‘Precisamos renovar a fórmula de fazer futebol profissional’

Mudanças na gestão do futebol profissional na cidade, tendo por consequência diferente relação sobretudo no âmbito financeiro entre Tupi, Tupynambás e outras equipes com a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF). Este é um dos posicionamentos do novo secretário de Esporte, Julio Gasparette, 67 anos, que concedeu entrevista exclusiva à Tribuna após semanas tomando conhecimento da nova função, das demandas e da equipe de trabalho.
A conversa contou com a participação do gerente do Departamento de Iniciação, Formação e Rendimento Esportivo da SEL, Flávio Villela, do gerente do Departamento de Fomento às Políticas de Esportes e Lazer da SEL, Ricardo Wagner, e do Gerente do Departamento de Lazer e Exercício Físico da SEL, Abemar Tadeu Herdy. A Tribuna destaca os principais trechos da entrevista de Gasparette, que tem vasta história na área. Ex-vereador, começou no futebol amador do antigo Industrial Mineira, do Bairro Fábrica, e ainda atuou como atleta pelo Sport Club, Tupi e Tupynambás, além de ter sido presidente do Periquito em três oportunidades.
Prioridade na gestão
“Que todos os departamentos da secretaria se mobilizem o máximo para que os projetos funcionem. E um deles, que foi plano de campanha do prefeito (Bruno Siqueira – PMDB), inclusive, é o do Intercolegial. Vamos trabalhar para o retorno dos jogos. Fora disso, os programas Bom de Bola, ginástica para terceira idade, voleibol, basquete, handebol, tudo está funcionando. E há ainda projeto que trata os deficientes com carinho.”
Relação com equipes profissionais
“Temos que parar de ficar cobrando que a Prefeitura banque o esporte na cidade. Ela deve apoiar. Há muitas prefeituras que nem salário estão pagando aos seus funcionários. Acho que precisamos renovar a fórmula de fazer futebol profissional. O Tupi pede tudo. Estádio para treinar, os R$ 30 mil do mês que atrasam lá. E o Tupynambás veio agora com a mesma coisa. Nossa Universidade Federal tem ajudado muito bem o vôlei. Poderiam ter empresas de porte médio para grande participando. E nós da Secretaria, com o jurídico que passamos a ter, já pensamos em mexer na lei, vendo o que podemos apresentar para o prefeito e a Câmara, procurando benefícios da iniciativa privada.”
Ricardo Wagner e Flávio Villela destacam, ainda, que a PJF possui despesas além do repasse mensal aos clubes, contando o envolvimento de profissionais e de outras secretarias nos jogos, além dos gastos com o tratamento do Estádio. Há, ainda, o acordo de anistia do IPTU às agremiações que atendam os pedidos sociais da PJF.
Placar, estacionamento e grandes eventos
“Temos um custo anual de mais de R$ 1 milhão no Estádio (Municipal Radialista Mário Helênio) e agora, para atender à legislação, ao Corpo de Bombeiros e à Polícia Militar, fizemos algumas reformas e vamos mexer na frente do estádio, fazendo um alambrado para a chegada dos clubes, e abrir o portão do Bairro Dom Orione para a torcida visitante para facilitar a segurança. Estamos também estudando formas de buscar receita. Uma delas é o estacionamento do local para arrumarmos renda. Outra novidade é que em breve estaremos colocando placar eletrônico. Já estamos em processo de licitação.”
As mudanças seguem oportunizando a realização de jogos dos principais clubes do Rio de Janeiro na cidade, sem gastos da PJF. “A Prefeitura não recebe nada em dinheiro. Eles pagam todas as nossas despesas com quadro móvel, placar, segurança, monitoramento, banheiros químicos, tudo o que precisa para um grande evento”, explicou Villela.
Ginásio Municipal
“O prefeito está ‘fazendo das tripas coração’ para que essa obra comece de imediato. Mas existe um empecilho de licença do ginásio que se chama Corpo de Bombeiros, e a Secretaria de Obras tem trabalhado muito para resolver isso porque acho que é a obra que o prefeito mais quer concluir. Mas quem pode falar sobre a situação do Ginásio mesmo é o prefeito. Estamos aguardando a resposta dos Bombeiros.”
Políticas públicas
“A secretaria poderia ser muito maior do que é, fico até chateado. Não encontrei uma secretaria que pudesse ter sustentabilidade. Nosso orçamento é muito pequeno, e, com a Prefeitura passando por esse momento, acho difícil, até com a máxima vontade do prefeito, ter mais ajuda. Mas trabalhamos com um projeto de ir no Ministério e na Secretaria do Estado buscar parceria com empresas, indústrias para alavancar recursos. Não creio que vamos aumentar o que estamos fazendo. Devemos ter qualidade. Nas corridas, por exemplo, determinamos que não iremos fazer o mesmo número de provas do ano passado. Diminuímos. O Bom de Bola foi reduzido em três núcleos. Em relação às Copas, vamos procurar remodelar para não aumentar os custos.”
Ricardo Wagner complementa, reiterando que “existem vagas abertas para participar dos projetos esportivos que são de graça e resultam em saúde, educação e socialização na prática esportiva. Só o departamento do Abemar (Departamento de Lazer e Exercício Físico) atende 65 núcleos. Bairros com meninas, donas de casa, obesos, hipertensos, diabéticos, jovens, adolescentes e terceira idade sendo atendidos pela Prefeitura.”









