Eventos fortalecem Juiz de Fora como polo e projetam crescimento

Infraestrutura, preços competitivos, expertise de empresas locais e prósperos nichos de mercado, como as formaturas e encontros empresarias, impulsionam setor

Por Tribuna

15/04/2018 às 07h00 - Atualizada 16/04/2018 às 11h15

Em dois anos, evento de moda atraiu mil pessoas em desfile de cerca de 40 marcas
Foto: Marcelo Ribeiro

Juiz de Fora já se firma como polo regional de eventos. Apesar da ausência de pesquisas locais que permitam dimensionar o setor, quem atua no ramo afirma que a infraestrutura oferecida pela cidade e os preços mais baixos em comparação com os grandes centros têm atraído cada vez mais o interesse do público de municípios da Zona da Mata e Vertentes, além da região Serrana do Rio de Janeiro. Além da crescente demanda externa, a característica de polo estudantil e a vocação para o turismo de negócios aumentam as oportunidades das empresas, que apostam em crescimento para 2018.

Festas, formaturas, casamentos, feiras, congressos, encontros corporativos, shows e eventos que se tornaram tradicionais no calendário juiz-forano movimentam milhões anualmente e aquecem toda a cadeia econômica, que inclui desde fornecedores até hotéis, passando também por bares e restaurantes. Para se ter ideia, só a realização do Miss Brasil Gay, Minas Láctea e Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga movimentam mais de R$ 220 milhões, segundo os organizadores. No entanto, ainda predomina a realização de eventos de menor porte.

Na quinta (12) e sexta-feira (13), a cidade sediou mais uma edição do Fashion Days, tradicional evento local de moda. Na ocasião, foram apresentadas coleções de 40 marcas. Cerca de mil pessoas acompanharam os desfiles, que aconteceram na Rua Mister Moore nestes dois dias. Também na sexta-feira foi aberta mais uma temporada do Comida di Buteco. Esta é a oitava edição juiz-forana do concurso, que tem realização nacional, e abre espaço para os consumidores votarem nos petiscos inscritos em 20 bares da cidade. Em 2017, o Comida di Buteco foi responsável pela criação de seis mil empregos e a movimentação de R$ 140 milhões na economia em todo o país, conforme dados oficiais.

Responsável pela organização de ambos os eventos, o diretor executivo da Done Produtora, Toninho Simão, defende o status de polo regional para Juiz de Fora. “Além dos eventos que atraem o público de fora, nós vemos uma movimentação, cada vez maior, de pessoas que saem das suas cidades para realizarem eventos aqui. Contamos com fornecedores muito preparados, excelentes espaços para todos os tipos de comemoração, e praticamos valores bem mais baixos em comparação com os grandes centros.”

A Done Produtora mantém dez realizações fixas por ano na agenda local. Dentre elas, estão também o Showroom de Calçados e Acessórios da Zona da Mata, o Showroom da Beleza – Zona da Mata, e o É Festa, realizado no último fim de semana. Este tem a proposta de apresentar produtos e serviços para quem atua na área de eventos. “Foi a sexta edição, e tivemos um público de cerca de 1.500 pessoas, um crescimento de 30% em comparação com o ano anterior. Isso nos mostra que o setor está atraindo o interesse de mais pessoas”, diz Toninho. “Juiz de Fora tem um grande potencial de mercado, e a tendência para 2018 é de muito trabalho e novos projetos.”

Abrangência internacional

Juiz de Fora também “exporta” profissionais para a realização de eventos em outros locais. Este é o caso da Partner Produções, com sede há dez anos na cidade e atuação em território nacional. “Temos um projeto com a Líder Aviação, que envolve 19 municípios do país. Mas o nosso trabalho se concentra, principalmente, em Juiz de Fora, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro”, explica o diretor executivo Emerson Laender. Ele também está otimista para 2018. “As expectativas são muito positivas, pois temos no nosso calendário eventos de abrangência nacional e internacional.”

A empresa realiza, em média, 20 eventos por ano. Na agenda local já estão confirmados o International Input-Output Conference, evento de economia que teve a última edição realizada em Atlantic City, nos Estados Unidos, e este ano ocorre em parceria com a Faculdade de Economia da UFJF; o Congresso Nacional de Combate ao Câncer; o Encontro Regional da Sociedade Brasileira de Química; e a Conferência Contábil. “A cidade possui vocação para o turismo de negócios, mas ainda conta com algumas dificuldades. Apesar de possuir uma boa estrutura para abrigar eventos corporativos, há uma grande deficiência de acesso aéreo.”

Empresa se torna franqueadora

A característica juiz-forana de polo estudantil foi responsável por criar uma demanda específica do público jovem por eventos. Desta forma, festas, shows e formaturas também movimentam a economia local. Um dos principais nomes neste segmento, a Viva Eventos é responsável pelas comemorações de 80 a cem turmas por ano. “Realizamos desde pré-eventos – incluindo churrascos, viagens e festas em datas comemorativas – até as solenidades como missa, colação de grau, jantar dançante e baile de gala”, afirma um dos sócios, Fernando Sotrate. A empresa é a única do setor de eventos do país que se tornou uma franqueadora, e hoje está presente em 16 municípios. Para 2018, a expectativa também é de crescimento.

A Nomad Produções tem foco no segmento de lazer e entretenimento. Para este ano, estão previstos, pelo menos, oito espetáculos. “Os nossos eventos atraem público local e, também, de fora da cidade. Percebemos que, após este período difícil de crise, as pessoas estão retomando e valorizando mais a participação em atividades culturais”, afirma o diretor de produção da empresa, Gustavo Ribeiro. “Juiz de Fora possui espaços muitos bons para eventos, como teatros e casas de show. O que falta é unir o poder público e a iniciativa privada em prol deste trabalho, que é responsável por aquecer a economia, gerar renda e empregos. Uma ajuda na divulgação já seria muito bom para o nosso segmento.” Entre os próximos shows previstos pela empresa estão os de Caetano Veloso, Lenine e o do espetáculo infantil Mundo Bita.

O chefe do departamento de Turismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcelo do Carmo, destaca outras tendências. “No que diz respeito aos eventos destinados ao público local, temos uma gama ampla de perfis. Há desde aqueles voltados para a criançada até a terceira idade. Nesse momento, percebemos um número representativo de realizações em torno da cerveja artesanal e food trucks, além de feiras itinerantes, que movimentam o mercado com novos formatos e intervenções em praças e demais espaços públicos. Esses eventos atraem, principalmente, o público jovem e “descolado”, bem característico da cidade, devido ao grande número de estudantes que ela recebe.”

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Montagem de estande para feira de produtos e serviços de festas; 1500 pessoal visitaram o local. (Foto: Fernando Priamo)

Infraestrutura é um dos principais diferenciais

A infraestrutura que a cidade oferece para a realização de eventos é apontada por especialistas como um dos principais diferenciais responsáveis por atrair o público externo. “Temos desde hotéis até grandes centros de convenções, como o Expominas, que ainda é subutilizado. Há também bons espaços com capacidade para receber grandes públicos. Sobre fornecedores, a cidade tem condições de oferecer todos os serviços, produtos e equipamentos necessários”, avalia o chefe do Departamento de Turismo da UFJF, Marcelo do Carmo.

O especialista destaca a localização e o acesso, os preços, a variedade de serviços e equipamentos turísticos, e a mobilidade urbana como vantagens. “Estamos localizados no eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte, e contamos com boas estradas de acesso, muitas linhas de ônibus interestaduais e aeroporto”, pontua. “Também temos preços convidativos no que diz respeito à estrutura de turismo, como hospedagem e alimentação, e a própria organização de eventos.”

Na avaliação da presidente do Juiz de Fora e Região Convention Visitors Bureau, Thaís Lima, a infraestrutura tem se diversificado nos últimos anos. “Juiz de Fora está cada dia mais completa e diversa, com qualidade e variedade. Um bom exemplo foi o crescimento do número de espaço para eventos.”

Destaque

O presidente do Sindicato das Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras, Congressos e Eventos de Minas Gerais (Sindiprom), Bruno Bechaelany, elogia o mercado de eventos juiz-forano. Em março, ele esteve na cidade para organizar a16ª edição da Conferência da Advocacia Mineira, o maior evento jurídico do estado. “Nos surpreendemos com a capacidade local em termos de rede hoteleira, que absorveu muito bem uma grande demanda. O pessoal que atua no setor é muito qualificado, e há preparo para receber eventos técnico-científicos”, analisa.
“É uma pena que o Expominas ainda esteja um pouco de lado, este é o ponto fora da curva que percebemos. Mas, com certeza, queremos realizar novos eventos em Juiz de Fora que, além de infraestrutura, oferece lazer como poucas cidades do país para os turistas como bares, boates e casas de eventos.” Em entrevista concedida à Tribuna durante a conferência, que teve um público de 3.300 pessoas, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no estado, Antônio Fabrício, afirmou que a escolha pela realização em Juiz de Fora se deu pela “infraestrutura oferecida para abrigar o evento”.

Ausência de dados dificulta planejamento

Apesar da percepção de expansão e diversificação do setor de eventos, a falta de pesquisas regulares e dados locais prejudicam uma análise concreta. “Isto também cria uma dificuldade para conseguirmos verbas para os eventos maiores, pois não temos números para dimensionar a importância do turismo de eventos para a cidade”, afirma a presidente do Juiz de Fora e Região Convention Visitors Bureau, Thaís Lima. “É necessário um maior trabalho conjunto entre a população, o setor público e o privado. Eventos não se realizam sozinhos, dependem de inúmeros atores para garantir qualidade e sucesso. O nosso maior desafio está no funcionamento de um trabalho em rede.”
O chefe do departamento de Turismo da UFJF, Marcelo do Carmo, enumera outras carências. “Faltam parcerias público-privadas bem elaboradas, e a priorização da atividade turística como vetor de desenvolvimento econômico e inclusão social. Também é importante uma maior e melhor comercialização de Juiz de Fora como destino turístico.” Ele também defende a elaboração do plano de turismo e políticas públicas para o setor, uma maior aproximação com o Corpo de Bombeiros para o melhor cumprimento de normas de seguranças em eventos, além da implantação e manutenção de pesquisas sobre a demanda turística que a cidade recebe.

Na avaliação do assessor da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (Sedettur) da Prefeitura, Marcos Henrique Miranda, um dos principais desafios para a cidade “é transformar toda a potencialidade do destino em produtos, o que compete também à iniciativa privada. Ao setor público cabe à regulação, apoio e suporte à atividade, melhorando o ambiente de negócios, trazendo mais agilidade e segurança jurídica aos investidores”.

Potencial turístico ainda é pouco explorado

Apesar do crescente interesse do público externo em realizar eventos na cidade, ainda são poucas as atrações que atraem pessoas de fora. “O maior percentual dos eventos é destinado ao público local. Ainda são poucos os de maior envergadura, que têm o poder de atrair turistas”, analisa o chefe do Departamento de Turismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UJFJ), Marcelo do Carmo.

“Os eventos sociais, como formaturas e casamentos, são realizados em maior quantidade. A cidade também sedia muitos eventos científicos e institucionais. Muitas vezes, são edições de pequeno porte, mas, independente do tamanho, são essenciais para movimentação da economia local”, explica a presidente do Juiz de Fora e Região Convention Visitors Bureau, Thaís Lima.

Os especialistas destacam a importância econômica do turismo de eventos. “A movimentação financeira gerada pela atividade impacta o setor de alimentação fora do lar, hospedagem e mobilidade urbana, e também gera reflexos no aumento do volume do comércio”, avalia Marcelo. “Essa movimentação na economia gera emprego e renda que se configura em uma fonte essencial para o desenvolvimento local”, completa Thaís.

O assessor da Sedettur, Marcos Henrique Miranda, destaca que os eventos permitem uma demanda contínua. “O segmento permite o fluxo de visitantes durante todo o ano, evitando a sazonalidade, como acontece em destinos de sol e mar, por exemplo. Pesquisas mostram que um turista de eventos de negócios gasta até três vezes mais do que o turista de lazer.” Ele destaca que a pasta, em parceria com o Juiz de Fora e Região Convention & Visitors Bureau, está finalizando um calendário local unificado de eventos, coma proposta de ” facilitar a realização de ações conjuntas do trade turístico”. Neste sentido, ele também cita as iniciativas da criação do Programa de Fomento a Projetos Turísticos, que define critérios para a aplicação de recursos municipais no apoio financeiro e/ou institucional a projetos com foco em turismo, e do Portal do Turismo de Juiz de Fora (www.portaldoturismo.mg.gov.br). “



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