Nada no balaio Polêmico e inesperado
Ricardo Miranda
Exceção feita aos corintianos, que são um bando de loucos, uma partida entre Corinthians e Chelsea, a contar pelas características atuais dos dois times, não deve entusiasmar a mais ninguém. É aquela coisa de um gol para um lado ou para o outro e mais nada. Agora imaginem esse mesmo jogo com o árbitro podendo recorrer a recursos tecnológicos para apontar impedimentos, agressões ou mesmo gols. Seria um desprazer sem fim. Isso para não ser deselegante. É como encontrar com aquele sujeito que conta tudo tim-tim por tim-tim e ainda entra em detalhes.
Sou do tipo que vencer com gol em impedimento é como vencer duas vezes. Seu adversário estará fulo da vida pela derrota e pelo erro do árbitro. Nada poderia ser mais prazeroso. Quando o bandeirinha erra três vezes em um mesmo lance, então, nem se fala. É praticamente uma goleada. Aliás, de uns tempos para cá, os bandeirinhas estão tomando o posto de mais odiado dos árbitros. Hoje, a simples escalação de um trio de arbitragem já é motivo para início de chacota ou sofrimento. O jogo, a bem da verdade, começa aí, com sorteio da comissão de arbitragem.
O problema é que, vez ou outra, aparece alguém querendo acabar com tudo isso. Querem colocar a televisão para ajudar na arbitragem. Os bandeirinhas serão dispensados. E, o pior de tudo, os juízes não vão errar mais. Uma chatice só. Imaginem uma vitória sem nenhum lance polêmico? Acabariam os programas esportivos. O Alexandre Kalil nunca mais seria eleito presidente do Atlético. O Flamengo estacionaria nos seis títulos atuais. Do que reclamaria os botafoguenses? E o Luxemburgo? Possivelmente nunca mais falaria coisas engraçadas e sem sentido.
O futebol é paixão de brasileiro porque é inesperado. Não é possível prever o próximo acorde. O líder do primeiro turno, com todos os elevados percentuais de aproveitamento, pode perder no segundo turno, também com estatísticas alarmantes. Um time perde em casa e goleia fora. Não tem lógica. Não tem racionalidade. É paixão. Quando tentam racionalizar ou impor uma lógica, fica previsível, chato, desapaixonante. Até mesmo os corintianos, atuais campeões do país, devem ter mais presente em suas memórias aquele drible do Neymar sobre Ronaldo Angelim do que algum chute do Paulinho ao longo da campanha vitoriosa.









