Tudo é luz

Diogo Nogueira apresenta turnê de “Porta-voz da alegria” em Juiz de Fora neste sábado
É o dia que clareia para o sambista. É a esperança de um novo dia que, quando menos se espera, clareia tudo. É o clamor por um mundo menos intolerante, de mais amor. É o fogo da paixão que a tudo clareia. É o tema e a forma que ganharam ainda mais luz no cantar sorridente de um Diogo Nogueira disposto a falar apenas do que faz bem.
“Gosto de levar a vida a cantar/ ver os amigos é sempre um prazer/ tudo que eu tinha pra realizar/ hoje só tenho que agradecer”, canta o artista de 35 anos, na música “Porta-voz da alegria”, que dá título ao disco e à turnê que apresenta neste sábado em Juiz de Fora, comemorando os 18 anos do Cultural Bar. Solar, Diogo, “porta-voz da alegria da rapaziada/ carioca da gema e bom brasileiro”, exalta conquistas: “Uma família repleta de amor/ e a mulher que eu sempre sonhei/ só me dá forças pra ser o que sou/ um guerreiro do samba.”
Filho do saudoso sambista João Nogueira, o cantor dos verdes olhos faz lembrar o pai no timbre, no repertório e na simpatia. Faz lembrar também na escrita de uma trajetória sólida, que passa pelo samba mas não se restringe a ele. Acompanhado pelo bandolim de dez cordas de Hamilton de Holanda, Diogo faz samba, choro, jazz e mais um monte de ritmos de raízes africanas no seu aclamado “Bossa negra”. O disco premiado com o Grammy Latino de melhor canção para a faixa título revelou um artista sofisticado em letra e melodia, consciente do discurso ao qual dá voz.
E se é sincero o que vai ao microfone, porque não ser luz, parece perguntar-se a cada criação. “O que é viver?/ É lutar, suportar armadilhas/ Tá, pode não ser tão bom/ porém, lição tal se eterniza”, canta em “Tá”, criação de Hamilton e Thiago da Serrinha no penúltimo disco. Nesse repertório que é mensagem, Diogo apresenta, no novo show, músicas caras à sua formação, como “Sangrando”, de Gonzaguinha, e “Codinome Beija-flor”, de Cazuza, pedido da mãe do Barão Vermelho, Lucinha Araújo, fã assumida do filho de João.
Cantando amigos como Xande de Pilares e Leandro Lehart, passando pelo pai em “Nó da madeira”, o apresentador do “Samba na Gamboa”, da TV Brasil, o cantor mostra sua familiaridade com os palcos, no qual se criou e que, ao longo dos anos, tem lhe servido para diferentes expressões. Diogo é um dos atores de “SamBRA”, musical em homenagem aos cem anos da criação do gênero caracteristicamente verde e amarelo. Em entrevista por e-mail à Tribuna, Diogo fala do palco que sempre foi casa e quintal e, também, do pai, que sempre foi influência e hoje é a luz maior, a clarear. “Ele e seu samba sempre estiveram presentes na minha vida.”
Tribuna – O título de seu novo disco e da nova turnê é “Porta-voz da alegria”. A música é o que te faz feliz?
Diogo Nogueira – Cantar me traz felicidade. O samba me traz felicidade. Meu filho e minha esposa me trazem felicidade… E acabei levando isso para a minha música. Nesse trabalho escolhi fazer um disco mais alegre, mais alto-astral, que fale de festa e de fé. É uma grande mistura!
– Seu pai foi sua grande inspiração para cantar? Quais são as suas lembranças de seu pai? Em algum momento se sentiu ou se sente cobrado a honrar a trajetória dele?
– Nasci e cresci dentro do samba, o que sempre foi uma coisa natural para mim. O samba é a minha raiz, a minha casa, e, claro, meu pai não podia deixar de ser uma grande inspiração. Ele e seu samba sempre estiveram presentes na minha vida, desde que me entendo por gente. Acho que um momento bastante marcante eram as rodas de samba e as festas que ele dava em casa, e desde pequeno participei desses encontros musicais. Acho que, por isso tudo, foi muito natural para mim quando decidi seguir a carreira de cantor, então, nunca senti uma enorme pressão ou cobrança por ser filho do João Nogueira. O que acredito que importa é o trabalho, é a vontade e a verdade com que você se expressa. Então, sim, meu pai foi um grande artista e é uma grande influência.
– Existe algum projeto de revisitar a obra dele de maneira mais completa?
– Por enquanto estou focado na divulgação do “Porta-voz da alegria”, e vamos gravar um DVD esse ano, no Rio de Janeiro. Também continuo gravando o meu programa na TV Brasil, “Samba na Gamboa”. Mas, de uma forma ou de outra, sempre tento homenageá-lo em meus shows. No novo disco canto e toco trompete em “Nó na madeira” , e assim João Nogueira se mantém sempre perto de mim.
– No novo show você canta Gonzaguinha…
– Adoro Gonzaguinha, e não é a primeira vez que canto músicas dele em meus shows. Agora canto “Sangrando”, que é um grande clássico, e sempre me emociono muito quando canto.
– Também canta Djavan, que é um dos grandes nomes da MPB. Você se considera um cantor de samba ou de MPB, ou dos dois?
– Sou cantor e canto tudo o que gosto, que me faz feliz. Samba, MPB, pop, e sempre trago um pouco do que admiro para os meus trabalhos. Nesse show atual canto Djavan, Cazuza e até Tim Maia, mas não posso deixar de cantar Zeca, Beth Carvalho, e meu pai João Nogueira.
– “Bossa negra”, que lhe rendeu o Grammy, é um dos grandes discos do país nos últimos anos, tanto pela sonoridade quanto pela narrativa. Como foi o processo desse trabalho? Pensa em continuidade?
– O “Bossa negra” foi um projeto criado por mim com o Hamilton de Holanda, e nós temos um carinho enorme por ele. Acredito que vamos ter novos capítulos dessa história, mas por enquanto eu e o Hamilton, inclusive, estamos focados em trabalhos solos. – Você é um artista discreto, sem polêmicas e sem midiáticas aparições. Como lida com a fama?
– Eu me considero um cara simples. Gosto de estar com meu filho, minha esposa, pegar minhas ondas, futebol com os amigos, andar de moto, coisas normais que quase todo mundo gosta. Não me ligo muito na fama, porque o que mais importa é passar a mensagem final. E acho que só posso agradecer aos fãs que tenho, porque eles são supertranquilos e respeitosos.
– Seu público é muito diverso e fiel. Imagina como sua música toca as pessoas? Faz sua música pensando na repercussão em seu público?
– Todo trabalho que o artista faz e divulga precisa ser pensado em como aquilo vai impactar o seu público e seus fãs. E em “Porta-voz da alegria”, eu quis trazer músicas com mensagens alegres, de alto-astral, sobre momentos felizes e festas, mas também não quis deixar de lado a questão da fé. Fiquei muito feliz com o resultado final.
DIOGO NOGUEIRA
Neste sábado, 12, às 23h
No Cultural Bar
(Av. Deusdedit Salgado 3.955 – Salvaterra)









