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Papo de gandula


Por WALLACE MATTOS/REPÓRTER

02/10/2012 às 07h00

Liberdade, já!

Caros e caras, a questão do cerceamento da liberdade de torcer está chegando, a meu ver, a seu cúmulo. Estamos beirando a ditadura por conta de alguns mauricinhos que querem pasteurizar o modo de o torcedor se expressar dentro dos estádio. No último fim de semana, uma situação ridícula foi protagonizada pelo árbitro Leandro Vuaden no jogo Náutico x Atlético-GO, que ilustra bem o autoritarismo com que tem sido tratada a questão no Brasil.

O juiz a que me refiro se recusou a iniciar o confronto enquanto uma faixa com os dizeres não irão nos derrubar no apito não fosse retirada do meio da torcida do Náutico. Ora, se isso não é cerceamento de liberdade de expressão, não sei mais o que é. O protesto em questão não se dirigia diretamente a Vuaden, não incitaria a violência e muito menos ofendia a qualquer dos envolvidos na partida. Simplesmente afirmava que os torcedores estavam atentos ao comportamento daquele e dos outros árbitros do Campeonato Brasileiro em partidas de seu clube. E até parece que a péssima arbitragem no Brasil pode prescindir de observações mais apuradas tanto de torcedores como de cronistas para buscar corrigir seus erros.

Mas em uma atitude autoritária, o comandante do espetáculo mandou retirar a faixa, dizendo que se sentiria pressionado. Pelo visto não funcionou a retirada, pois ele marcou um pênalti ridículo para o Náutico, que acabou influenciando diretamente na vitória dos dono da casa. Vai ver foi por isso, né? Nem precisava do protesto, ele já ia dar uma mãozinha ao Timbu.

Brincadeiras de lado, o episódio me lembra o caso da proibição da Polícia Militar de Minas Gerais de a torcida do Atlético-MG colocar uma faixa – levada aos primeiros jogos da equipe na Arena do Jacaré nesse Campeonato Mineiro. Irados com a derrota para o Cruzeiro por 6 a 1 sobre o Galo, em partida na qual o Alvinegro poderia rebaixar o arquirrival, os torcedores fizeram um protesto direto, escrevendo vergonha na cara e levando para as primeiras seis rodadas do Estadual. No dia 18 de março, em Nova Lima, no Estádio Castor Cifuentes, a PM obrigou a torcida a retirar a forma de manifestação de indignação.

Para justificar atos como esses, que proibiram manifestações pacíficas, os autoritários recorrem ao Estatuto do Torcedor. Mas o documento nada diz sobre esse tipo de protesto. Fala sim de incitação à violência, ofensas e outras formas de agressão que não estavam contidas nessas faixas. Por isso, não há uma justificativa plausível para o cerceamento da liberdade do torcedor. Aliás, isso vem acontecendo sistematicamente. Proibiram a cervejinha nos estádios, proibiram faixas de protesto contra a CBF, proibiram faixas de protesto contra os times e proibiram faixas de protesto contra a arbitragem. Querem proibir a torcida de tentar desestabilizar um adversário xingando, querem proibir a torcida de mandar para onde quiser o perna de pau de seu próprio time e querem limitar as comemorações dos jogadores. E eu, quero minha liberdade de torcer de volta, já!