Herança mineira
Do encontro de amigos encabeçado por Milton Nascimento e pelos irmãos Borges, na Belo Horizonte dos anos 1960, surgiu o lendário álbum que marcou a entrada mineira na cena nacional fonográfica. A sonoridade obtida, o alto padrão de elaboração e a originalidade das composições e arranjos fizeram de "Clube da Esquina" um dos discos antológicos da MPB. Quarenta anos após o lançamento, as canções executadas pela constelação de instrumentistas e compositores, no charmoso Bairro de Santa Teresa, foram lembradas pela primeira turma da Universidade de Música Popular (Bituca), ao redor das mesas do Bar do Abílio. O encontro foi apenas um dos ensaios para a homenagem "Ao que vai nascer: Clube da Esquina nº1", show que acontece nesta quinta, às 20h, no Pró-Música.
Durante cerca de 90 minutos, Carlos Fernando Cunha, Sandra Portella, Gisa Stenner, Pedrita Reis, Valéria Bortz, Marcelo Carvalho, Ciro Canton, Fábio Sena e Leandro Damásio darão voz às 21 faixas do projeto, acompanhados pela banda formada por Amanda Martins (flauta), Gladston Vieira (bateria), André Mendes (percussão), Lucas Soares (violão e guitarra), Daniel Lovisi (violão), Adalberto Silva (baixo), Pitágoras Silveira (piano), Breno Mendonça (sax), Ícaro Rodrigues (sax) e Wendell Henriques (sax). Todos colegas de Bituca – escola que, não por acaso, leva o apelido de um dos maiores nomes da música brasileira – e fãs incondicionais da obra em questão.
Segundo o vocalista Carlos Fernando, às composições como "Paisagem na janela", "Nuvem cigana" e "Me deixa em paz", somam-se trechos de poesia e pequenos textos assinados pela turma do Clube. "Ao que vai nascer" é o nome de uma das músicas escaladas. "Nossa intenção é fazer uma homenagem a esse trabalho que revolucionou a música brasileira. Olhar para o passado, mas, ao mesmo tempo, pensar no presente e no futuro, naqueles que ainda estão por vir e terão essa herança para continuar cultuando", explica Carlos Fernando, carioca radicado em Juiz de Fora há 12 anos.
"A música mineira é resultado de uma junção de sonoridades, com influências da Europa, como da música espanhola, da América do Sul, além de suas raízes barrocas e da MPB dos anos 40 e 50. Esse caldo musical e cultural faz com que ela seja diferente", avalia o vocalista, que também atua como diretor geral do espetáculo. Daniel Lovisi, Lucas Soares e Pitágoras Silveira assumem a direção musical. A trupe desenvolve a ideia de levar o show para outras cidades mineiras e, ainda, disputar recursos na Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
AO QUE VAI NASCER: CLUBE DA ESQUINA Nº1
Quinta, às 20h
Pró-Música (Avenida Rio Branco 2.329)









