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Inúmeros olhares


Por RENATA DELAGE

12/08/2012 às 07h00

Doze exposições, em cartaz de 12 de agosto a 12 de setembro de 2012. Não por acaso, a mostra "Foto 12", promovida pela Funalfa, será aberta ao público hoje, às 19h, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). A primeira edição da iniciativa ("Foto 11") foi lançada no último ano, com o objetivo de comemorar o Dia Mundial da Fotografia (19 de agosto). Das exposições participantes, 11 irão ocupar as galerias e o espaço alternativo do centro cultural. A 12ª mostra ficará em cartaz no Parque do Museu Mariano Procópio, instituição que, durante anos, teve o fotógrafo Narcisse Szymanowski – homenageado desse ano – como responsável pelo acervo.

O francês, já falecido, chegou ao Brasil na década de 1960. "Ele veio com uma bíblia e uma máquina fotográfica nas mãos", diz o curador da exposição em tributo ao fotógrafo, Sérgio Neumann. Szymanowski foi capelão na penitenciária do Bairro Linhares e desenvolveu um importante trabalho social na comunidade, segundo Neumann. Na cidade, também trabalhou na Tribuna. Sua obra retratou, sobretudo, bens arquitetônicos e o cotidiano.

A Tribuna participa do evento com a mostra "Tribuna de Minas – três décadas de Juiz de Fora". A exposição apresenta algumas das fotografias selecionadas para o livro comemorativo, lançado em 2011, com registros diários dos 30 anos do impresso. "A ‘Foto 12’ é uma exposição heterogênea e mostra Juiz de Fora por diversos ângulos, com suas várias características. O viés jornalístico não poderia faltar", avalia o editor-geral da Tribuna, Paulo César Magella. O jornalista destaca alguns dos importantes momentos captados pelas lentes do jornal. "O próprio Mascarenhas, que, hoje, recebe as exposições, é retratado em duas fases distintas: a perda com incêndio e a recuperação e posterior abertura à comunidade", conta Magella, ressaltando o papel mobilizador dos meios de comunicação na história da cidade.

Quatro exposições dessa edição foram selecionadas a partir do I Prêmio Funalfa de Fotografia, que garantiu o valor de R$ 4 mil para cada projeto. "Que venham a Berlim!", de Letícia Alves Vitral, "Bicho", de Carlos Velázquez, "Insular", de Renata Meffe Franco, e "Arquivo corrompido", de Rodrigo Souza e David Azevedo foram as vencedoras. "As imagens se assemelham bastante às fotos corrompidas do computador, só que fizemos esse processo intencionalmente, utilizando um programa de edição de áudio, ao invés de edição de imagens", explica o fotógrafo Rodrigo Souza. "Já que para o computador foto, vídeo e texto são a mesma coisa, por que não questionar essa ideia da função determinada a cada programa?"

Com programação gratuita dedicada inteiramente ao universo fotográfico, a mostra oferece oficinas, palestras, mesa-redonda, exibição de filmes e intervenções urbanas, que pretendem ampliar a visibilidade da linguagem artística, além de promover o diálogo dos profissionais com o público e com o que é produzido em outras partes do mundo.

 

Espaço de experimentações

As oficinas "Fabulografia: Produção de cartões-postais: Que Áfricas ventam por você?" e "Fotografia documental humanista – Bem-querer" serão ministradas, respectivamente, por Alik Wunder e João Roberto Ripper. Wunder e Ripper são estudiosos da área e, ao lado da fotógrafa Marli Wunder, serão responsáveis pelas oficinas realizadas entre os dias 13 e 21 de agosto. Na primeira oficina será exercitado o olhar para si e para o outro, explorando o diálogo entre fotografia documental, comunicação e direitos humanos. Já a segunda será voltada à produção de cartões-postais, construídos a partir de experimentações fotográficas e criação coletiva de fragmentos poéticos.

Alik Wunder é professor da Unicamp e da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC). Já Ripper é fotojornalista há mais de 20 anos e fundador e coordenador da ONG "Imagens da Terra", entidade de defesa dos direitos humanos, atuando principalmente na cobertura fotográfica de conflitos sociais. Trabalhou em jornais como "Washington Post", "The New York Times" e "O Globo".

 

 

Cliques urbanos

Durante a mostra, as manifestações extrapolam as paredes do CCBM e migram para diversos espaços da cidade com as intervenções urbanas. A Praça Antônio Carlos recebe, no próximo domingo, Dia Mundial da Fotografia, o varal "Foto escambo", no qual serão expostas imagens que poderão ser trocadas e levadas pelo público. As fotos terão uma numeração para que, no dia seguinte, sejam divulgados os nomes dos autores dos trabalhos. Outro destaque na praça – que também se baseia na troca – é o "Jardim fotográfico". Fotógrafos profissionais e amadores poderão "plantar" (afixar em palitos de madeira) suas imagens para que sejam "colhidas" por pedestres, que também poderão "plantar" outras fotografias.

O projeto "Foto 120" transformará o transporte urbano em galeria, com 120 imagens de fotógrafos brasileiros em coletivos de Juiz de Fora. Vindos de Belo Horizonte, os fotógrafos participantes da exposição "Nitro imagem" retratarão pessoas anônimas da cidade. Quatro fotos serão ampliadas, e as demais, exibidas em formato de filme. Já os fotógrafos de Curitiba serão representados na mostra "Com licença para entrar", com lambe-lambes em um muro na esquina das ruas Espírito Santo e Batista de Oliveira, na área central da cidade. Confira a programação completa no site da Tribuna.

 

 

FOTO 12

Abertura hoje, às 19h, no CCBM

De 12 de agosto a 12 de setembro

 

CCBM

Terça a sexta, das 10h às 21h, sábados e domingos, das 10h às 16h

Parque do Museu Mariano Procópio

Terça a domingo, das 8h às 18h