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Nada no balaio


Por MARISE BAESSO,

04/08/2012 às 07h00

De olho no quadro de medalhas das Olimpíadas de Londres, vejo o Brasil se distanciar da China. Na última verificação, os chineses já tinham arrebatado 42 medalhas e se mantinham na liderança, junto com os norte-americanos. Desde o início das competições, vi o Brasil passar de nono lugar para décimo primeiro, décimo quarto, décimo sétimo… De um primeiro dia empolgante, com a conquista de três medalhas no último sábado, tivemos que esperar a quinta-feira para que mais uma viesse. E na sexta, outras duas. Comemoramos os bronzes suados e nos decepcionamos com um deles, o do nadador Cesar Cielo, já que era nossa grande esperança individual de ouvir mais uma vez o Hino Nacional nesta competição. No quadro de medalhas, o Brasil segurava a vigésima posição.

Resolvo procurar os outros países considerados emergentes só para fazer uma comparação. Além de Brasil e China, o grupo chamado Bric se completa com Rússia e Índia. A África do Sul também compõe o bloco, levando-se em conta o grupo de cooperação política. Pois bem, na última quinta-feira, a Rússia ocupava o nono lugar entre os medalhistas, com 13 pódios. Um dia depois, já eram 22, e um décimo lugar no quadro geral. Vamos à África do Sul. Ela também está à frente, em 11º, com três medalhas de ouro e uma de prata. Agora é a vez de buscar a Índia, país que em toda a sua história olímpica ganhou 20 medalhas. Agora, em Londres, os indianos receberam uma de bronze e outra de prata e estão na 32ª posição. Mas convenço-me que Índia não conta. Definitivamente, esta nação não é uma potência nos esportes olímpicos.

Volto a pensar na China. Não há como alcançarmos este país nos Jogos. Até as Olimpíadas de 2008, ela acumulava 386 medalhas, enquanto o Brasil, até 2008, tinha 95. Economicamente também estamos distantes desta potência, mas formamos um mesmo bloco. É, penso eu, falta muito para sermos uma potência no esporte. No entanto, é preciso não só olhar para o quadro de medalhas a cada quatro anos, principalmente para um país que será sede dos próximos Jogos Olímpicos. As medalhas são apenas um resultado, um resultado conjunto, também em bloco. É preciso investimento como um todo nos esportes. Eles podem ajudar na formação de uma sociedade mais humana, com cidadãos que sabem competir, perder, ganhar… A Olimpíada é o maior evento esportivo do planeta, mesmo que para nós seja a Copa do Mundo e independentemente das brigas por audiência nas TVs.

É mister incentivar em bloco outros esportes em nosso país. É preciso que o Poder Público expanda a evolução tecnológica e leve os aparatos para o desenvolvimento dos atletas para outras regiões que não Rio e São Paulo. Até agora, enfrentamos as barreiras econômicas e as diferenças dentro do próprio país. Os talentos vão surgindo por toda a nação, mas nem todos têm condições de ir para Rio e São Paulo ou mesmo para o exterior desde cedo para poder competir em nível de igualdade com as verdadeiras potências quando chegam as Olimpíadas.

É, falta muito para sermos uma potência olímpica. É preciso aprender com a China. Do contrário, continuaremos apostando em talentos isolados, que vencem todas as intempéries praticamente sozinhos ou com um grupo muito pequeno de apoio, como a franzina Sarah Menezes, 22 anos, que se manteve em Teresina, no seu Piauí, onde treina desde os 9 anos e conseguiu um verdadeiro milagre olímpico, por ter chegado ao lugar máximo do pódio em Londres, no judô, sem sair de casa. Não, o Piauí não é mais o estado mais pobre do Brasil. Perdeu este triste pódio para Alagoas e Maranhão, que, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), estão hoje, respectivamente, no primeiro e no segundo lugar deste ranking. O Piauí tem sido surpreendente e tem mostrado sua força diante da adversidade. Mas para um país que se apresenta como potência mundial, como o Brasil, não é possível mais esperar resultados do guerreiro Piauí.