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Dos videoclipes ao cinema


Por MÁRCIO CORINO

26/09/2012 às 07h00

Mineira de Juiz de Fora, nascida em 1964, ano em que o país dava os primeiros passos rumo ao seu período mais triste e obscuro, Juliana Simões de Carvalho destaca-se hoje no cenário da produção cinematográfica brasileira. Proprietária da produtora Bang Filmes, com sede no Rio de Janeiro, a ex-aluna da Faculdade de Comunicação da UFJF coleciona alguns trabalhos de destaque no cinema nacional. O mais recente, "O diário de Tati", protagonizado por Heloisa Périssé, pode ser conferido nos cinemas da cidade.

Após cursar três períodos de história, Juliana optou pela comunicação, e foi aí que nasceu sua paixão pelo cinema. "Na época, anos 80, não sei quando exatamente, acontecia no Brasil uma descoberta do vídeo. Paralelamente ao rock nacional, crescia a linguagem dos videoclipes e curtas experimentais. Formamos, na faculdade, uma turma muito interessada em trabalhar com essa nova linguagem de imagens: Xanxão Alvarenga, José Santos, Lô Camposine, Jeanne Peduzzi e Vanessa Esteves. A falta de estrutura daquele tempo acabou por nos deixar livres para criarmos os próprios caminhos e discutirmos as novidades chegadas de São Paulo. As aulas eram grandes bate-papos com alguns experimentos com uma câmera VHS."

Juliana mudou-se para o Rio de Janeiro com a idéia de ser independente e ter o próprio negócio. Quando finalizou o filme "O Menino Maluquinho", de Helvécio Ratón, seu primeiro trabalho como produtora executiva, a juizforana decidiu que era hora de fazer seus próprios projetos e abriu a Bang Filmes. "Comecei logo comprando os direitos de ‘Brida’, do Paulo Coelho, mas logo aprendi que não é por cima que se começa. Perdi US$ 10 mil. Após outras tentativas, produzi o documentário ‘O risco, Lúcio Costa e a utopia moderna’, de Geraldo Motta Filho, que ganhou prêmios em Gramado e Fortaleza e foi exibido em festivais no exterior, em países como França, Estados Unidos e Alemanha. Depois destaco o longa ‘Embarque imediato’, de Alan Fiterman, comédia com Marília Pêra e José Wilker."

 

 

Tati em dose dupla

Seguindo a linha de filmes leves e com elenco recheado de atores famosos, a Bang Filmes está em cartaz nos cinemas com "O diário de Tati", dirigido por Mauro Farias. O filme conta a história de Tati (Heloísa Périssé) e suas aventuras adolescentes, desde a tentativa de esconder da mãe o boletim recheado de notas vermelhas até o sofrimento por estar apaixonada pelo garoto mais bonito do colégio. "O orçamento de produção foi de R$ 2,8 milhões. Poucos atores criaram um personagem tão sólido quanto a Lolô fez com a Tati. Temos planos de fazer ‘O diário de Tati 2’, mas agora com uma garota de verdade."

Juliana também explica o porquê de o filme ter demorado tanto tempo para ser lançado no circuito comercial."Filmamos em 1996, e a idéia era lançar no mesmo ano com as parcerias da Globo Filmes, Universal Pictures e Paramount. A Heloisa estava bombando com a peça ‘Cócegas’, e Tati era um quadro do ‘Fantástico’, o ‘Fala sério’. Esbarramos na captação de recursos, pois as estatais estavam procurando filmes que abordassem temas sociais, e não se interessaram por um filme leve que não levantava bandeira. Mas finalmente lançar o filme no momento atual, com a Monalisa em ‘Avenida Brasil’, o Marcelo Adnet e o elenco todo na mídia, está sendo muito positivo".

A produtora, que afirma assistir a todos os filmes possíveis, mostra-se otimista com a atual safra de diretores brasileiros. "Gosto muito de cinema, de qualquer filme bom. Desde a alta tecnologia 3D de ‘Avatar’ até os desenhos animados. Gosto de filmes americanos, argentinos, europeus. No Brasil, acho que temos diretores de grande talento, como o Cláudio Assis (‘A febre do rato’), Marcelo Gomes (‘Cinema, aspirinas e urubus’), Karim Aimouz (‘O Céu de Sueli’), Murilo Salles (‘Nome próprio’) e Lúcia Murat (‘Uma longa viagem’). E tem o nosso documentário: o Brasil é muito rico em histórias, então o nosso documentário tem uma vitalidade maravilhosa. É uma pena que os filmes fiquem restritos aos grandes centros."