Peça ’17XNelson’ será apresentada no dia 4

A paulistana Antikatártika Teatral apresenta 17XNelson no dia 4 de setembro
A sexta edição do Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora homenageia o centenário do dramaturgo Nelson Rodrigues com o espetáculo "17XNelson", da paulistana Antikatártika Teatral. Ao todo, sete grupos convidados integram a programação do evento, que acontece entre os dias 1º e 9 de setembro. Para a abertura, foi escalada a montagem carioca "Homens", baseada em contos e cartas do escritor Caio Fernando Abreu, com direção de Delson Antunes. Algumas trupes convocadas já estiveram na mostra competitiva de anos anteriores: "Mulheres da Rua 23", da Cia. de Teatro Autoral, do Rio; "Gran Circo Internazionale e a saga dos heróis desconhecidos", do Grupo Zibaldoni, de Ribeirão Preto (SP); e "O que fazem as meninas quando desabrocham", do também carioca Grupo Okearô de Teatro Independente. As duas últimas foram as vencedoras em 2011 nas categorias infantil e adulto, respectivamente. "Sinfonia sonho", do Teatro inominável, e "Cabeça de vento", da Pandorga Companhia de Teatro, ambas do Rio, completam as atrações.
Capitaneada por Nelson Baskerville, a Antikatártika Teatral apresenta sua segunda incursão ao universo rodriguiano, com o subtítulo "Se não é eterno não é amor". Em 2005, o coletivo havia criado outra proposta, "17XNelson – O inferno de todos nós", passeando pelos 17 textos teatrais e tendo o personagem Diabo da Fonseca como condutor das histórias. Desta vez, a montagem dá ênfase ao amor e à morte, partindo de um incidente que mudou a vida do dramaturgo: o assassinato de seu irmão Roberto. Novamente, a extensa produção de Nelson Rodrigues é revisitada pelos 12 atores, que se revezam em 60 tipos.
A programação conta também com 15 espetáculos selecionados para a mostra competitiva: três infantis, oito adultos e quatro de rua. Os melhores, adultos e infantis, nas categorias espetáculo, direção, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, cenário, figurino, espetáculo pelo júri popular, iluminação e trilha sonora receberão troféus. Haverá ainda o prêmio destaque, entregue conforme avaliação da comissão julgadora. As apresentações acontecem em teatros e praças, e os ingressos serão trocados por livros. O evento inclui, ainda, o Circuito Off e oficinas. Confira a programação no site da Tribuna (www.tribunademinas.com.br).
Apenas três grupos locais se inscreveram na mostra competitiva
Sessenta e seis grupos, de sete estados (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Maranhão e Ceará), inscreveram-se no 6º Festival Nacional de Teatro. Apenas três representantes juiz-foranos estavam entre eles, mas nenhum foi selecionado: "O palhaço e a bailarina", da P&B Arte e Movimento, "A incrível jornada de Lampião", da GTMG/Cia. Tralha, e "Palhaço Rosquinha: hoje tem alegria", da Cia. Teatral Os Mensageiros. Segundo o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, como o evento realiza chamada nacional, todos os inscritos são avaliados com os mesmos critérios. "Esse é o resultado do olhar da comissão julgadora. Mas há espaço para as peças locais no Circuito Off e em outros momentos", observa.
Em 2011, quatro companhias da cidade participaram da seleção, e apenas uma foi convocada, "Alice", da GTMG/Cia. Tralha. Alexandre Guttierrez, diretor do grupo, considera importante o envolvimento no festival. "Tentamos porque fizemos um trabalho baseado em pesquisas, uma homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga. Historicamente, há poucas inscrições daqui. Por um lado, isso pode ser bom, para repensar a qualidade dos nossos espetáculos", comenta, destacando ter tido, recentemente, bons resultados com "Adeus, companheiro" em festivais da região.
"O cego e o louco", que estreou em dezembro do ano passado sob a direção de Rodrigo Portella, integra as atividades do Circuito Off. Segundo o ator Gibran Lamha, como houve o convite da Funalfa, a montagem acabou não se inscrevendo na mostra competitiva. "Mas sou a favor da participação. Se não estivesse no Off, teria enviado o vídeo, apesar de questionar competições em geral", diz, lamentando certo individualismo presente no meio teatral. A fim de ampliar a troca e a convivência dos coletivos da cidade, a Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (Apac/JF) promove uma mostra local, em parceria com a Funalfa, na semana anterior ao festival, de 27 de agosto a 1º de setembro. "Queremos incentivar os artistas e ampliar o público", salienta o presidente Cristiano Fernandes.
Outras produções relevantes do último ano também ficaram de fora por questões particulares. "Uma história oficial", da Cortejo Companhia de Teatro, esteve no Circuito Off do ano passado e, depois de vencer o Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro em junho, está começando a se afastar de competições. "Temos projetos diversos, como uma temporada no Teatro Laura Alvim, no Rio, em fevereiro, e uma leitura dramatizada em Nova York", adianta o ator Tairone Vale. Já "Estranho farol dos cacos", da Companhia Vinde Presto – que venceu o Festival de Cenas Curtas de 2010 e estreou com apoio da Lei Murilo Mendes no início do ano -, está investindo em experiências em outras cidades. "Mesmo assim, a gente gosta de contribuir. Eu, por exemplo, sou ‘anjo’ e tenho a função de ajudar um elenco de fora", explica o ator Tom Brynner.










