A imagem por trás do som
Influenciado pelo cinema, o compositor e violonista Luizinho Lopes persegue tudo que é relacionado à sétima arte, inclusive quando não deixou escapar a oportunidade de se pós-graduar em Cinema Documentário (2007), na Fundação Getúlio Vargas, no Rio, em 2007. As letras de minha música são sinopses, historinhas com início, meio e fim, não necessariamente nesta ordem. O produto final da composição nasce de cortes e montagens, harmônicas e literárias, aproximando-se do cinema, destaca Lopes, que, hoje, grava seu primeiro DVD, em noite de show gratuito, no Pró-Música. Pensei em reunir um apanhado de músicas que considero significativas e depois filmar esse material explorando detalhes de arranjos – guitarras, percussões, contrabaixos, violões e vozes – e expressões gestuais de todos nós, músicos no palco, com o auxílio da luz, do cenário e da criatividade dos operadores de câmeras e do diretor de fotografia, comenta. É desta forma, inclusive, que ele acredita que conseguirá contar suas histórias musicais através da imagem.
Para Lopes, a realização de um registro em DVD – previsto para sair em dezembro deste ano – era uma questão de tempo. Quase quatro anos após o terceiro e último lançamento fonográfico, Noiteceu (2008), Luizinho Lopes foi selecionado pelo projeto Terças musicais, colocando em prática uma série de vontades fomentadas desde 2007. Como o ar, as ideias oxigenam sem parar o inconsciente. Visitadas pelas palavras musicadas, ganham forma e passam a flutuar. O verbo, como palavra, é a essência da ideia, seu imprescindível ar, teoriza, anunciando o nome do show: Ar deveria ser verbo.
Com a ideia na cabeça, foi preciso dar o próximo passo em busca de um roteiro. Escrevi para o diretor de fotografia um breve roteiro de imagens importantes para o registro, música a música. Por exemplo: um solo de guitarra em um determinado momento de uma música vai, de alguma forma, ilustrar a imagem, numa espécie de legenda sem palavras, mas contaminadas de impressões. Cada um que assistir ao DVD em seu aparelho de TV identificará a sua própria impressão, de acordo com a sua história, explica o compositor, que também será o diretor do trabalho.
A direção de fotografia será de Mauro Pianta, enquanto que a ShowLuz assina a iluminação. O cenário é de Patida Mauad. Serão utilizadas nove câmeras, e a gravação do áudio será de Carlos Henrique Pereira, o Kain. Os convites podem ser retirados gratuitamente no local, a partir das 8h.
Bré e Daniel Drummond, percussionista e guitarrista, respectivamente, além do contrabaixista, compositor, arranjador e produtor, Dudu Lima, participam do show. O Bré participa de meus trabalhos musicais há 29 anos. Daniel Drummond, há 12. Com Dudu Lima, nunca havia trabalhado. Praticamente, todos permanecerão no palco ao longo do espetáculo, informa Luizinho Lopes.
Sem fugir do óbvio, a escolha do set list partiu das músicas que o compositor considera essenciais. Parte do repertório será de canções que venho regularmente cantando em meus shows, mas que ainda não foram gravadas por mim ou por outros intérpretes, adianta o músico. À sua obra, incorporaram-se importantes parceiros, dentre os quais o maestro, compositor, arranjador e pianista Roberto Lazzarini, o poeta Iacyr Anderson Freitas e o escritor Luiz Ruffato. Ingressando no circuito musical no fim da década de 70, Luizinho lançou, em 1990, o seu primeiro disco, Nem tudo que nasce é novo. O seu segundo registro foi o CD Sertão das miragens, de 2002, na companhia da cantora Marcela Lobbo.
Sobre o Pró-Música/UFJF, Luizinho guarda recordações que foram fundamentais na hora da escolha do palco do DVD, produzido, editado e finalizado no Studio Arbex. Foi no teatro da instituição que ele fez o primeiro show de sua carreira solo, Hóstia da noite, após investida musical com o Grupo Vértice, formado por estudantes da UFJF, que apresentaram duas composições de Luizinho Lopes no programa Som Brasil, da TV Globo, na década de 80.
LUIZINHO LOPES
Hoje, às 20h
Pró-Música/UFJF
(Av. Rio Branco 2.329)









