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Entrevista / Leandro sapucahy, cantor e produtor LEANDRO SAPUCAHY


Por AMANDA FERNANDES

13/07/2012 às 07h00

A música entrou na vida de Leandro Sapucahy e brincadeira, e, desde muito criança, os instrumentos viraram brinquedos. Dos brinquedos, ele fazia instrumentos, tirando som de tudo. A brincadeira virou coisa séria quando, ainda na adolescência, começou a ocupar seu espaço pelas ruas e casas de show do Rio de Janeiro.

Sambista desde o nascimento, o artista carrega no nome o templo da maior festa popular do planeta. Nesta sexta, faz show em Juiz de Fora, a partir das 23h, no Privilège, e promete toda a ginga carioca do samba feito em parceria com bambas. Seu primeiro CD, "Cotidiano", trouxe participações de Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Marcelo D2. Como produtor, tem no currículo nomes poderosos. O aclamado "Samba meu", de Maria Rita, tem sua assinatura, assim como o álbum "Sambista perfeito", de Arlindo Cruz.

Em entrevista à Tribuna, por e-mail, Leandro falou sobre suas duas facetas. Músico e produtor, função que vem assumindo também na TV no programa "Esquenta", da Rede Globo, ele se define, na verdade como um produtor que canta. "Meu trabalho é centralizado no samba, mas é pesado, chega perto do rap. Eu não sou mergulhado na política, mas passei a prestar atenção no comportamento da classe política. Falo sobre corrupção, balas perdidas, mas também sobre esperança e família", explica. Ao fazer músicas, ele se posiciona de uma maneira muito própria. "Quero espetar. E quero que os espetados me ouçam. Me posiciono como povo, mas aproveito o lugar onde estou para mandar mensagens. Não vou no óbvio, nunca. Sempre fui do contra, desde moleque. Além disso, quero resgatar bons autores. Isso vai ser bom para o samba", prega.

 

Tribuna – A banda Sapucapeta, seu projeto paralelo, gravou novo DVD recentemente. Como é este trabalho?

Leandro Sapucahy – O "Baile do Sapuca", como estamos chamando esse projeto, é resultado de seis anos de um trabalho que surgiu com a estilista Isabella Capetto em um desfile de sua grife. A partir disto, tivemos a ideia de reunirmos amigos em alguns finais de semana para curtir. Começamos com umas cem pessoas, e cresceu mais que esperávamos.

 

– Como é o seu trabalho no "Esquenta"? Qual razão aponta para o sucesso do programa?

– No "Esquenta", eu faço a direção musical, fico responsável pela banda que acompanha os artistas e por encaixar as atrações musicais dentro do cronograma de assuntos escolhidos pela Regina Casé. O sucesso do programa é a popularidade, linguagem fácil, música, tudo no estilo festa de família no fim de semana. Voltaremos em setembro com uma temporada ainda maior.

 

– Você é muito ligado nas questões sociais e nas comunidades cariocas. Qual a sua perspectiva para o futuro da cidade e de seu povo, principalmente com o chegada de grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas?

– Nas músicas que eu canto, não quero colocar o dedo na cara de ninguém, nem falar mau de políticos ou políticas. Relato situações cotidianas de pessoas com pouca expressão social, chamo atenção para determinados problemas, mostro que todos podem – e devem – lutar para serem pessoas melhores em relação ao próximo, sua comunidade, seu país. A favela é igual a qualquer outro bairro. Tem pessoas com suas vidas, seus problemas, suas alegrias e angústias. Os videoclipes costumam mostrar muitas festas em boates, bebidas, roupas de grife. No meu primeiro DVD, mostrei a mesma coisa dentro de uma comunidade. Eu espero que o legado da Copa e da Olimpíada seja importante para nosso povo, estruturalmente e culturalmente.

 

– Sua música fala de dramas da sociedade brasileira, como corrupção. Você enxerga a música como um meio para mudança? E que mudanças gostaria de ver no país?

– Acho que a música, o samba no meu caso, atinge categorias que são cerceadas de dar sua opinião, seu voto consciente, fazer valer sua moral. São subestimados e colocados em situações de total subserviência onde não se julga capaz de mudar essa situação. Eu espero que minha música mostre às pessoas que esses problemas só acontecem porque elas deixam acontecer, por medo, falta de informação, preguiça mesmo de se esforçar um pouquinho mais.

 

Hoje, às 23h

Privilège

(Rua Eng. Gentil Forn 1.000)