História à luz da atualidade

No Bairro Santa Luzia, o Grupo Semana Santa retrata a vida pública de Jesus este ano
Como acontece durante a Semana Santa, católicos do mundo inteiro participam de encenações para reviver a paixão e morte de Jesus Cristo. Em Juiz de Fora, a tradição também é mantida, e os fiéis continuam se emocionando com esta história, que, apesar de antiga, pode ser lida à luz dos dias atuais. “Mais do que nunca, ela se faz pertinente, porque o Brasil está dividido, o individualismo e a cobiça imperam. É preciso que as pessoas se guiem por esse homem que não pensava em ganhar vantagens, pregava a honestidade e a caridade”, afirma Robson Ribeiro, responsável pela direção geral do grupo Semana Santa da Paróquia de Santa Luzia.
É na matriz do Santa Luzia que, nesta sexta-feira, a partir das 19h, cerca de 40 atores, contando com personagens principais e figurantes, voltam à cena, depois de um processo de preparação que começou pouco antes do carnaval. De acordo com Ribeiro, como é de costume, a paixão, morte e ressurreição de Jesus poderão ser vistas com um quê de novidade. “Neste ano, iremos retratar a vida pública de Jesus. Vamos ter o encontro com a samaritana e com os doutores da lei. É o momento em que Jesus pregava, manifestando o desejo de um mundo igual para todos”, diz o diretor, apontando para o que ele acredita ser o fator que atrai o público para um espetáculo em que o desfecho já é conhecido. Para ele, o principal motivador é a fé.

“A emoção toma conta, principalmente, quando o ser humano é posto à prova. Muitos choram com a traição de Judas, quando Jesus é preso no Horto das Oliveiras e chicoteado. Tem gente que chega a passar mal. Muitos entendem que a crucificação seria o fim, mas tentamos mostrar que ela seria apenas o começo. É nesse episódio que Jesus deixou transparecer todo o projeto divino”, destaca o ator. Fazendo coro com Ribeiro, a coordenadora do grupo Redentorarte, da Igreja da Glória, Marilene Loures Rodrigues, reforça a necessidade de se relembrar os últimos passos do filho de Deus na Terra.

O grupo Redentorarte, da Igreja da Glória, prepara uma apresentação para a cerimônia do descendimento da cruz
“A gente costuma pregar que a Bíblia é o livro mais recente que existe. O texto foi escrito há anos, mas o que vemos hoje, como brigas religiosas e políticas, nos fazem entender que ele é totalmente atual”, destaca a coordenadora. Segundo ela, na Glória, o objetivo do elenco é evangelizar através da arte. “Esse ano, nosso Jesus tem uma tatuagem nas costas. Decidimos modernizá-lo para trazer suas mensagens para os dias de hoje. Trabalhamos com fogo durante a encenação e preparamos um jogo de iluminação bem legal”, adianta ela. A cerimônia do descendimento da cruz, com participação do Redentorarte, está marcada para as 20h de sexta-feira.
No Bairro São Mateus, onde costuma ocorrer uma das mais aguardadas encenações de Juiz de Fora, não haverá montagem teatral. Para este ano, durante o trajeto da procissão do Senhor Morto, agendada para acontecer a partir das 19h desta sexta, a atriz Isabela Tostes, agente de pastoral da paróquia, viverá Verônica, uma das personagens mais marcantes das celebração da paixão de Cristo. “A misericórdia de Cristo é infinita, por isso comove tanto”, sentencia Isabela, certa da responsabilidade que carrega com o papel que interpretará. “Verônica fura o cerco e enxuga o rosto de Cristo quando ele estava cercado por vários soldados. O que ela queria era amenizar o sofrimento dele. Foi uma atitude de muita coragem.”









