Os pés pelas mãos
Louca gargalhada
Quem riu, riu. Quem não riu, não vai rir mais. A frase mal-humorada é atribuída ao contestado e polêmico Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians. Engana-se quem pensa ter sido este um arroubo embriagado, entre charutos, uísque, belas garotas e mafiosos russos, após a obsessiva conquista da Libertadores pelo Timão. Quase uma profecia, a sentença foi dada em dezembro de 2007, após os paulistas terem vivido o inferno do rebaixamento.
A verdade é que a jogada que originou o segundo gol de Sheik contra o Boca foi iniciada entre as lágrimas de cinco anos atrás. Da dor, veio a reorganização, o planejamento, a pavimentação do tortuoso caminho que conduz às glórias. A redenção do bando de loucos silenciou piadas infames, recurso último de quem tentava diminuir um clube cuja grandeza não foi feita baseada em títulos. O Corinthians não ficou maior por ter vencido a Libertadores. Já era gigante pelo amor de sua torcida, pelo jejum de 23 anos, pela invasão do Rio em 1976, pelo espírito democrático explicitado na década de 80, pelo lampião a querosene que iluminava seus cinco fundadores de origem humilde. O que deve ter crescido mesmo é o sentimento dúbio nutrido pelos simpatizantes de seus rivais.
Lembrar a dor é valorar a alegria. A trajetória do título começou bem antes da campanha invicta. Teve início na derrota para o Tolima, em 2011, na jocosidade da torcida adversária. Ali o Timão foi digno do aumentativo. Não teve quebra-quebra ou caça às bruxas. O projeto e o técnico foram mantidos. Exemplo a ser seguido pelos demais clubes e pelo próprio Corinthians. O sucesso vem do acúmulo de experiências. Boas e ruins. É preciso se livrar de seus vícios para conquistar feitos libertadores.
Se o mundo acabar mesmo em 2012, os corintianos terão rido por último. Em uma louca gargalhada, comum aos grandes vilões do cinema pipoca, encenada por um bando que permanece aguardando pelas próximas alegrias. Pelas tristezas também. Isso é Corinthians.









