Marcos Petrillo, produtor do primeiro Festival de Rock de Juiz de Fora, deixa legado na cena cultural da região
Produtor cultural morreu no domingo, em Palma, e é lembrado por amigos como um dos nomes que ajudaram a projetar Juiz de Fora na rota dos grandes shows

“Um cara extraordinário.” É assim que Fábio Ribeiro define seu amigo, Marcos Petrillo, 67 anos, que morreu no último domingo (26), em Palma, sua cidade natal, a 146 quilômetros de Juiz de Fora. Eles foram os responsáveis pela produção do Primeiro Festival de Rock de Juiz de Fora, que aconteceu em 13 de agosto de 1983, no Sport. Um marco cultural da cidade, que se firmou na rota dos grandes shows, recebendo artistas no auge da carreira. Fábio conversou com a Tribuna logo após o enterro, que aconteceu na manhã desta segunda-feira (27), e as memórias de tudo o que Petrillo fez tanto por Palma quanto por Juiz de Fora estavam frescas – isso porque todo mundo que foi se despedir do produtor tinha uma lembrança boa para contar, sobretudo de seus feitos grandiosos, principalmente para a época.
Logo na última sexta, Fábio conta que veio à cabeça a frase que dá nome à canção “Adeus, cinco letras que choram”. E logo ele pensou: “Amigo, cinco letras que festejam”. E esse pode ser o resumo desse momento para ele, que lamenta profundamente a morte, mas festeja cada momento que viveram. E foram muitos, como narra. Desde o primeiro jornal feito por Petrillo, ainda em Palma, que se chamava “O Despertador”, e que noticiava o que precisava mudar na cidade, até a Revista Bizzu, que se dedicava essencialmente à arte e à música.
Ainda em Palma, Petrillo realizou seu primeiro festival, em 1980. Nesse, inclusive, Rogério Skylab ficou em primeiro lugar. Já em Juiz de Fora, foi a partir da Bizzu que aconteceu o grande evento. Fábio lembra que a ideia partiu do amigo em um dia regado de “nãos”, quando estavam em busca de patrocínio para a revista. Em um momento, Petrillo lembrou de um show dos Menudos, que estavam lotando estádios, e pensou que era a hora de realizar isso em Juiz de Fora. “E era sempre assim, do nada”, lembra Fábio.
Essa sua visão e seu amor pelo rock fizeram com que ele tivesse momentos marcantes. Um deles foi quando Roberto Medina chamou Petrillo para conhecer um dos criadores do Festival Woodstock, que estava no Rio de Janeiro. Outro foi quando conseguiu entrevistar Jimmy Page e Robert Plant, da banda Led Zeppelin. Quem conta tudo isso, e com orgulho, é Fábio, que parece ter vivido cada episódio desse. Seus olhos agora eternizam esses momentos.
Homenagem em vida
Ele ainda conta que seu grande desejo era ter homenageado Petrillo em vida. Kitty Kiffer e Alex Moura Aguiar fizeram isso com o documentário “Qual é o Bizzu? Marcos Petrillo e a cena rock nos anos 80”. A jornalista Kitty conta que, inclusive, esteve no Primeiro Festival de Rock, com 12 anos. Mas a ideia de produzir um documentário sobre Petrillo partiu de Alex.
Nesse processo, ela acabou se reconectando com a cena cultural de Juiz de Fora e até com os artistas que estiveram na cidade por causa das produções de Petrillo. “As coisas foram fluindo e tomando uma proporção gigantesca. Cada depoimento que chegava, enviado pelo celular, eu chorava de emoção.” E isso se intensificou quando eles encontraram o homenageado e entenderam que tudo deveria acontecer de forma rápida, para que ele conseguisse ter acesso ao material.
Com tudo pronto, a equipe conseguiu realizar uma sessão em Palma, com o apoio de uma vaquinha e da Prefeitura da cidade. “Conseguimos realizar essa homenagem em vida – como sempre foi o nosso desejo. Quem esteve lá naquela noite viu o quanto foi emocionante para ele e sua família. Noite de aplausos e muito choro. Petrillo finalmente pode ver sua trajetória ali na telona, contada por tantos amigos de toda a vida na produção cultural, e se emocionou profundamente.”
Agora, Kitty quer lançar o filme, que já ganhou duas sessões em Juiz de Fora, no Primeiro Plano e no Mercado Municipal. Para ampliar o alcance, ela está em busca de financiamento e parceiros que possibilitem realizar o restauro de imagens, tratamento de acervo, licenciamento musical e circulação da obra. “‘Qual é o Bizzu?’ não é apenas um registro de uma fase muito criativa e divertida que foram os anos 80. Contar a história de Marcos Petrillo é permitir que as novas gerações, especialmente os jovens produtores de todo o Brasil, conheçam um precursor que movimentou a cena com pioneirismo. A atuação brilhante, ousada e corajosa do Marcos Petrillo, que ajudou a consolidar ainda mais Juiz de Fora como polo cultural na região.”
Outras homenagens
Outras homenagens ainda devem acontecer. Petrillo tem muitas fotos desses seus momentos históricos, e a vontade é realizar uma exposição para que todas as pessoas interessadas tenham acesso a esse material – e ele mesmo queria ter feito isso e, agora, seus amigos ficam com essa missão. Outra ideia que surgiu, como conta Fábio, é realizar um festival de rock em Palma, preferencialmente no dia de seu aniversário, 8 de abril. A ideia ainda está em desenvolvimento, e Fábio quer ajudar a fazer acontecer.









