja um dos municípios brasileiros que mais goste do seu clube e do local. A torcida do Criciúma é algo espetacular quando joga no Heriberto Hulse. Aquele negócio amarelo e preto é lindíssimo. É uma atmosfera espetacular para quem joga futebol. Os contextos de clube vão alterando de um local para o outro. Nisso entra o clube, entra a gestão do clube, entra os próprios jogadores, aí entra a própria forma de ser do torcedor. Por isso que eu digo, o Athletic, nesse momento, ele é um clube que busca se consolidar na divisão que ele está. E para ele se consolidar nessa divisão, ele tem que fazer o que ele está fazendo. No ano passado, ele se manteve. Esse ano, começou vencendo a Ponte Preta. E tem que ir, a cada semana, sendo mais competitivo, acreditando no caminho que os gestores estão desenhando, para que essa consolidação, cada vez mais, ela vá se confirmando.

Tribuna: A Série B parou para a Data FIFA e para a disputa de torneios regionais. Essa pausa será importante para o desenvolvimento do seu trabalho?

Alex: Eu acredito muito em treino. Quanto mais você treina, acho que melhor o seu time fica. Tivemos tempo de descansar após o jogo da Ponte Preta, porque vínhamos numa sequência de Sport Recife e Ponte Preta. E o retorno dos jogos fora para São João del-Rei é sempre bem difícil. Então tivemos essa condição de descansar, de treinar bem. É uma parada boa, não só para nós, mas para o próprio Criciúma, que é o nosso adversário, que também não está em nenhuma Copa, para se aproveitar bem e, como eu falei, chegar no jogo ser o mais organizado e o mais competitivo possível.