Sucesso cor-de-rosa

Jade e Nicole conversam com Graciela Mayrink
É uma turma de nono ano do ensino fundamental da Escola Adventista, formada por adolescentes na faixa etária dos 14 anos. Os olhos das alunas brilharam quando eu disse que algumas delas seriam repórter por um dia na Bienal do Livro de Juiz de Fora. As fontes seriam aquelas que, diariamente, as fazem andar por aí com um livro debaixo do braço: Thalita Rebouças, Graciela Mayrink e Marina Carvalho, autoras que engrossam as vendas de algumas das maiores editoras do país. A ideia é ouvir as curiosidades de quem faz crescer o mercado da nova onda do chick lit juvenil brasileiro. Sentadas à mesa, meio encabuladas, Ester Novaes e Marcelle Toledo não sabiam quem começaria a entrevista. “Começa você primeiro”, disse uma à outra, diante de Graciela. O mesmo nervosismo pairou sobre Nicole Rezende e Jade Miranda. Antes da conversa, parecendo jornalistas de verdade, elas ficavam devorando informações e mais informações sobre as escritoras.
O auge mesmo foi na sexta-feira, quando Maria Eduarda Silveira aguardava, ansiosa, sentada ao lado de jornalistas e blogueiros, a chegada de Thalita, uma das campeãs de vendas e autógrafos nas feiras literárias do país afora. “Vou lançar meu primeiro chick lit no ano que vem”, afirma a autora da série best-seller “Fala sério”, que lançou na cidade “Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática” (Arqueiro, 272 páginas).
Ester Novaes – Eu sempre quis escrever um romance. Qual a dica que você me dá?
Marina Carvalho – Tem que escrever qualquer coisa todo dia e dominar a norma padrão da língua portuguesa, porque os editores olham muito isso. Se a pessoa tem uma boa história, mas o português não é bom, eles descartam mesmo. Também tem que ler muito, não só romance, mas história e sociologia, para incrementar o conteúdo que você quer abordar no livro.

Marcelle e Ester num bate-papo com Marina Carvalho
Marcelle Toledo – O que te fez escrever romances, falar de amor?
Marina Carvalho – Por que é um tipo de literatura que eu gosto de ler, e meus alunos me indicam muitos livros desse gênero. Não foi pelo mercado, pelo público, mas pelo que eu gosto. Eu me lembro que, quando comecei a escrever, ainda bem nova, minha mãe falava para nunca escrever sobre um assunto que eu não domino, porque não iria se sustentar.
Ester Novaes – Vocês, autoras, brigam? Existe rivalidade entre vocês?
Marina Carvalho – A literatura se completa. Não tem concorrência igual à marca de carro e geladeira que, quando você vai comprar uma, aí tem propaganda de outra, e você fica na dúvida. Normalmente, quem gosta de ler, gosta de ler de tudo. E a relação com as outras autoras é muito bacana, porque é troca de experiência. Normalmente, são os mesmos leitores que acompanham, que divulgam o trabalho.
Nicole Rezende – Você se identifica com a Flávia de “Até eu te encontrar”? Acha que poderia ter outro final dela com o Felipe?
Graciela Mayrink – Das minhas personagens, acho que a Flávia é a mais parecida comigo. É uma menina independente, decidida, sabe o que quer. Mas, vou te frustrar, não penso que ela deva ficar com o Felipe. Acho que ela tem que ficar com o Luigi, porque ele é sua alma gêmea. Por mais que o Felipe seja fofo, como ele não era o cara certo para ela, não adianta. Nada que fizesse a faria ficar com ele, a não ser que o Luigi não existisse.
Nicole Rezende – Existe um Luigi de verdade?
Graciela Mayrink – Infelizmente, não. Pelo menos, não que eu conheça. Espero que exista um Luigi ou vários Luigis e que várias meninas encontrem o seu.
Jade Miranda – Você tem uma alma gêmea?
Graciela Mayrink – Eu brinco que minha alma gêmea é minha irmã gêmea, porque somos muito parecidas. Até falo com os leitores que nem sempre alma gêmea é um casal, um homem e uma mulher. Pode ser pai, filho, irmão, amigos, aquela pessoa com quem você se identifica bastante, que só de olhar para você já sabe o que você está pensando.
Maria Eduarda Silveira – Li seu conto sobre o “amor de carnaval”. Você já teve um?
Thalita Rebouças – Não tive. Amor, não. Só peguei mesmo. Amo carnaval. Acho que eu queria viver um amor daquele.
Maria Eduarda Silveira – A Tetê, protagonista do seu novo livro, é uma garota excluída e mal-amada. Você já se sentiu assim?
Thalita Rebouças – Eu não era excluída porque eu era a palhacinha. Eu era esquisita, era bem feinha, mas eu era engraçada. Então, o povo fica meio sem jeito de fazer bullying com a engraçada. Acho que me dei bem com a galera porque eu fazia rir. Aí, gente, quem for feia se joga no humor que dá certo!

Thalita Rebouças responde às perguntas de Maria Eduarda
Na onda do chick lit
Confirmando que o mercado adolescente está aquecido, na primeira edição da temporada literária da cidade, os estandes apostaram pesado nos best-sellers juvenis. “Temos alguns títulos legais, como a Mhairi McFarlane, com ‘Amor à segunda vista’, e estamos lançando agora uma série ‘Uma noite com Marilyn Monroe’. O chick lit é um romance mais leve e agradável de se ler, por isso esse boom”, acredita o diretor comercial da Harper Collins Brasil, Marcos Terra. “Vemos a presença maior do público escolar e mais jovem. Recebemos “O diário de Larissa Manoela”, que não é exatamente um chick lit, mas o negócio é realmente impressionante. Chegou ontem (quarta-feira) e é o que mais está tendo saída aqui”, acrescenta Marcos.
Segundo o diretor comercial, comparado ao sucesso das escritoras que faturam alto com os textos que chegaram com o propósito de abordar as questões da mulher moderna, independente, culta e audaciosa, só mesmo a febre dos youtubers e blogueiros. A nova onda, também na lista da preferência da garotada, é a principal responsável pelo faturamento da Harper Collins Brasil.
Responsável pela vinda da paulista Carina Rissi neste domingo, às 17h30, para o encerramento da bienal, a Record atrai o público que passa pelos corredores com um banner gigante de divulgação do livro “Mentira perfeita” (462 páginas). “Nosso maior foco na bienal é ela, porque é a chick lit brasileira que mais vende e já lançou livros, inclusive, fora do país. A maior procura é por ela, Paula Pimenta e Marina Carvalho”, comenta o expositor Jean Marques. Do outro lado, na Novo Conceito, o coordenador de trade marketing Carlos Roberto Rodrigues, declarado um aficionado por chick lit, comemorava a dianteira do gênero. Por lá, além dos romances adolescentes, a atração era o fenômeno do momento na web Bibi Tatto. Ela arrastou uma multidão para a porta do Independência Trade Hotel na última sexta. “Qualquer editora inteligente investe no chick lit”, brinca Rodrigues.









