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Tupi 2 x 0 Brasiliense


Por Renato Salles

12/08/2012 às 07h00

Companheiros se abraçam na comemoração do 1º gol

Companheiros se abraçam na comemoração do 1º gol

Não foi uma daquelas vitórias dignas de um ouro olímpico. Mas, muitas vezes, a redenção vem dos pequenos e primeiros passos. E foi exatamente o que o Tupi conseguiu ontem ao vencer pela primeira vez na Série C do Campeonato Brasileiro, ao passar de forma tranquila pelo Brasiliense, no Estádio Municipal. O 2 a 0 no marcador, garantido pelos pés do zagueiro Sílvio e pela cabeça do atacante Cassiano, foi o suficiente para o torcedor carijó vislumbrar uma luz no fim do túnel. Não do brilho falso da lanterna, mas da esperança de que ainda é possível lutar por um futuro dourado na competição nacional. Ao som das arquibancadas, que ditava que "o campeão voltou", os juiz-foranos somaram 3 pontos na tabela de classificação, deixaram a última colocação exatamente para a equipe de Brasília, porém seguem na zona de rebaixamento, na nona colocação. Entretanto, a distância para o Oeste, quarto colocado e último time da faixa de classificação para a aproxima fase, caiu para apenas 4 pontos.

Contrariando a frase atribuída ao Barão de Coubertin, considerado o pai das Olimpíadas da Era moderna, que ditava que o importante não é vencer, mas competir com dignidade, o Tupi entrou em campo conjugando apenas dois verbos: ganhar ou ganhar. E a obsessão pelo triunfo era exatamente para que o clube recuperasse sua dignidade de atual campeão da Série D. Assim, desde o apito inicial, o Carijó buscou o ataque. Como um boxer frustrado, o Brasiliense só se esquivava. Tentava valer-se da velha tática de tentar estudar o adversário nos 15 minutos iniciais. A lição veio exatamente aos 15. A zaga do Jacaré cortou mal um cruzamento, a bola ficou viva na área até surgir o zagueirão Sílvio, que, com um giro digno do ginasta e medalhista olímpico Arthur Zanetti, colocou a bola no ângulo esquerdo do goleiro Welder. Tupi 1 a 0.

Só então o Brasiliense recorreu ao tal espírito olímpico e resolveu competir. Os poucos lances de perigo foram arquitetados por Rafael Ipuã. Aos 17, o meia arriscou de fora da área. O goleiro Rodrigo apareceu bem para fazer a defesa. Dez minutos depois, Ipuã cobrou escanteio na cabeça de Jandson. O atacante cabeceou da pequena área, mas parou novamente na segurança de Rodrigo, que mostrou por que estava comemorando a 50ª partida com a camisa carijó.

 

 

Segundo tempo

O Brasiliense voltou para a etapa complementar com duas alterações. Hugo e Ferrugem deixaram o campo para as entradas de Ruy e Djavan. As mudanças não deram rock. O Tupi seguia pedindo perdão a Coubertin e buscando a vitória a todo o custo. Aos 4, o atacante Ademilson desceu pela direita e rolou para a entrada da área. O meia Michel Cury bateu de primeira, mas a zaga desviou e salvou o Jacaré. Foi último ato de Cury, que saiu para a entrada de Henrique.

Quem quer vencer precisa contar também com a sorte. Aos 11, após cruzamento na área carijó, Rodrigo ficou no meio do caminho. No bate e rebate, a bola sobrou limpa para o meia Everton chutar para fora, em uma oportunidade clara de gol.

Para não perder as rédeas do jogo, o técnico do Tupi, Felipe Surian, colocou Assis e Cassiano em campo, nas vagas de Fabinho e Ademilson. Mesmo com protestos de parte da torcida, as alterações foram preponderantes para que o Tupi experimentasse pela primeira vez o sabor da vitória. Isso porque, aos 41, o eficiente lateral-direito Alex Travassos descolou um escanteio pela direta, que ele mesmo cobrou. A bola viajou pela área adversária até Cassiano aparecer e, como uma cortada certeira de Jacqueline, cabecear para o chão e colocar números finais no marcador: 2 a 0. Como um Hulk de verdade, o atacante tirou a camisa com raiva, como se comemorasse uma medalha particular, no desabafo de um grupo que ainda sonha com os degraus mais altos do pódio.