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Cinema: Quando Chucky encontra ‘Black Mirror’

Remake do clássico terror de 1988, ‘Brinquedo assassino’ muda origem do boneco do mal para adaptá-lo ao novo mundo conectado

Por Júlio Black

21/08/2019 às 15h46- Atualizada 21/08/2019 às 15h51

Mais de 30 anos depois do sucesso do longa original, ‘Brinquedo assassino’ ganha remake que troca o sobrenatural pelo tecnológico (Foto: Divulgação)

Filmes de terror com bonecos e bonecas como a grande ameaça não são novidade, e ainda rendem produções de sucesso até hoje – basta lembrar, por exemplo, de “Annabelle”, spin-off de “Invocação do mal” que ganhou a própria trilogia. Por isso, nada mais surpreendente que um dos mais icônicos personagens desse subgênero volte à tela grande, desta vez num remake: “Brinquedo assassino” estreia no Brasil nesta quinta-feira (22) para “ressuscitar” a figura do maligno Chucky, que graças ao sucesso do longa original, de 1988, ganhou nada menos que seis continuações, a última em 2017. Desta vez, porém, o boneco vem numa encarnação mais, ahn… conectada com os tempos atuais, em que termos como “inteligência artificial” e “internet das coisas” estão em voga. Quem pensar em “Black Mirror” provavelmente acertará ao pensar na produção.

Antes de falar do novo longa, vale lembrar o que fez de Chucky um personagem tão popular. Lançado em novembro de 1988 nos Estados Unidos, o primeiro “Brinquedo assassino” tem mais a ver com o terror clássico. Um serial killer usa um boneco popular entre as crianças num ritual de feitiçaria vodu, e quando morre, sua alma é transferida para o brinquedo. Este vai parar nas mãos de uma criança de 7 anos, que não tem a menor ideia de que o seu Chucky está possuído pelo maníaco, que planeja matá-lo e passar sua alma para o corpo do guri. Por conta disso, ele comete uma série de assassinatos, um mais bizarro que o outro.

Essa premissa, junto aos efeitos práticos da época e a voz dublada por Brad Dourif, fez com que a produção dirigida por Tom Holland (não, claro que não é o ator que interpreta o Homem-Aranha nos filmes da Marvel) faturasse US$ 44 milhões de bilheteria mundial, valor considerável para a época – e motivo mais que suficiente para que arrumassem uma desculpa para que Chucky voltasse em outras continuações, no início a fim de se vingar de seu antigo dono. Com isso, tivemos produções que enfiaram os dois pés na galhofa, como “A noiva de Chucky” e “O filho de Chucky”, que inclusive investia na metalinguagem ao mostrar a produção de um filme dentro do filme sobre o boneco malvado.

Isso é ‘muito Black Mirror’?

Na tentativa de “atualizar” o personagem, a nova produção – que não tem ligação alguma com os realizadores do original – largou mão de alguns elementos clássicos da franquia, especialmente o sobrenatural, e investiu numa tentativa de reflexão sobre os riscos do excesso de dependência da tecnologia em nossas vidas.

Com direção do sueco Lars Klevberg, o novo “Brinquedo assassino” mostra Karen (Aubrey Plaza, da série “Legion”) como uma mãe solteira preocupada com o filho, Andy (Gabriel Bateman, de “Quando as luzes se apagam”), que tem dificuldade para socializar com outras crianças. Como todos os pais modernos que acham que os problemas dos filhos devem ser resolvidos por terceiros, ela compra para o pré-adolescente a sensação do momento, o boneco Buddi (voz de Mark Hammil, o Luke Skywalker de “Star wars”).

A ideia é que o brinquedo ajude Andy a se relacionar com os outros, pois Buddi faz parte de uma linha de bonecos com um arremedo de inteligência artificial, que além de interagir com o seu dono é capaz de “aprender” com ele, com o que vê e ouve. O mimo é criação de uma dessas empresas (no caso, a fictícia Kaslan Technologies) que fabricam de tudo, como aqueles robôs que limpam a casa, interruptores acionados por voz, central multimídia, e que são capazes de se comunicar por meio da internet. Daí que, além do Buddi, a casa da família vai ter, pelo menos, alguns produtos com os quais Buddi pode se comunicar.

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Para piorar, o boneco que o garoto ganhou veio com um “defeito” de fábrica. Insatisfeito com a vida, um funcionário resolve desligar todos os protocolos de segurança da inteligência artificial – e aí você pergunta o que levaria uma empresa a colocar num brinquedo um chip capaz de colocar vidas em risco, ou já imaginar que essa pode ser uma boa desculpa para futuras sequências, com outros bonecos igualmente “defeituosos”. Por conta dessa falta de limites, Buddi não apenas faz companhia a Andy e aprende com o dia a dia, mas começa a ver o rapaz como seu único amigo – e todos à volta como figuras que podem colocar essa amizade em risco, incluindo Karen e vizinhos como o detetive Mike Norris (Brian Tyree Henry).

A única pessoa que vai observar que o boneco – que chega ao ponto de se batizar de Chucky – tem algum parafuso a menos é o seu dono. É nesse ponto que o novo “Brinquedo assassino” vira um misto de filme de terror com um daqueles episódios de “Black Mirror” em que a tecnologia se vira contra o ser humano. Sem a alma de um serial killer para tocar o terror, será a lógica deturpada da inteligência artificial que vai sair matando geral.

 

BRINQUEDO ASSASSINO

UCI 5 (dub): 13h30, 18h, 22h20. UCI 5 (leg): 15h40, 20h15. Cinemais Alameda 3 (dub): 14h50 (todos os dias), 16h50 (sab, dom), 20h45 (todos os dias). Cinemais Alameda 3 (leg): 18h50. Cinemais Jardim Norte 2 (dub): 14h50 (todos os dias), 16h50 (sab, dom), 20h45 (todos os dias). Cinemais Jardim Norte 2 (leg): 18h50. Santa Cruz 2 (dub): 19h15, 21h15.

Classificação: 16 anos

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