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Na orelha da bola


Por GUILHERME ARÊAS

09/08/2012 às 07h00

Papo de elevador

Já não faltam mais assuntos no elevador.

Onde vai parar essa vingança da Nina, gente?

Você viu os ministros do STF dormindo no julgamento do mensalão? Que vergonha!

Candidato é tudo igual. Só aparece aqui no bairro em época de eleição.

E aquele garoto que ganhou o ouro na argola, menina. Quase chorei de emoção.

Na enquete de segunda-feira, a Tribuna perguntou: Qual assunto na mídia vem despertando seu maior interesse? As Olimpíadas lideraram, com 28%, ao lado do julgamento do mensalão, um dos maiores escândalos de corrupção do país. Derrotaram Avenida Brasil, uma das novelas com maior repercussão entre os telespectadores nos últimos anos, e as discussões sobre as eleições 2012, ou seja, sobre o futuro da cidade. As Olimpíadas estão derrotando mais: a ausência das transmissões da Globo na rede aberta, a transmissão capenga da Record, a atuação meio frustrada do Brasil em algumas modalidades. O tal espírito olímpico existe mesmo e está aí pra quem quiser ver.

Eu participei da enquete de segunda-feira. Votei nas Olimpíadas, sim; não me envergonho. Que pelo menos de quatro em quatro anos possamos ouvir falar de Sarah Menezes e Arthur Zanetti, porque de José Dirceu, Marcos Valério e companhia mensaleira ouvimos quase todos os dias. Que saibamos mais sobre a história de vida de Oscar Pistorius, porque da Carminha estamos fartos. Que nos enjoemos de prever mais medalhas para Phelps e Bolt, porque o discurso dos aspirantes a uma vaga na política é tão previsível quanto.

As Olimpíadas acabam domingo. Os noveleiros voltarão a acompanhar Avenida Brasil. Os eleitores voltarão a avaliar os candidatos. Os cidadãos se encherão de informações sobre a Ação Penal 470. E os atletas voltarão para seus países, seus clubes, suas rotinas de treino puxado. Tudo isso para, daqui a quatro anos, reunirem-se novamente no Brasil. E, em 2016, que assuntos vão ousar disputar espaço na mídia com as Olimpíadas do Rio?

Até lá, bem que o tema investimento no esporte olímpico poderia estar sempre em pauta.