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Noite de nostalgia


Por BRUNO CALIXTO Repórter

26/06/2012 às 07h00

Como uma sequência de hits que selecionamos para ouvir no aparelho de mp3, o repertório apresentado pelas trintonas Titãs e Paralamas, no último sábado em Juiz de Fora, passou como um desfile de revival em que a nostalgia roubou a cena frente às novidades ofertadas por ambas as bandas. Cumprindo o informado, os Titãs abriram a noite, entrando no palco às 23h30. Os grupos investiram em clássicos já conhecidos do público, que parece ter se esquecido das falhas técnicas no som para vibrar com a safra oitentista do repertório das duas bandas, como Sonífera ilha e Marvin (Titãs), e Ska e Meu erro (Paralamas).

Voltar no tempo, cantar e dançar ao som de pérolas como Aluga-se, Polícia, Cabeça dinossauro e Bichos escrotos, portanto, definiu os rumos da viagem proposta pelos Titãs que, também, comprovaram que continuam a inovar com a nova Fala Renata. Já os Paralamas, cuja performance balada foi entoada sob efeitos de luz mais intimista, fecharam a noite, às 3h30, com Alagados, Ela disse adeus, Óculos e Lanterna dos afogados.

‘A gente viajava de Kombi para JF’

Confira entrevista com o baterista João Barone, que conversou com a Tribuna dois dias antes do show.

Tribuna – Por que 1982 foi tão importante para a sociedade brasileira em termos musicais?

João Barone – 1982 foi marcado pela chegada de liberdade de expressão. Mas mesmo com essa tão cantada liberdade, havia a censura, que, aos poucos, foi sendo superada. A música brasileira, neste sentido, foi uma espécie de elemento catalisador de tudo o que aconteceu. A Blitz, por exemplo, para muitos, era insuportavelmente carioca, mas ela soube inserir uma linguagem jovem à música, utilizando esta como forma de expressão tão necessária como há muito não se via no gênero.

– A denúncia das desigualdades sociais sempre foi muito forte no trabalho do Paralamas. O discurso ainda funciona?

– Era uma necessidade, um grito preso na garganta. A música não tem tanto esse aspecto como teve para a gente, até por uma questão cronológica mesmo, mas tem muito jovem engajado em atividades efetivas neste sentido, seja no âmbito escolar ou político. A última banda que vi fazendo isso foi O Rappa, mas tem ainda a turma do Manguebeat e os mineiros do Skank. E tem um pouco daquela coisa de passar o bastão (risos).

– Qual é o legado que vocês deixam para os mais novos?

– Sempre misturamos elementos brasileiros às nossas canções de rock. Nossa geração, aliás, reverencia a discussão sobre o assunto. Alagados virou uma das mais lembradas, tem seus méritos próprios e conseguiu se firmar num momento musical importante para o Brasil. A canção ganhou registro no terceiro disco do grupo, no qual apostamos todas as nossas fichas.

– Prefere fãs ou seguidores? Como é a relação do grupo com a internet?

– Tem alguns eventos, mas não tem show pirata dos Paralamas (risos). Isso talvez seja uma garantia de apelo junto ao público, tanto para as pessoas com 40 anos quanto para a geração mais nova, que quer saber do que o pai gostava. Mas a gente não consegue ficar tão atualizado como o artista que está vivendo esta realidade. Essa molecada consegue manipular melhor a internet, como Los Hermanos, por exemplo, que soube bem a maneira sutil e cabível de fazer isso.

– Voltar a JF te lembra o quê?

– Participamos de vários festivais de rock em Juiz de Fora, a gente tocava muito na cidade por volta de 1983, bem lá no início mesmo, quando ainda existia a (casa noturna) Factory. Nosso meio de transporte era uma Kombi.