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A música volta para julho

Collegium Musicum Den Haag, da Holanda, abre o festival Falta pouco para as ruas de Juiz de Fora voltarem a respirar música. Como já é tradicional por aqui, durante o Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, é muito comum, ao dobrar uma esquina, o passante se deparar com instrumentos de época. O clima, […]

Por MARISA LOURES

30/06/2016 às 07h00- Atualizada 30/06/2016 às 08h34

Collegium Musicum Den Haag, da Holanda, abre o festival

Collegium Musicum Den Haag, da Holanda, abre o festival

Falta pouco para as ruas de Juiz de Fora voltarem a respirar música. Como já é tradicional por aqui, durante o Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, é muito comum, ao dobrar uma esquina, o passante se deparar com instrumentos de época. O clima, muito charmoso por sinal, volta a tomar conta da cidade a partir do dia 21 de julho, com o já esperado XI Encontro de Musicologia Histórica – Do colonial à Belle Époque. Com realização do Centro Cultural Pró-Música da UFJF, o festival segue até o dia 31. Os recitais começam no dia 24, com nomes nacionais e internacionais. Este ano, a programação chega ao Campus avançado de Governador Valadares.

A principal atração vem da Holanda – a Collegium Musicum Den Haag -, trazendo um repertório inteiramente dedicado à música barroca europeia. Com a regência do ítalo-brasileiro Claudio Ribeiro, o grupo, criado em 2006, abre o evento, no dia 24, às 20h, no Central, e participa de concertos de câmara ao longo da programação. Ainda entre os destaques estão o Coro de Câmera Pro-Arte, do Rio de Janeiro, em apresentação que comemora seus 40 anos de atividades, e o músico Pedro Persone, em um concerto-solo de fortepiano – o piano histórico.

Para o encerramento, está sendo aguardado Marcelo Fagerlande. Considerado um dos maiores cravistas do país, ele vem acompanhado por um seleto trio de instrumentistas e os cantores Marilia Vargas e Marcelo Coutinho. O espetáculo terá “As quatro estações”, do compositor francês Joseph Boismortier, e ambientação de vídeo. Já a lista com nomes da terra inclui o Coral Pró-Música e a Orquestra Sinfônica Pró-Música.

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Com a proposta de estimular a pesquisa, o evento abarca mais uma edição do Encontro de Musicologia Histórica, promovido nos dias 21 e 22. Aliás, quem espera com muita ansiedade pelo festival são os músicos e estudantes, que têm a oportunidade de participar de oficinas de instrumentos antigos e canto, dança barroca e educação musical. Entre os cursos oferecidos, com destaque para o fortepiano, ministrado por Pedro Persone, estão os de violino barroco, violoncelo barroco, viola da gamba, flauta doce, instrumentos históricos de cordas dedilhadas e cravo.

Dificuldade x qualidade

concertos
O ano de 2015 não foi fácil para a história do Festival de Música Antiga de Juiz de Fora. Depois de muitos contratempos, a 26ª edição foi realizada em um formato menor em novembro. Sua volta para julho é a principal conquista de 2016, conforme aponta Marcus Medeiros, supervisor do Pró-Música. “Nosso objetivo sempre foi mantê-lo em julho, como acontece todo ano, porque é tradicional e é um mês de férias, que possibilita a participação dos juiz-foranos e dos visitantes”, afirma Medeiros, ressaltando que, este ano, a dificuldade foi obter patrocínio.

“O festival conseguia recursos através da Lei de Incentivo do Estado, nossa principal patrocinadora era a Petrobras, e as inscrições da lei foram abertas somente agora. Esse ano foi difícil também por conta de toda a crise e dos escândalos da Lei Rouanet. A universidade tem uma estrutura burocrática própria para o ensino e não para fazer um festival. Dessa forma, precisa de complementação financeira para a realização do evento. A instituição está fazendo um esforço gigantesco para concluí-lo.”

De acordo com o supervisor, a configuração atual não implica em perda de qualidade. “O festival é reconhecido justamente por ser dedicado à música colonial brasileira e música antiga. Trabalhamos numa perspectiva artística com cortes de tudo aquilo que não era relacionado a esse contexto, mas a qualidade está preservada com o alto nível dos convidados”, garante. “A Collegium Musicum Den Haag, por exemplo, é composta por músicos renomados, os membros integram orquestras de outros grupos que são autoridade no ramo.”

Sobre os locais dos concertos, Medeiros diz que ainda pode haver mudanças. “Estamos tentando levar para os músicos a realidades dos nossos espaços. Nosso objetivo é dar a eles e ao público o que eles merecem”, assevera ele, comentando que existe a intenção de fazer o festival chegar a outros pontos. “Já que a universidade faz um evento desse tamanho, decidimos incluir Governador Valadares, que também é nossa casa. Estamos começando lá com uma oficina e com uma apresentação do Coro Pró-Música. Nossa ideia é continuar esse movimento de ampliação dos braços do festival , levando-o para nossas cidades vizinhas.”

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