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Memórias infantis


Por MARISA LOURES

21/08/2012 às 07h00

Qual a origem de sua família? Quem são seus bisavós e o que eles faziam quando tinham a sua idade? Você tem medo da matemática? Qual a relação do Natal com a Folia de Reis? Estas são algumas perguntas que vão e voltam, frequentemente, à cabeça de muitas crianças e que acabaram servindo de inspiração para o mineiro Tadeu Costa escrever e ilustrar três livros direcionados ao público infantil: Eu não sei de qual África veio o meu bisavô, Cada número uma história e O menino, a Folia de Reis e o Natal.

Baseadas em histórias vividas pelo próprio autor no interior de Minas Gerais, as publicações, editadas pela Lazuli, são narradas por personagens não fictícios: o próprio Tadeu quando menino e sua filha Clara. Depois de acumular anos de experiência como designer gráfico e professor universitário, foi tentando encontrar respostas para estes questionamentos que o seu lado escritor foi aguçado. Tive a ideia de fazer um documentário sobre a história de vida do meu pai, que era alfaiate. Comecei a registrar o dia a dia dele, escrevi o roteiro, fiz o storyboard, e, aos poucos, este exercício foi me dando uma pista para algo que eu estava procurando há muito tempo, que era dedicar parte da minha vida profissional à literatura infantojuvenil.

Eu não sei de qual África veio o meu bisavô relata a história da menina Clara, que, a partir de uma redação para o colégio, tenta descobrir de onde vieram seus antepassados. Tive uma infância muita rica em Cataguases, com muitas aventuras. Gostava de jogar bola, nadar no rio, engraxar sapato, colher fruta e conversar com os amigos. Cada dia vivido parecia sair de uma página de livro. Eu me sentia um personagem de literatura. O escritor acrescenta que, apesar de ter finalizado o livro, seus questionamentos pueris ainda não foram respondidos. Ainda não sei de onde veio meu avô e nem sei se quero descobrir. O meu objetivo era propor um exercício de descoberta, de incentivar nas crianças o desejo de conversar mais com os adultos a fim de descobrir mais sobre sua história.

Entre números e letras

O trabalho como vendedor de picolé, quando ainda era garoto, rendeu ao escritor mais 32 páginas de memórias. Escrito em 2011, Cada número uma história é um livro que ensina matemática de uma maneira engraçada e lúdica. Numa mistura de ficção com realidade, os números são apresentados com cabelos, olhos, nariz e boca. No final, o autor ainda se apresenta por meio de uma brincadeira com os numerais. ‘Cada número uma história’ faz parte do meu período de formação como pessoa, pois fiz um relato da minha época de vendedor de picolé. Aprendi a contar dando troco. Eu tentei mostrar para as crianças que os números falam por eles mesmos.

Seu terceiro livro, O menino, a Folia de Reis e o Natal, surgiu a partir do desejo de colocar frente a frente dois personagens que envolvem o universo infantil: o Papai Noel e o palhaço da Folia de Reis. Diferentemente das outras duas publicações, esta obra é narrada por meio de versos, que lembram as Cantorias dos festejos de reis. Relembrar esses bons momentos da infância é um exercício de transformar a realidade em histórias, garante o autor.