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Alles Club lança o EP “Emballage”

Trabalho chega às plataformas de streaming nesta quinta-feira com versões de canções de artistas como Cocteau Twins, Erik Satie e Guns N’ Roses


Por Júlio Black

29/04/2021 às 07h00

Versão gravada para tributo ao Guns N’ Roses foi o ponto de partida para a Alles Club produzir EP com versões de outros artistas (Fotos: Julia Gaione e Baapz/Divulgação)

Enquanto o próximo álbum não chega, a Alles Club faz a alegria dos fãs com um trabalho que deixa canções de outros artistas com a cara da banda. O sexteto formado pelo guitarrista Rodrigo Lopes, a violoncelista e cantora Nina Hübscher, a cantora Stéphanie Fernandes, o guitarrista Ruan Lustosa, o baixista Pedro Baptista (Baapz) e o baterista Fred Mendes lança nesta quinta-feira (29) nas plataformas de streaming o EP “Emballage”, com cinco músicas que recriam por meio da música clássica, dream pop, shoegaze e hard rock uma seleção de artistas que provavelmente jamais se encontrariam numa mesa de bar para trocar ideias musicais.

O novo projeto da banda reinventa as músicas “Gnossienne No. 1” (Erik Satie), “Cherry-Coloured Funk” (Cocteau Twins), “Luka” (Suzanne Vega), “Rocket Queen” (Guns N’ Roses) e “Space Song” (Beach House). O EP foi produzido pela banda no esquema de ponte aérea virtual Juiz de Fora-Berna (Suíça), onde se encontram Rodrigo e Nina, com as gravações rolando nos estúdios Graminha, Mansarde, Nooa e Mixirica Recs.

Rodrigo Lopes conta que o embrião de “Emballage” veio do inusitado convite para participar, em 2017, de um tributo que comemorava os 30 anos de lançamento do álbum “Appetite for Destruction”, do Guns N’ Roses, do qual também participaram os conterrâneos Martiataka (com “Anything goes”) e Marcelo Callado (“Think about you”).

“A gente escolheu ‘Rocket Queen’, que encerra o álbum e era uma das únicas músicas do disco que conseguimos imaginar uma versão melódica e melancólica. A outra era ‘Nightrain’, mas logo descobrimos que já tinha sido eleita por uma outra banda. Apesar de inicialmente céticos, acabamos gostando muito do resultado final, que é a nossa versão bastante sonolenta e sonhadora. Mais do que do resultado, a gente curtiu o processo de fazer a nossa versão de uma composição. Foi um ótimo exercício musical em que sentimos muita liberdade de experimentar”, conta.

“Quando nos demos conta que havia uma outra desconstrução que nunca havia sido lançada (‘Luka’, de Suzanne Vega), pensamos em outras músicas que gostaríamos de fazer. Assim, foram surgindo as outras três músicas”, prossegue, explicando como terminaram de fechar o repertório. “Além de ‘Luka’, ‘Cherry-Coloured Funk’ e ‘Space Song” são músicas de que gostamos muito e sempre estiveram presentes em nossas vidas.”

A quinta música escolhida para o EP é a que abre o trabalho e não fazia parte da audição constante da banda. “‘Gnossienne No. 1’ foi o Baapz que escolheu, inicialmente para uma trilha sonora que ele estava fazendo, mas acabou não entrando. Ele mandou uma primeira demo com guitarra, baixo e uma batida eletrônica, e eu fiz o arranjo para violoncelo e outras guitarras. Eu ouço muito post-rock e quis levar um pouco para esse terreno. Fui muito inspirado pela banda japonesa Mono, que faz post-rock com muita influência da música clássica. Depois o Pedro fez mais arranjos, inclusive do glockenspiel. Essa foi a primeira música que produzimos de maneira completamente remota, e a voz de criança é da minha filha Filipa, que invadiu nosso estúdio enquanto eu gravava o violoncelo da Nina.”

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Entre continentes

Mister Lopes e Nina haviam mudado para a Suíça antes do início da pandemia, mas deixaram projetos inacabados com os outros integrantes, já com a ideia de trabalharem à distância. “Eu estou acostumado a trabalhar à distância pelo meu trabalho como pesquisador, e acabamos achando o nosso método usando as tecnologias em 2019. A pandemia atrapalhou no sentido de que era esperado que Nina e eu fôssemos ao Brasil de vez em quando para fazer turnês e gravações, mas acabou sendo um trabalho radicalmente à distância”, conta, acrescentando que os encontros presenciais entre a turma de JF foram bem esporádicos.

“As únicas vezes em que houve encontro de pelo menos dois membros da banda foi quando o Fred foi gravar a bateria e o Ruan e a Stéphanie foram gravar vozes e guitarras no Mixirica Recs, estúdio do Baapz. O resto que foi gravado durante a pandemia foi em nossas casas, exceto a bateria de ‘Luka’, gravada pelo Braulio Almeida no Estúdio Nooa, no Rio.

Além do EP, a Alles Club havia lançado no último dia 15, no canal da banda no YouTube, o videoclipe de “Gnossienne No. 1”, dirigido por Francisco Franco. O trabalho audiovisual teve como ponto de partida ideias propostas por Lopes, às quais Francisco adicionou influências de filmes como “The Chase” (Arthur Penn) e “Trash Humpers” (Harmony Korine) e videoclipes de Madonna. Já a roteirista e cineasta Bruna Schelb se inspirou no tom de estranheza que sente com as composições de Satie, além de uma referencia a um de seus próprios filmes, ao incluir no roteiro um personagem cavando um buraco.

Animados com o resultado do videoclipe, a Alles Club decidiu fazer mais um para divulgar “Emballage”, além de outras ideias para o audiovisual. “O Pablo Pessanha, da Necessaire, e o Nickolas Garcia estão preparando um videoclipe para ‘Cherry-Coloured Funk’, que vai ser lançado até o final de junho. Depois do EP, tem uma outra música de nossa autoria, inédita, que ganhará clipe do Leo Ribeiro, um animador muito influente de Juiz de Fora, que hoje mora na Noruega. Também estamos preparando um outro clipe para um lançamento futuro com as talentosas Luiza Reis e Janis Blá.”

Quanto a um novo álbum de inéditas, só ano que vem. “Vai ser lançado no primeiro semestre de 2022. É um projeto bem ousado conceitualmente, estamos chamando de ‘Disco do luto’. As oito músicas já estão compostas e estruturadas, e estamos trabalhando nos arranjos. Paramos um pouco por causa desse EP de covers, mas em breve retomamos”, diz, antecipando o que o público poderá esperar do trabalho.

“Ele tem composições do Ruan e do Baapz, o que é uma novidade, pois ‘Décollage’ (álbum de estreia, de 2018) foi composto antes deles entrarem na banda. Uma outra novidade é que nesse disco todas as músicas são instrumentais. A única que tem vocal não tem letra, e a voz funciona mais como um instrumento. Também experimentamos outros instrumentos, como um sintetizador analógico, tabla, vibrafone e sax, que o Baapz aprendeu a tocar super-rápido e bem, mas temos que segurar o menino para não colocar sax no disco todo (risos).”

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