Restaurante de juiz-forano é o melhor do Reino Unido pelo segundo ano e entra no top 10 mundial
Casa Brazilian Rodizio, em York, repetiu feito no ranking do Tripadvisor e alcançou a oitava posição entre os restaurantes casuais do mundo

Chegar ao topo fez o juiz-forano Eduardo de Castro estabelecer quase imediatamente um novo objetivo: continuar lá. Um ano depois de o Casa Brazilian Rodizio ser eleito o melhor restaurante casual do Reino Unido pelo Tripadvisor, o estabelecimento comandado por ele em York, no norte da Inglaterra, repetiu o feito. Na edição de 2026 do Travellers’ Choice – Best of the Best, o Casa manteve a primeira posição no país e aparece em oitavo lugar entre os restaurantes da categoria no mundo.
Depois do resultado anterior, Eduardo reuniu a equipe para definir como o restaurante poderia sustentar a posição alcançada. Vieram investimentos na qualidade dos produtos e mudanças no atendimento, dentro de uma estratégia pensada justamente para que o primeiro lugar não fosse uma conquista isolada.
“Todo mundo fala que chegar ao topo não é tão difícil como se manter no topo. Então, a gente criou uma estratégia, executou uma estratégia e funcionou”, afirma.
Na prática, os efeitos do primeiro prêmio não ficaram restritos ao ranking. Eduardo conta que o movimento aumentou de forma expressiva e que passou a receber clientes que chegam a York motivados pelo restaurante. Um dos casos que mais chamou sua atenção foi o de um casal que viajou da Espanha para o Reino Unido e escolheu incluir a cidade no roteiro justamente para conhecer o Casa.
Entre uma refeição e outra, a proposta é fazer com que a experiência ultrapasse a comida. Noites de samba fazem parte da programação e ajudam a apresentar um pouco do Brasil a quem atravessa a porta. No inverno, quando as temperaturas caem em York, Eduardo conta que alguns clientes chegam a dizer, na hora de ir embora, que por algumas horas esqueceram que estavam no Reino Unido.
“A gente tenta criar esse ambiente para a pessoa realmente achar que está de férias ali dentro.”

De Juiz de Fora para York
Muito antes dos prêmios e dos clientes que atravessam fronteiras para conhecer o restaurante, a história de Eduardo na Inglaterra começou longe da posição que ocupa hoje. Nascido em Juiz de Fora, ele se mudou para o país no início dos anos 2000 e trabalhou como faxineiro e lavador de pratos. Aos poucos, entrou na cozinha, passou por diferentes funções e chegou a chef antes de juntar dinheiro para abrir o próprio negócio.
Foi ao observar a cena gastronômica de York que surgiu a oportunidade. Apesar das centenas de estabelecimentos de alimentação existentes na cidade, Eduardo percebeu a ausência de um restaurante brasileiro. A aposta foi levar para lá o modelo de rodízio, ainda pouco familiar ao público local, e combinar a churrascaria com elementos da cultura e da hospitalidade brasileiras.
Mais de duas décadas depois de deixar Juiz de Fora, algumas das referências que chegam aos pratos servidos na Inglaterra continuam muito próximas de casa. Eduardo cita a comida da avó e das tias como parte da formação do próprio paladar.
“A comida da minha tia, a comida da minha avó, isso a gente carrega com a gente. O estilo, o paladar, até o toque no tempero”, conta. Para ele, a influência mineira também aparece fora da cozinha, principalmente na maneira de receber os clientes. “O mineiro por si só é conhecido no Brasil inteiro por ser um povo acolhedor. Então, a gente leva isso com a gente.”
E não são apenas brasileiros que passaram a reproduzir um pouco dessa experiência em York. A equipe do Casa reúne profissionais de diferentes nacionalidades, entre brasileiros, poloneses, romenos e húngaros. Alguns chegaram sem familiaridade com o modelo e, segundo Eduardo, passaram a conhecer e transmitir aos clientes elementos da cultura brasileira durante o próprio trabalho.

Crescer sem expandir
O aumento do movimento e dois anos consecutivos no topo do ranking britânico poderiam apontar para a expansão da marca. Eduardo, porém, pretende seguir pelo caminho contrário. Mesmo já tendo recebido propostas, descarta abrir filiais ou transformar o Casa em uma rede, seja no Reino Unido ou no Brasil.
A decisão está ligada justamente ao que ele acredita ter contribuído para o reconhecimento do restaurante. Com uma unidade, Eduardo diz acompanhar de perto a procedência dos alimentos, trabalhar diretamente com fornecedores e manter contato cotidiano com funcionários e clientes. Ampliar o número de casas, na avaliação dele, colocaria essa proximidade em risco.
“O que a gente faz ali é amor. Nada contra quem faz franquia, mas, uma vez que você começa a crescer, você perde um pouco o contato com seus chefs, com seus garçons, com seu gerente.”
É uma escolha que também passa pelas relações construídas ao longo dos anos. Eduardo conta que alguns clientes se tornaram amigos, assim como funcionários que passaram pela equipe. Para ele, essa convivência não é apenas consequência do negócio, mas parte do que mantém um restaurante funcionando. “O que faz um restaurante sobreviver é a hospitalidade. É você ter contato com pessoas.”
Por enquanto, portanto, o Casa continuará com uma única porta aberta em York. A ambição de Eduardo está menos em multiplicar endereços e mais em fazer o mesmo restaurante avançar. O próximo passo será sentar novamente com a equipe, entender o que ainda pode melhorar e perseguir uma posição que ele já colocou como meta: estar entre os três melhores restaurantes casuais do mundo. Se depender da ideia que conduziu o Casa até aqui, a tentativa de crescer no ranking continuará acontecendo sem abrir mão justamente do que Eduardo considera mais difícil de reproduzir em escala: conhecer quem trabalha, quem fornece e quem se senta à mesa.
*Estagiário sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy







