‘Não tem lugar mais raiz’: João Gomes exalta povo mineiro e defende resgate do forró

Cantor pernambucano encerrou o São João de Fora no sábado e falou à Tribuna sobre carreira, família e valorização do gênero


Por Bernardo Marchiori

20/04/2026 às 17h41

João Gomes foi a última atração do arraiá fora de época São João de Fora, realizado no Terrazzo, em Juiz de Fora, na noite do último sábado (18). No evento, o artista pernambucano cantou os próprios hits, como “Aquelas coisas”, “Dengo” e “Meu pedaço de pecado”; músicas do premiado álbum “Dominguinho”, produzido em parceria com Mestrinho e Jota.Pê; e composições de outros grupos, principalmente que remetem ao gênero musical.

 

Em crescimento constante na carreira, agora fazendo shows até fora do Brasil, João Gomes passa uma parte considerável do tempo viajando. Contudo, mesmo na correria, sempre faz questão de voltar para casa – seja em Serrita (PE), sua terra natal, ou qualquer lugar com a família. Em entrevista à Tribuna, o artista falou sobre a importância desse laço tanto na música como na carreira.

“Nessa correria, a gente pensa muito em cumprir os horários, e aí meio que se esquece. Mas no dia que lembra de onde somos, por que estamos aqui, é sempre um dia muito importante para nós, cheio de saudade. Que a gente nunca se esqueça de onde a gente veio.”

Entre quem acompanha o dia a dia e as exibições de João, é quase unanimidade (até para outros artistas) que o carisma e a bondade o ajudaram a atingir o patamar que chegou – que ainda parece estar longe do limite. Em Juiz de Fora, o público do São João de Fora mostrou que não é diferente: a animação durou da primeira à última música. O carinho foi retribuído pelo cantor. “É muito bom poder tocar aqui em Minas Gerais. Não tem lugar mais raiz. A galera daqui é muito coração, então é um privilégio poder estar aqui, tocar e compartilhar nossa música com essa turma.”

Pensando no São João Gomes, projeto imersivo criado pelo artista para levar o forró e a cultura nordestina a diferentes locais do país, ele afirma que é importante para o resgate ao gênero cultural. “Não só o piseiro, mas resgatar o forró pé de serra, resgatar também aquela sonoridade que tinham os trios. É muito legal quando a gente consegue fazer uma festa que propõe a cultura. Por mais que já aconteça pelo Brasil, tanto no Espírito Santo, nos interiores, em São Paulo”, destaca.

Além disso, João reforça a relevância de os pilares do forró se movimentarem em prol disso, já que “enriquece”. “A turma do gênero vê uma possibilidade nisso, porque na maioria das vezes não se enxerga fazendo música ou então acha que está muito distante do seu lugar, acha que não tem forró. Então, todo mundo que faz forró, seja no Rio, seja em São Paulo, no Canto da Ema, todo mundo que se movimenta e que fala sobre isso é muito importante. A gente entende que não está sozinho, né? Que existe um coração forrozeiro em todo lugar do Brasil. Cada um com seu jeito”, finaliza.

Tópicos: joão gomes / música