Papo de Gandula – tempos difíceis
Caros e caras, confesso: são difíceis para mim esse tempos sem ver o Tupi em campo. Tento me distrair, ver séries, filmes, acompanhar as enfadonhas primeiras rodadas do Brasileirão – nas quais tenho mais interesse por conta de armar meu time no Cartola e ver seu resultado depois do que propriamente pelos jogos – e me empolgar com a Eurocopa. Mas realmente está muito ruim a vida sem o futebol do Carijó para agitar mais o trabalho durante a semana, dar aquele frio na barriga em dia de jogo e ser motivo de comemoração ou decepção depois dos 90 minutos.
Acho até que, de tanto deixar uma certo abatimento transparecer em casa, meu filho, Arthur, de 2 anos, já começou a perceber. No último domingo, subindo o Calçadão, essa figurinha avistou uma bandeira preta e branca em uma daquelas barraquinhas de bugigangas que por ali ficam alojadas no dia em que o Centro fecha as portas para o merecido descanso dos trabalhadores.
Então, meu filho disparou: Olha papai, Tupi.
Olhei para onde ele apontava, mas era um bandeira do Atlético-MG.
Respondi: Não, filho, esse é o outro Galo, o Atlético, lá de Belo Horizonte.
Decidi esticar um pouco o assunto: Você queria que fosse do Tupi?
Recebi de volta um Queria. Ele (Tupi) vai jogar?
Criança tem cada uma. O Arthur me fez talvez a única pergunta sem resposta hoje no futebol mundial.
Como não tento enganar o pequeno nunca, me abaixei olhei em seus olhos e fui sincero: O papai não sabe, Arthur. Hoje, não joga. Quem sabe daqui a pouco…
Então, ele me surpreendeu como costuma fazer quase sempre.
Como quem compreende o momento que estou passando e tenta me consolar, colocou a mãozinha na minha barba e profetizou: Já vai jogar, tá bom, papai? Daqui a pouco.’
Dei um abraço forte nele e pensei comigo mesmo: Tomara, Arthur, tomara…









