Férias no teatro
O recesso escolar de julho, tão esperado pelas crianças, volta a suscitar a famosa dúvida nos pais: o que fazer com os pequenos quando não é possível viajar? A partir deste ano, os juiz-foranos e juiz-foranas mirins terão mais uma opção de lazer nas férias, a I Mostra de Teatro Infantil de Juiz de Fora, que começa hoje e vai até o dia 29. De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (Apac/JF), Cristiano Fernandes, a programação (ver quadro) foi elaborada visando a atrair o público que ainda não frequenta o teatro e aumentar o interesse daqueles que já se encantaram pela arte cênica. Temos nove espetáculos muito diversificados, que vão desde a fábula clássica ao teatro de bonecos, passando pelo teatro de rua e musicais. A ideia é conquistar todos, por isso evitamos também a coincidência de horários, para que o público possa ir às montagens que quiserem.
Uma das produções apresentadas será A fábula de Pedro e o lobo, que já inspirou desenho animado, incontáveis espetáculos teatrais, além de um musical interpretado por orquestras sinfônicas no mundo inteiro. Na mostra, a peça será encenada pelo Grupo Criarte. A fábula ressalta a importância dos laços de amizade e da solidariedade, e é isso que queremos passar para as crianças, porque o teatro também tem um papel importante em sua formação, explica o diretor do grupo Criarte, Anderson Ferigate. Integrando a programação com duas peças, Estórias da Carochinha e Palhaço Rosquinha, o grupo Os Mensageiros promete fazer do público um elemento essencial das performances, investindo em interações com os pequenos para dar dinamicidade aos espetáculos. Encenamos ‘Estórias da Carochinha’ há seis anos, mas cada apresentação foi única e exclusiva, devido às reações da plateia, que modifica a forma de contar as estórias. O mesmo acontece com o Palhaço Rosquinha, monólogo meu, que estreei em Curitiba, em que mesclo mágica, mímica e outros elementos, conta Valdir Alves, diretor da companhia.
Resgatando o público
Segundo Cristiano Fernandes, um dos principais objetivos da mostra é retomar o interesse das crianças pelo teatro, já que, segundo levantamento feito durante as últimas edições da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança de Juiz de Fora, os pequeninos têm ocupado poucos assentos nos espetáculos dedicados a eles. O público de crianças tem girado entre 30% e 40%, o que é muito pouco em relação à quantidade de produções oferecidas. Então quisemos fazer algo específico para elas, e não há época melhor que julho. Outra preocupação da organização foi com os adultos. Durante a Campanha de Popularização, muitas crianças iam a comédias adultas, porque os pais queriam ir ao teatro e acabavam levando os filhos. Desta vez, estamos fazendo uma programação infantil que os adultos também possam apreciar, para que se divirtam e estimulem os filhos a frequentarem mais o teatro, acrescenta Cristiano.
O ator e diretor Marcos Marinho também argumenta neste sentido, apontando que a ausência dos pequenos nas apresentações teatrais está, em parte, relacionada a uma certa preguiça cultural dos adultos. O que se vê mais são os pais levando os filhos a programas de adultos: restaurantes, lanchonetes e outros espaços em que eles podem ter seu lazer, e as crianças podem ir para playgrounds. Quando muito, os adultos os levam ao cinema, mas, ainda assim, desconfio de que o entorno, com pipoca, refrigerante e conversas nas salas de exibição, seja um atrativo maior do que a arte em si. Outro problema apontado pelos produtores de teatro infantil é a concorrência com o lazer conectado encontrado em casa. Por isso, para Denise Oliveira, da Isto Cia. Teatral, é essencial investir em qualidade. É um desafio fazer teatro quando há um mundo de tecnologia e informações a tão fácil alcance. Temos que apostar na qualidade das produções, não só no que diz respeito à formação dos atores, mas em figurinos, cenários e naquilo que só o teatro tem: a relação com os atores, a interatividade, a participação por meio da reação.
Educação teatral
Para o diretor do Grupo Divulgação, José Luiz Ribeiro, também é preciso resgatar a tradição do teatro como elemento pedagógico. Perdeu-se o costume de os professores levarem os alunos ao teatro, depois debaterem o espetáculo com as crianças. Por outro lado, os pais, que delegaram a educação às escolas e babás, também não vão mais às peças com os filhos, e, sumindo destes núcleos, o teatro tem perdido seu caráter educativo e de formação da ética e da moral. A educação para apreciação do teatro e pelo próprio teatro é fundamental. É o que também defende a diretora da Cia de Atores da Academia, Nilza Bandeira Jamis, ressaltando os benefícios do teatro como ferramenta educativa. Com o teatro, a educação não fica somente na sala de aula. As crianças que fazem teatro têm muito mais desenvoltura, concentração, escrevem melhor, falam melhor e socializam melhor. Atenta a isso, a professora Raquel Salles sempre priorizou as peças de teatro na formação cultural de seu filho Lucas, de 6 anos. Sempre procurei levá-lo, antes mesmo que ele completasse 1 ano de idade. Acho que investir nisso é uma forma de contribuir para que meu filho tenha uma compreensão melhor e mais rica do mundo, além de ter acesso a uma forma de lazer que ensina.









