Marcos Petrillo, nome importante da cena musical de Juiz de Fora, morre aos 67 anos
Produtor cultural organizou festival de rock antes da primeira edição do Rock in Rio e ajudou a projetar artistas e eventos ligados à música autoral
Marcos Petrillo, produtor cultural, escritor e pesquisador de música popular brasileira, morreu no domingo (26), em Palma, sua cidade natal, localizada a 146 quilômetros de Juiz de Fora. Ele tinha 67 anos. A causa da morte não havia sido divulgada até a publicação desta matéria. Marcos deixa as filhas Débora e Juliana, além de três netos.
Reconhecido por sua atuação na cena musical de Juiz de Fora a partir da década de 1980, Marcos foi o responsável por organizar o Festival de Rock, cuja primeira edição, em 1983, reuniu nomes como Raul Seixas, Erasmo Carlos, Lobão, Rogério Skylab, Beatles Forever, Barão Vermelho e Sangue da Cidade, no campo do Sport. O evento atraiu entre 10 mil e 12 mil pessoas e ocorreu antes mesmo da primeira edição do Rock in Rio, realizada dois anos depois.
Segundo o Dicionário Cravo Albin Da Música Popular Brasileira, ele organizou mais cinco edições: com Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Celso Blues Boy, Lobão e Léo Jaime (1985); Cazuza, Camisa de Vênus, Ira!, Lobão, Zero e De Falla (1986), Picassos Falsos, Inimigos do Rei, Barão Vermelho e Nabby Clifford (1989) e Barão Vermelho, Ratos de Porão, Virna Lisi, Second Come e Big Allanbik, no ano de 1993.
“Em 1990, ao lado de Elias Nogueira, foi o fundador e editor do tablóide International Magazine, publicação especializada em música”, continua o dicionário. “No ano de 1997 publicou, pela Editora Gryphus, o livro ‘Entrevistas: International Magazine’, no qual foram compiladas algumas das principais entrevistas, entre as quais as de Renato Russo, Gilberto Gil, Ivan Lins, Milton Nascimento, Yoko Ono, Rita Lee, George Martin, Lobão, João Barone, Kid Abelha, Roberto Frejat, Paulo Ricardo, Erasmo Carlos, Jorge Mautner, Robertinho de Recife e Lou Reed.”
A atuação de Marcos também ultrapassou Juiz de Fora. No Espírito Santo, ele foi o realizador da 1ª Feira Pop de Aracruz do Coqueiral, que contou com apresentações de Os Paralamas do Sucesso, Herva Doce, A Cor do Som, Sangue da Cidade e Robertinho de Recife, entre outros artistas.
A Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) publicou uma nota em que afirma que “a cultura de Juiz de Fora se despede de um de seus grandes nomes”. “Marcos Petrillo foi figura fundamental para a consolidação da cena rock na cidade, especialmente a partir da década de 1980. Visionário, esteve à frente da produção de festivais que marcaram época e ajudaram a construir caminhos para a música autoral local, antes mesmo da popularização de grandes eventos do gênero no país.”
“Sua trajetória foi reconhecida em vida”, segue a nota, “inclusive com a produção de um documentário em sua homenagem, evidenciando a importância de sua contribuição para a cultura”. “A Funalfa manifesta seu pesar pela perda e se solidariza com familiares, amigos e todos que foram tocados por sua história. Marcos Petrillo deixa um legado que seguirá ecoando na memória e na música de Juiz de Fora.”
Rogério Skylab publicou que Petrillo era um “querido amigo”. “Quero trazer na memória a sua força e a sua luta em produzir festivais de música (era a sua obsessão) e fanzines. Como esquecer o Bizu e, depois, o International Magazine, que o Marcelo Fróes acabou herdando? Como esquecer o Festival de Rock de 1983 em Juiz de Fora? Minha querida Maria Juçá deve se lembrar bem desse festival. Tenho a impressão que, num determinado momento da minha vida, só o Marcos acreditava na minha música. Nem eu mesmo acreditava. Tanto que o meu primeiro disco, Fora da Grei, foi ideia dele. Quando nossos amigos se vão, um pouco da gente se vai também.”
O amigo, Toninho Buda, disse que Marcos era “despojado, corajoso, sem escritório e sem telefone, mas fazia acontecer”.
A irmã, Maria das Graças de Paula Lima, destacou que Marcos “ficou 20 anos convivendo com um problema de saúde e não reclamava nunca”. “Hoje , com certeza, ele se libertou para novos voos. O rockeiro partiu”.
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