Botequeiros de Juiz de Fora, uni-vos!
É sempre mais ou menos na mesma época. O outono chega e, às vezes, já dá para colocar um casaquinho, os amantes da gastronomia de botequim já sabem: o Comida di Buteco está chegando. Em sua 17ª edição no país e sexta em Juiz de Fora, o concurso terá a participação de 15 bares juiz-foranos que, ao contrário do que aconteceu em edições passadas, não terão que seguir um tema na elaboração dos petiscos, o que garante mais liberdade para exercer a criatividade na cozinha. Outra novidade é que, pela primeira vez, haverá uma disputa entre os vencedores de cada uma das 20 cidades em que o evento é realizado, no intuito de eleger o melhor boteco do país. Os estabelecimentos apresentarão suas criações ao público e aos jurados entre os dias 15 de abril e 8 de maio, e o resultado será divulgado na “Saideira” da competição, ainda em maio.
Mantendo fidelidade à proposta que norteou o concurso desde o início, os botecos participantes precisam ser “espontâneos”, atendendo a requisitos como ser administrado pelo proprietário e não ser parte de uma franquia. A ideia é valorizar a comida caseira e os negócios de família, enaltecendo o buteco (com “u” mesmo) como um traço muito marcante da gastronomia e da cultura brasileira, assim como as cantinas na Itália e os bistrôs na França, por exemplo. Neste ano, predominaram as carnes como estrelas dos petiscos, servidas com algum acompanhamento, mas os preparos são os mais variados possíveis, e, claro, sempre há quem faça diferente.
Vencedor da edição passada, ano em que estreou no Comida di Buteco com um petisco feito com filé mignon suíno e crock de banana, o Sabor do Vale, no Bandeirantes, foge do clichê ao apresentar o “Mineiríssima”: bruschettas de carne-seca com mandioca e jiló com carne de panela. Detentor do segundo lugar no último concurso, o Bar do Totonho apresenta agora o “Enroladinho gostoso”, feito com carne de boi e recheado com lingüiça, bacon e cebola, regado ao molho de tomate e acompanhado de polenta e queijo ralado. O Empório do Sabor, um belo achado no Bairro de Lourdes, ficou em terceiro lugar na disputa de 2015 e vem com tudo neste ano, com o “Sabor de Minas”, suculenta mandioca cozida, regada com manteiga de garrafa e coberta por costela bovina desfiada.
Apostando sozinho na carne de ave, o Caminho da Roça lança seu “Frango nu ninho”, uma releitura de dois clássicos da cozinha dos botecos: frango à passarinho e ovos coloridos. Na criação, os ovos utilizados são de codorna, e o frango é feito com alho e servido em um ninho de chips de batata-doce. O Armazém do Porto, especializado em frutos do mar e peixes, estreia na disputa com o “Mar e monte de boteco”, uma reinvenção de um queridinho absoluto dos juiz-foranos, o cigarrete. Na disputa, ele aparece como porção de minipetiscos crocantes de camarão com queijo canastra. O Bar do Bené também trabalha com um elemento tradicional dos botequins da vida, a maçã de peito bovina, com o prato “Trem bão”, em que a carne é servida com um curioso tempurá de batata e mandioca.
Carne e batata bateram uma tabelinha em vários dos pratos apresentados pelos botecos. No Bar Dias, que fica no Eldorado e já causou frisson com suas criações para outras edições, a dupla compõe o prato “Mineirim Comi Quieto”,carne de panela com batata acompanhada de farofa de jiló. O Bar do Abílio, vencedor da primeiríssima edição juiz-forana e famoso por sua gastronomia legitimamente botequeira, apresenta uma carne de geladeira, servida fria e com batatas em conserva. Já o Bar do Brejo, de Benfica, que ganhou o concurso em 2013 com um prato de moelinha e linguiça, casa a carne bovina com o nada modesto “Picado divino”. O prato é feito com músculo de boi e bacon picadinhos com batatas regadas no azeite, ervas finas e pimenta-biquinho, acompanhado por pão de alho. Calouro na competição, o Petisco e Cia entra com o “Tudo de bom”: bifes de miolo de alcatra regados com molho agridoce, acompanhados por farofa de Doritos e purê de batata, forma inusitada de apresentar o ingrediente em bares.
O Bar do Chinelato, velho conhecido dos amantes de tira-gosto, apresenta o “Sabor da mistura”, com combinações pouco comuns. O prato concorrente é um bolinho de arroz com calabresa e moela à milanesa, servido com três opções de molhos: goiabada com pimenta, hortelã e o secretíssimo molho especial do Chinelato. O Bar do Luiz traz o “Delícia de Minas”, apostando na combinação da carne com queijos. As almôndegas que disputam em nome da casa trazem o ingrediente em seu recheio e são preparadas ao molho, servidas no pão italiano e gratinadas com mozarela e parmesão.
Também novato no Comida di Buteco, o Dirceu’s Bar faz um passeio pela gastronomia nordestina, apesar de o prato se chamar “Jabá Mineiro Chik”. A iguaria é preparada com carne-seca, mandioca e queijo coalho com melado e farofa. Localizado no Santa Terezinha, logo depois da Garganta do Dilermando, o Estação Persa investe em um corte pouco comum às mesas de bar no prato “Traça tudo”, cupim cozido ao molho barbecue com farofa temperada e mandioca frita. O Bar do Antônio – Talismã, do São Pedro, aposta em um ingrediente que já deu samba em outras edições, fazendo a “Moelinha embriagada”, que é preparada refogada no azeite e especiarias, embebida de cerveja Stout e adornada com salsa, cheiro verde e pimenta-biquinho. O prato é servido em pão italiano.
Votação especial
Como de costume, cada bar participante cria um tira-gosto, que é avaliado pelo público e um corpo de jurados, que conhecem o estabelecimento, provam e avaliam os pratos. De 1 a 10, os quesitos são o petisco (que leva 70% da nota), a higiene, o atendimento e a temperatura da bebida. O voto do júri vale 50%, e o do público, 50%. A votação também cria um ranking dos participantes, cujos últimos 20% colocados perdem o direito de participar no ano seguinte – e é por isso que você deve estar sentindo falta de um ou outro bar que já esteve entre os competidores.
Dado o resultado de cada uma das 20 cidades que realizam o Comida di Buteco, o concurso elegerá, pela primeira vez, o melhor entre os vencedores da etapa local. Em junho, uma comissão de jurados escolhida especificamente para essa missão vai visitar cada um dos campeões, e cada bar receberá três jurados, um da própria cidade e dois de fora. Na prática, é como se o concurso tivesse duas fases: eleição do melhor boteco da cidade, envolvendo públicos e jurados, e a eleição do melhor do país, validada por outra comissão de jurados.
No ano passado, o concurso movimentou, em todo país, cerca de R$ 110 milhões, gerou 4.600 empregos e levou cerca de quatro milhões de pessoas aos bares, totalizando 430 mil votos em todo o território nacional, mantendo o objetivo de fortalecer este segmento, tão tradicional no Brasil.

























