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O antigo e o novo em cena


Por Júlio Black

11/03/2016 às 07h00- Atualizada 11/03/2016 às 09h25

'Thácht', sobre dois artistas que já viveram dias de glória, será apresentada pela primeira vez em Juiz de Fora

‘Thácht’, sobre dois artistas que já viveram dias de glória, será apresentada pela primeira vez em Juiz de Fora

Em cartaz há 13 anos, 'Armatrux, a banda' reúne músicos de universos diferentes para divertir crianças e adultos

Em cartaz há 13 anos, ‘Armatrux, a banda’ reúne músicos de universos diferentes para divertir crianças e adultos

O Grupo Armatrux comemora em 2016 seus 25 anos de atividades, e Juiz de Fora está no mapa de celebrações do coletivo teatral, que apresenta, neste fim de semana, no CCBM, dois de seus espetáculos. A tragicomédia musical “Thácht” está marcada para sábado, às 21h, enquanto que o musical de bonecos “Armatrux, a banda” será apresentado no domingo, às 16h. Os espetáculos fazem parte do projeto contemplado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, que teve início com uma temporada de um mês em Belo Horizonte, onde apresentaram três peças.

Depois, o grupo vai para uma temporada de três semanas no Rio de Janeiro e percorre o interior de São Paulo em cinco apresentações, graças ao projeto Sesi Viagem Teatral, e ainda passa por Curitiba e Brasília por meio do Caixa Cultural. As celebrações de 25 anos devem ser concluídas com um novo espetáculo, que chega aos palcos até o final de 2016. O Armatrux já esteve em Juiz de Fora em outras oportunidades, com algumas peças (incluindo “Armatrux, a banda”), mas será a primeira vez que o público local poderá conferir “Thácht”, que é encenada desde 2014 e rendeu a Cristiano Araújo o prêmio de melhor ator do Prêmio Sinparc em 2015. A tragicomédia musical tem como personagens principais dois velhos artistas de variedades, Rafa e Rufo, em que a linguagem própria do grupo tem como referência, desta vez, o antigo teatro de variedades, com direito a trilha sonora ao vivo, humor negro e diálogos absurdos.

Para um dos atores, Rogério Araújo, “Thácht” é uma tragicomédia que apresenta muitos pontos de reflexão. “O espetáculo fala de dois velhos cômicos, uma dupla de artistas que está em um lugar que poderia ser um asilo, hospital, numa situação precária, mas eles lidam com essa questão com bom humor. Eles ficam relembrando e rindo de tudo que passaram, tantas experiências interessantes, ao mesmo tempo em que estão ‘presos’, sem ter o que fazer. Mas tudo de forma bem humorada, com sarcasmo, rindo da própria situação”, diz ele.

O ponto inicial do processo de criação foi um texto apresentado pelo diretor e dramaturgo Eid Ribeiro, “O cachorro de três pernas”. “Ele já tinha esses dois personagens, então fomos reelaborando e retrabalhando o texto. Introduzimos o personagem da transformista (Eduardo Machado), que participou da vida artística deles em algum momento. Essa é uma parte da boa vida que eles gostam de lembrar.” “A partir daí, foi também questão de observar o cotidiano mesmo, pois a terceira idade não é só uma questão para os artistas”, acrescenta. “Hoje temos uma vida ativa, mas quando ficamos mais velhos não será dessa forma. A qualidade de vida tem melhorado, o número de idosos aumentou, todo mundo está atento para essa parcela da população. Tempos atrás, quem tinha 60 anos era muito velho, hoje é diferente, mas há momentos em que passamos a ficar totalmente dependentes, e para esses artistas algumas situações são bem complicadas.”

Musical com fôlego renovado

No domingo, o grupo volta a apresentar na cidade o musical de bonecos “Armatrux, a banda”, criado em 2003. A banda, formada por quatro bonecos de universos distintos mais a pianista Mafalda Jackson, toca e interpreta canções como “Dancin’ days” (Nelson Motta) e “Balança pança” (Karnak), além de músicas compostas por John Ulhôa (Pato Fu) e Bob Faria (repórter da TV Globo), também responsáveis pela direção musical. “É um espetáculo que está no repertório do grupo há 13 anos, que sempre teve bandas de bonecos. Ele tem uma linguagem de cartoon, de animação, que não é realista, diferente das outras bandas”, explica Rogério. Nós temos o DJ Montanha, que pesquisa na internet, viaja e busca esses personagens nos mundos virtuais, na ficção. O espetáculo é uma grande festa, uma música atrás da outra, que chama o público para cantar, dançar, brincar. Acho que é por isso que ele está sempre em exibição. Todo ano, falamos que ‘este ano não dá, acabou’, mas aí o telefone toca e vamos lá de novo. Que venham mais 13, 25 anos.” THÁCHT Neste sábado, às 21h ARMATRUX, A BANDA Neste domingo, às 16h CCBM (Avenida Getúlio Vargas 200)