Variações sonoras em concerto de câmara

Trio é formado por Alexandre Ficarelli (oboé), Marcos Fokin (fagote) e Domingos Elias (clarinete)
Uma apresentação intimista realizada num formato que expresse refinadas ideias musicais com possibilidade de mostrar a riqueza da sonoridade produzida por diferentes instrumentos. É o que promete o concerto do São Paulo Ensemble – Trio de Palhetas, que integra a programação do 23º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, na noite de hoje, às 20h30. Durante uma hora de apresentação, a Igreja do Rosário – com sua arquitetura que proporciona um som transparente – vai servir de palco para a fusão de três instrumentos de sopro: oboé, fagote e clarinete.
O desejo de extrair esta expressividade harmônica, além do objetivo de divulgar algumas obras escritas, especificamente, para a música de câmara – composta por pequenos grupos, sem a exigência de um maestro e executada em pequenas salas – fez com que os integrantes da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo, Domingos Elias (clarinete), Alexandre Ficarelli (Oboé) e Marcos Fokin (fagote), se reunissem em 1994. O trio já se apresentou em vários teatros brasileiros e no Teatro Colón, em Buenos Aires, e foi convidado a participar do Festival de Palhetas na Argentina. "Este tipo de formação é muito importante para o músico de orquestra, pois permite o aprimoramento dos conceitos rítmicos, de afinação e prática em conjunto", diz o clarinetista Domingos Elias, que ainda ressalta a importância dos festivais para a formação dos jovens músicos. "Em eventos como o que é realizado em Juiz de Fora, o aluno tem uma troca de informações que, normalmente, levaria anos para obter, não só dos professores, mas também dos colegas que vêm de diferentes locais com ideias e materiais novos."
Pela primeira vez na cidade, os músicos prometem emocionar a plateia com um programa que vai do erudito ao popular, constituindo o que eles consideram o diferencial do grupo. "Divertimento em si bemol maior KV 439 a", Mozart, "Cinco peças em trio (1935)", Jacques Ibert, "Jura – Dorinha meu amor", José Barbosa da Silva (Sinhô), "Carinhoso", Pixinguinha, e "Gaiola aberta", de Hervê Cordovil, com adaptação para trio de Antônio Bruno, integram a trilha. "Somos ecléticos, não fazemos distinção entre músicas. Se a composição é boa e nos agrada, nós tocamos", explica o clarinetista. Domingos também destaca a influência de culturas e técnicas utilizadas em outros países com tradição em canções eruditas na formação dos músicos.
Para entender o concerto
Antes de cada concerto, às 19h30, a plateia tem a oportunidade de participar de um bate-papo com o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Rodolfo Valverde, que faz comentários sobre o que será apresentado. "Como se trata de uma expressão musical erudita, apesar de termos também alguns concertos populares, a compreensão do seu discurso, com suas peculiaridades estilísticas, favorece uma melhor apreciação da música, além de proporcionar a formação de público", diz o professor.
SÃO PAULO ENSEMBLE
Hoje, às 20h30. Comentário didático, às 19h30
Igreja do Rosário
(Rua Santos Dumont 215 – Granbery)









