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Diálogo com Brasília

Prédio fica ao lado do Mamm, no Centro Idealizado e aprovado pelo próprio patrono, o Memorial da República Presidente Itamar Franco está prestes a se tornar realidade em Juiz de Fora. Ao passar pela Rua Benjamin Constant, é possível ver o prédio que está sendo erguido ao lado do Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm). […]

Por MARISA LOURES

28/04/2013 às 07h00

Prédio fica ao lado do Mamm, no Centro

Prédio fica ao lado do Mamm, no Centro

Idealizado e aprovado pelo próprio patrono, o Memorial da República Presidente Itamar Franco está prestes a se tornar realidade em Juiz de Fora. Ao passar pela Rua Benjamin Constant, é possível ver o prédio que está sendo erguido ao lado do Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm). Estamos com 70% concluído. Agora entramos na fase de acabamento, diz Paschoal Tonelli, pró-reitor de Infraestrutura da Universidade Federal de Juiz de Fora. Em entrevista à Tribuna em dezembro de 2012, o reitor Henrique Duque anunciou que a finalização da obra é esperada para agosto de 2013. Contudo, uma placa afixada no local informa que os trabalhos, iniciados em fevereiro de 2012, já deveriam estar prontos, pois a previsão era outubro do mesmo ano. Tivemos que mudar o tipo de fundação, que antes era de estaca cravada, para não abalar as edificações das imediações, e isso gerou um pequeno atraso, mas estamos concentrando nossos esforços para entregar em 28 de junho de 2013, garante o pró-reitor de Infraestrutura.

Tonelli ainda conta que a obra está orçada em R$ 3.435,994, sendo que o montante inicial era de R$ 3.005.824,74. Além da alteração da fundação, a execução de uma pavimentação não prevista, mudança do projeto da escada para facilitar o acesso e troca do piso que revestiria as varandas e a rampa, são os responsáveis pelo acréscimo. Na visão de Gerson Guedes, Pró-reitor de Cultura, tudo está sendo feito num tempo bastante razoável dada a importância do espaço. Queríamos muito inaugurar na data em que Itamar completaria 83 anos (28 de junho), mas não adianta correr nesta fase final. Abrir um museu sem a formatação adequada pode incorrer em erro, prejudicando o público, defende Guedes, acrescentando que o próximo passo é a contratação de um profissional para cuidar do projeto museográfico.

Sobriedade, austeridade, simplicidade e transparência. De acordo com o arquiteto Rogério Mascarenhas, convidado por Itamar para traçar o projeto do memorial, essas são as quatro palavras que caracterizam a arquitetura do local, planejado de forma que lembre as construções de Brasília. Foram marcas bem fortes dele como homem público, e é isso que eu queria transmitir, justifica. Assim como no Palácio do Planalto, uma rampa passará por cima de um espelho d’água, dando acesso ao primeiro andar, onde ainda estão previstos uma área administrativa, almoxarifado, copa, hall de circulação, banheiros para funcionários e visitantes, além de elevador, escada e jardim seco. As paredes, que não tocam nem o chão nem o teto, dão a impressão de estarem flutuando, proporcionando leveza à construção, conforme aponta o arquiteto. Colunas redondas sustentam o segundo pavimento, que vai abrigar um espaço para mostras temporárias de artistas locais, o gabinete do presidente, varandas e banheiros. Nos fundos, uma passarela dará acesso a um anexo, que vai servir para pesquisas e reserva técnica. Um estacionamento com 20 vagas também faz parte dos planos.

Mascarenhas quis criar uma proposta que não destoasse da arquitetura modernista do Mamm, assinada por Décio Bracher. Segundo ele, apesar de ser contemporâneo, o prédio apresenta elementos, como linhas verticais e horizontais, que comungam com o museu de arte. Até mesmo as duas primeiras lajes são alinhadas compondo um conjunto arquitetônico. A fachada toda de vidro não só favorecerá a iluminação, como também proporcionará amplitude ao ambiente. Com olhar mais atento, é possível perceber que, em vez de reta, a frente é curvilínea.

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Quis dar ideia de movimento e representar um país que só descia ladeira abaixo, mas que, a partir da administração dele, começou a subir, diz Mascarenhas, adiantando que a incidência de raios solares sobre o acervo foi levantada. O sol nunca reflete diretamente do Sul. Como o terreno tinha orientação exatamente para essa direção, pude abusar dos vidros, explica. Quem passar pelo passeio não vai se sentir constrangido a entrar, pois, da rua, consegue ver a mostra. A rampa facilita o acesso, e a transparência do local é um atrativo, acrescenta Gerson Guedes.

A proximidade com o Mamm vai favorecer a visitação, visualiza o pró-reitor de Cultura. Embora o espaço não abrigue anfiteatro, ele diz que não está descartada a possibilidade de ali haver apresentações musicais e outras formas de manifestações artísticas. Vamos dar o mesmo norte que escolhemos para o Mamm. A intenção é que o público escolar, que hoje está frequentando o museu, passe também por lá. A história do presidente se confunde com a história do país. Por isso, prevemos mostra de artistas que tenham trabalhos relacionados com o período da República e vamos estudar a realização de performances, já que o espaço é bem amplo.

Gerson Guedes adianta que, inicialmente, o memorial estará diretamente ligado a seu gabinete e que ainda é cedo para falar de possíveis nomes que ocuparão a direção. Qualquer decisão depende do fim da obra. O que já está certo é que a secretária que acompanhou Itamar durante 40 anos, Neusa Mitterhoff, e que foi responsável por guardar todos os pertences do acervo que hoje compõe o Instituto Presidente Itamar Franco, localizado no Museu de Crédito Real, estará à frente dos trabalhos, pelo menos, durante um tempo. Com a obra ficando pronta, o mais difícil vai ser a organização do espaço, aposta Neusa. Em vida, o próprio presidente manteve financeiramente sua memória, que atualmente recebe auxílio da Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais. Com a abertura do memorial, as despesas ficarão a cargo da UFJF.

Linha do tempo: dos primeiros anos à vida pública

Um busto do presidente, esculpido em bronze pelo artista plástico carioca Mário Pitanguy, dará as boas-vindas ao visitante na entrada do memorial. Outra réplica está exposta no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro. A terceira será alocada num ponto ainda não divulgado da Av. Presidente Itamar Franco, antiga Av.Independência. O acervo que será transferido para o novo espaço é constituído por uma biblioteca com dez mil livros de assuntos que vão da política à literatura, todos catalogados em parceria com a UFJF, 800 mil correspondências populares, cerca de oito mil fotografias, 200 quadros, canetas, condecorações, além de objetos que Itamar recebeu de presente durante os anos em que ocupou os cargos políticos.

Um grande painel com fotos e textos, produzidos por Neusa e o historiador Roberto Dilly, vai abrigar toda a linha do tempo de Itamar dividida em períodos, a começar pelos seus primeiros anos de vida. Neusa destaca o espaço intitulado Itamar e os esportes, onde uma cesta de basquete e um vídeo do presidente fazendo uma cesta perpetuará uma atividade que o político tanto gostava. As mais de 500 charges colecionadas por ele serão expostas, acompanhadas de uma tela de touch screen (sensível ao toque).

A secretária conta que, na sala onde os móveis do gabinete ficarão dispostos, os livros de engenharia, seus favoritos, estarão guardados como ele mesmo deixou. A mesa redonda utilizada para tomadas de grandes decisões e onde foi assinado o projeto do memorial também ocupará lugar de destaque. Foi ali que ele, como engenheiro, aprovou a planta. Ele fez questão de ver e participar de tudo, só não pôde acompanhar o início das obras, lamenta Neusa. Quanto a essas publicações, foram nelas que ele estudou. Elas não ficarão disponíveis para consulta, comenta.

Uma das principais atrações vai ser a exibição do Fusca branco, adquirido em 1993, época em que Itamar relançou o veículo popular. Na área reservada para o período em que foi prefeito, fotografias mostram um Itamar ainda jovem e ilustram medidas importantes para o município, como a chegada de materiais para a construção da segunda adutora que garantiu o abastecimento de água para a cidade, no ano de 1970, e a abertura da Garganta do Dilermando, em 1967. A preocupação dele era com quem ficaria esse acervo. Só ficou tranquilo depois que conversou com o reitor Henrique Duque. A história de Itamar tem que ficar em Juiz de Fora. É o cumprimento de um desejo dele, atesta Neusa.



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