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Herança sensível


Por RENATA DELAGE

25/10/2012 às 08h00

É possível herdar talento? Estariam as aptidões artísticas impressas no DNA? A exposição 6X Albano se propõe a provar que a sensibilidade do olhar pode, sim, ser carregada pelos laços de sangue. Inaugurada na noite de amanhã, no Espaço Cultural Correios, a mostra reúne registros do Brasil e do mundo, realizados por seis fotógrafos pertencentes a duas gerações da família cearense Albano. As obras são assinadas pelos irmãos Mário, Ricardo e Fernando de Aratanha, nascidos no Rio de Janeiro, além de José, Maurício e seu filho Ciro, naturais de Fortaleza. Todos primos, descendentes do Barão de Aratanha, figura cearense importante no século XIX e que, hoje, dá nome à rua no Centro de Fortaleza.

Criei uma representação fotográfica do DNA dessa família e de sua cultura, mas com a minha leitura. Desloquei as imagens do significado original e busquei a ambiguidade que existe em cada uma delas. Quando agrupadas por temas, cores ou formas, as fotos contam uma nova história, avalia a curadora Jeanne Duarte.

Por meio de um software, a exposição mescla, simultaneamente, o movimento do vídeo ao instante parado, eternizado, da fotografia. Serão exibidas mais de 400 imagens em grande formato e alta definição, em uma parede que recebe três loops sequenciais, com cerca de nove minutos. Ao final das exibições contínuas, os visitantes poderão conferir uma mostra, também projetada, de 60 registros de cada artista, tendo assim uma retrospectiva de seus trabalhos. A intenção é que o público faça a sua própria leitura, a partir de seus signos e símbolos, interagindo com as imagens, conclui Jeanne.

Antes de chegar a Minas, a mostra passou pelo Ceará, e, no próximo ano, desembarca em Miami, Estados Unidos. Entre uma exposição e outra, a curadora esbarrou, por acaso, na quinta geração dos Albano. Rita Albano, diretora de fotografia em cinema, Leonardo Lepsch, que vive em Londres e é fotógrafo profissional na Europa e Africa, e Camilla Albano, que vive em Goiás, também emprestam seus olhares à mostra.

Na terça, às 20h, os fotógrafos Ricardo e Mário de Aratanha ministram a palestra, com entrada franca, Caminhos atuais para o fotojornalismo, na sala de debates do Espaço Cultural Correios. Os profissionais usarão projeções de imagens para mostrar como o fotojornalismo pode influenciar a vida das pessoas. Uma delas fala de Bessie, uma sem-teto que vivia dentro de um carro em Los Angeles. Ricardo acompanhou uma noite na vida dessa senhora de mais de 90 anos. Depois de publicada a reportagem, ela ganhou uma casa, conta a curadora.

Linhagem premiada

Reconhecidos em diversas áreas da fotografia, os primos colecionam prêmios e trabalhos pelo mundo. Ricardo de Aratanha conquistou por três vezes o Prêmio Nikon e, também por três vezes, o Pulitzer Prize como fotógrafo do jornal norte-americano Los Angeles Times, no qual trabalha como editor de fotografia. José Albano é formado em letras no Brasil e também em fotografia, nos Estados Unidos. Suas fotos sobre crianças indígenas ganhou destaque ao ser publicada no livro 40 anos da fotografia autoral. Já Mário de Aratanha, que trabalhou no Jornal do Brasil e na Associated Press, exibiu obras no Salão Nacional de Arte Moderna.

Dedicando-se especialmente a registrar imagens do Ceará, Maurício Albano é autor dos livros Fauna e flora do Maciço de Baturité e Visões: Rachel de Queiroz. Fotógrafo formado em ornitologia, contando com audição e visão privilegiadas, Ciro Albano trabalha na conservação das aves ameaçadas de extinção. Conquistou o prêmio internacional do Programa de Conservação da British Petroleum e foi dez vezes premiado nas cinco edições do Concurso Avistar do Banco Itaú. O sexto fotógrafo da mostra é Fernando de Aratanha, que tem trabalhos publicados em diversas revistas internacionais. Além de já ter clicado Roberto Carlos e Juliane Moore, tem o cineasta Clint Eastwood como um de seus clientes.

6X ALBANO

Abertura amanhã, às 19h. Visitação de segunda a sexta, das 10h às 18h, sábados, das 10h às 14h

Espaço Cultural Correios

(Rua Marechal Deodoro 470)