Na orelha da bola – Há lugar como BH?
– Patrão, é verdade que o hômi tá vindo aí?
– Diz que tá.
– Então… será que vai dar certo aqui?
– Claro que vai. O cara é do ramo, pô. Que pergunta… Você acha que eu sou doido de fechar a porta pra ele? Que nem o outro lá… posso ser meio doido, mas doido inteiro não.
– Mas aqui… lá no Rio deu treta, né? Quer dizer, é muita gente na aba, ouvi falar que de vez em quando o trem ficava descontrolado…
– Que mané treta o quê, o cara é profissional, meu filho! E tem mais, se der também não tem erro, só a presença dele já vale ouro pra gente. Isso chama "reforço de imagem institucional", já ouviu falar?
– Ouvi não senhor.
– Claro que não, uma besta da sua envergadura… Reforço de imagem é quando a gente faz um negócio que pega bem pra nós, que faz a gente aparecer bonito na foto pros outros, entendeu? Vê se faz uma faculdade, rapaz, conhecimento não ocupa espaço.
– Mas é que com o salário que a gente recebe aqui…
– Não muda de assunto!
– Desculpa. Mas aqui… isso vai ficar cheinho de curioso, de repórter… como é que faz?
– A gente blinda ele.
– Heim?!
– Blinda! Blinda! Nossa senhora, mas eu tenho que explicar tudo pra essa cambada… A gente reserva uma área pra ele, entendeu, protege ele! Um cara desse você tem que deixar à vontade, se aperta ele escapole.
– Ah, entendi… mas tem o negócio da mulherada também, né?
– E o quê que tem? Você não gosta de mulher não?
– Ocê tá bobo!, eu gosto é demais da conta, sô!
– Então?!
– Eu quero saber é como é que faz… A gente dá senha, organiza fila…?
– Senha, fila… EU SEI LÁ, PÔ!!! Quando ele chegar aí a gente vê como é que vai ser…! Agora some pra lá, vai limpar a fachada, ver se os freezers tão carregados, limpar os banheiros, espanar o tapete do palco… qualquer coisa, porque hoje tem pagode e o homem vai descobrir por que não há lugar melhor que Beagá. Ô se vai!









