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Moda caipira


Por MARISA LOURES

26/07/2012 às 07h00

Durante quatro dias, a moda de viola será a protagonista de Piacatuba. Até sábado, o pequeno distrito de Leopoldina vai ser embalado pelo Festiviola, que chega à 10ª edição, reunindo grandes nomes da música brasileira. Para aqueles que apreciam uma boa comida, o festival se estende até domingo, com sete restaurantes e 13 botecos, que oferecem opções variadas. Oficinas gratuitas de percussão, fotografia e culinária também estão disponíveis aos interessados durante o evento.

Este ano, uma das grandes atrações é o show do cantor, compositor e instrumentista Renato Teixeira nesta sexta. Pela primeira vez no festival, o violeiro, responsável por uma discografia que inclui gravações com nomes importantes como Pena Branca e Xavantinho e Sérgio Reis, leva para o palco canções consagradas como "Romaria" e "Tocando em frente", além de composições de outros artistas. "Procuro mostrar o lado mais acadêmico da cultura caipira. Quase uma contrapartida do sertanejo popular. Eu e minha banda promovemos uma espécie de cantoria, na qual as músicas habitam um universo lúdico, quase improvável. No fim, todo mundo fica satisfeito do mesmo jeito que o pessoal da antiga, quando se juntava em volta da fogueira para ouvir uma viola", conta o violeiro em entrevista à Tribuna, por e-mail.

Além dele, Almir Sater, que se destaca no cenário musical por ter resgatado a viola de dez cordas e dado um toque sofisticado ao ritmo caipira, misturando blues e rock, também tem presença confirmada. Neste sábado, às 23h30, o cantor retorna pela segunda vez ao Festiviola e promete emocionar o público com clássicos de seus mais de 30 anos de carreira. "Todos os meus shows são especiais, não preparo nada de diferente para as apresentações. Toco um pouquinho de cada música minha e também deixo um tempo para improvisações", diz Almir, que ainda destaca a importância de Minas Gerais para a sobrevivência da moda de viola. "O mineiro tem uma maneira peculiar de tocar este instrumento, o que faz com que ele seja o grande responsável pela vida caipira. Aprecio muito um evento como este, pois acaba despontando vários artistas."

A mostra competitiva é um capítulo à parte dentro do festival. Vão ser apresentadas 20 composições de raiz, sem a utilização de qualquer instrumento eletrônico. Nesta sexta, a partir das 20h, dez violeiros residentes na região de Leopoldina vão concorrer ao prêmio da etapa regional e homenagear o muriaeense Zé Olavo, vencedor de algumas edições do festival e falecido no ano passado. A etapa nacional ocorre no sábado, às 21h30, com entrega do troféu Pena Branca ao primeiro lugar. Pena Branca faleceu em 2010 e se declarava admirador confesso do evento, no qual ele se apresentou duas vezes ao lado de Xavantinho. Para esta etapa, estão inscritos dez violeiros de várias partes do país.

"Os festivais possibilitam uma espécie de convenção de novos autores, cantores, músicos, produtores e agentes. Por isso eles continuaram existindo, mesmo depois de terem saído da mídia principal. Um evento como esse, dedicado à viola caipira, mostra o poder desse encontro. Mas é bom deixar claro que a viola serve ao músico e não o contrário. Vejo muitos artistas se tornarem escravos dos poderes sonoros do instrumento, saindo pelo mundo como seus exibidores apenas. Na minha opinião, o grande poder da viola está nas mãos do violeiro", finaliza Renato Teixeira.