Tupi 2 x 0 Brasiliense

Companheiros se abraçam na comemoração do 1º gol
Não foi uma daquelas vitórias dignas de um ouro olímpico. Mas, muitas vezes, a redenção vem dos pequenos e primeiros passos. E foi exatamente o que o Tupi conseguiu ontem ao vencer pela primeira vez na Série C do Campeonato Brasileiro, ao passar de forma tranquila pelo Brasiliense, no Estádio Municipal. O 2 a 0 no marcador, garantido pelos pés do zagueiro Sílvio e pela cabeça do atacante Cassiano, foi o suficiente para o torcedor carijó vislumbrar uma luz no fim do túnel. Não do brilho falso da lanterna, mas da esperança de que ainda é possível lutar por um futuro dourado na competição nacional. Ao som das arquibancadas, que ditava que "o campeão voltou", os juiz-foranos somaram 3 pontos na tabela de classificação, deixaram a última colocação exatamente para a equipe de Brasília, porém seguem na zona de rebaixamento, na nona colocação. Entretanto, a distância para o Oeste, quarto colocado e último time da faixa de classificação para a aproxima fase, caiu para apenas 4 pontos.
Contrariando a frase atribuída ao Barão de Coubertin, considerado o pai das Olimpíadas da Era moderna, que ditava que o importante não é vencer, mas competir com dignidade, o Tupi entrou em campo conjugando apenas dois verbos: ganhar ou ganhar. E a obsessão pelo triunfo era exatamente para que o clube recuperasse sua dignidade de atual campeão da Série D. Assim, desde o apito inicial, o Carijó buscou o ataque. Como um boxer frustrado, o Brasiliense só se esquivava. Tentava valer-se da velha tática de tentar estudar o adversário nos 15 minutos iniciais. A lição veio exatamente aos 15. A zaga do Jacaré cortou mal um cruzamento, a bola ficou viva na área até surgir o zagueirão Sílvio, que, com um giro digno do ginasta e medalhista olímpico Arthur Zanetti, colocou a bola no ângulo esquerdo do goleiro Welder. Tupi 1 a 0.
Só então o Brasiliense recorreu ao tal espírito olímpico e resolveu competir. Os poucos lances de perigo foram arquitetados por Rafael Ipuã. Aos 17, o meia arriscou de fora da área. O goleiro Rodrigo apareceu bem para fazer a defesa. Dez minutos depois, Ipuã cobrou escanteio na cabeça de Jandson. O atacante cabeceou da pequena área, mas parou novamente na segurança de Rodrigo, que mostrou por que estava comemorando a 50ª partida com a camisa carijó.
Segundo tempo
O Brasiliense voltou para a etapa complementar com duas alterações. Hugo e Ferrugem deixaram o campo para as entradas de Ruy e Djavan. As mudanças não deram rock. O Tupi seguia pedindo perdão a Coubertin e buscando a vitória a todo o custo. Aos 4, o atacante Ademilson desceu pela direita e rolou para a entrada da área. O meia Michel Cury bateu de primeira, mas a zaga desviou e salvou o Jacaré. Foi último ato de Cury, que saiu para a entrada de Henrique.
Quem quer vencer precisa contar também com a sorte. Aos 11, após cruzamento na área carijó, Rodrigo ficou no meio do caminho. No bate e rebate, a bola sobrou limpa para o meia Everton chutar para fora, em uma oportunidade clara de gol.
Para não perder as rédeas do jogo, o técnico do Tupi, Felipe Surian, colocou Assis e Cassiano em campo, nas vagas de Fabinho e Ademilson. Mesmo com protestos de parte da torcida, as alterações foram preponderantes para que o Tupi experimentasse pela primeira vez o sabor da vitória. Isso porque, aos 41, o eficiente lateral-direito Alex Travassos descolou um escanteio pela direta, que ele mesmo cobrou. A bola viajou pela área adversária até Cassiano aparecer e, como uma cortada certeira de Jacqueline, cabecear para o chão e colocar números finais no marcador: 2 a 0. Como um Hulk de verdade, o atacante tirou a camisa com raiva, como se comemorasse uma medalha particular, no desabafo de um grupo que ainda sonha com os degraus mais altos do pódio.









