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O Brasil está ficando pequeno para Giulia


Por Bruno Kaehler

03/01/2017 às 09h33

"Sou uma jogadora mais de ataque do que defesa, que busca agredir minha adversária sempre de forma consciente, sensata e buscando variar o jogo" (Foto: Fernando Priamo)
“Sou uma jogadora mais de ataque do que defesa, que busca agredir minha adversária sempre de forma consciente, sensata e buscando variar o jogo” (Foto: Fernando Priamo)

Fã do suíço Roger Federer e do irmão e treinador Thiago Aguiar, a tenista juiz-forana Giulia Aguiar, 15 anos, 32ª colocada no ranking sul-americano na categoria até 16 anos (dados de 29 de dezembro da Confederação Sul-Americana de Tênis) vem ascendendo de forma tão estável que já planeja participar de competições juvenis (até 18 anos) que pontuem no Ranking Internacional de Tênis neste ano, almejando, ainda, atuar ao menos em um jogo profissional. O sucesso não é obra do acaso.

Giulia começou a praticar tênis aos 5 anos por influência do irmão, tenista de destaque na cidade e região. Ainda de forma lúdica, ela dividia seu tempo livre realizando outros esportes como natação, vôlei e atletismo, além da ginástica olímpica, em que foi vice-campeã brasileira. Aos 11 anos, veio a escolha que mudaria sua rotina e a levaria, em 2016, a oito finais de campeonatos e ao título de duplas do Sul-Americano realizado em Itajaí (SC), em outubro. “Tive tanto influência do meu irmão, como da paixão pelo tênis. Me espelhei muito no Thiago, queria jogar como ele e acabei criando também essa paixão maior que nos outros esportes”, relembra.

Hoje, a atleta realiza até 70 partidas de 15 a 20 torneios por ano. Para garantir uma sustentação física que suporte esta demanda e auxilie o crescimento de sua performance, ela treina duas vezes por dia na Arena Tênis Clube. Das 9h às 11h acontece a primeira atividade em quadra. Após almoço e descanso, a jovem retorna aos exercícios, variando entre táticos, técnicos e físicos, por mais duas horas, finalizando, depois, com fisioterapia. Há ainda o acompanhamento de uma nutricionista e um preparador físico.

Sua personalidade forte e focada é bem perceptível na entrevista. Ao ser questionada sobre seu perfil como atleta, pensou por alguns segundos e, olhando para o irmão, respondeu. “Sou uma jogadora mais de ataque do que defesa, que busca agredir minha adversária sempre de forma consciente, sensata e buscando variar o jogo.”

Todo esse esforço é recompensado pelas conquistas: ela contabiliza 90 vitórias na carreira entre partidas oficiais de torneios nacionais e continentais. “Gostei muito do meu ano também porque consegui perceber que melhorei, o que é muito positivo e me faz ganhar força para continuar treinando cada vez mais. Fiquei muito feliz com os resultados, principalmente por ter sido o primeiro ano na categoria”, ressalta.

Suporte do ex-atleta, irmão e técnico

Ex-atleta e Mestre em Treino de Alto Rendimento pela Universidade do Porto (Portugal), Thiago vive a rotina de Giulia duplamente. Irmão que cuida da carreira e técnico que trabalha o desenvolvimento como esportista, o profissional se preocupa com cada detalhe para realizar os sonhos da dupla Aguiar.

“Vamos buscar que ela jogue o circuito até 18 anos da Federação Internacional de Tênis. Dentro dele, quem sabe disputar um ou outro torneio profissional se conseguirmos, ao menos para respirar esse ambiente e entender como funciona essa rotina profissional, apesar de já ter algo similar em carga de treinos. E que ela consiga entrar no ranking mundial juvenil com o maior número de pontos. Mas isso só irá acontecer se conseguirmos patrocínio. Isso é um ponto muito importante, porque estamos planejando competições fora do país, pelo menos um mês na Europa”, explicou Thiago.

Como professor de Giulia, as prioridades na performance também foram traçadas para um 2017 ainda mais vitorioso. “Do ponto de vista tático e técnico, objetivamos aprimorar alguns golpes e detalhes consolidando o jeito como ela joga. Cada mês que passa as adversárias vão tendo mais virtudes e necessitamos ter mais cartas na manga. Estamos buscando que ela seja uma jogadora que tenha um tênis mais completo, sabendo jogar no fundo, na rede, defender e atacar”, finalizou.