Para botar o som na pista

Além de colocar o povo para dançar, BNegão mantém na ativa o Seletores de Frequência e participa da turnê de reunião do Planet Hemp
Bernardo Santos, conhecido desde a década de 1990 por quem entende de música como BNegão, é um sujeito sagaz, inquieto e incansável. Famoso pelos seus trabalhos com o Seletores de Frequência, Planet Hemp e Funk Fuckers, ele ainda encontra tempo para colocar o povo para dançar no seu projeto de discotecagem Bota Som, que vai dar as caras em Juiz de Fora, nesta quinta-feira, no Pub’s. É apenas mais um passo na maratona em que o artista está envolvido nesta semana, com shows do Planet Hemp sexta-feira no Rio de Janeiro, sábado em Belo Horizonte (no Mineirão) e domingo em São Paulo, no Lollpapalooza, como um dos headliners do festival, substituindo o peça rara Snoop Dog. “Planet tá rolando geral, todo fim de semana está rolando show. Até conversamos sobre isso no carro hoje (terça-feira), que está um clima bonzão, todo mundo resolvido nas paradas. E estamos tocando melhor, mandando bronca.”
O bota som (“Eu não sou DJ, eu sou bota som”, ressalta BNegão, que prefere usar o termo cunhado por Marcelo Yuka para quem não é DJ mas curte animar as pistas) promete uma noite de groove, mas que não precisa necessariamente ser aquele som gingado típico dos anos 70. “O groove não é o que considero como groove, aquele da década de 70, mas também a levada da música. Minha ideia é que a discotecagem tenha impacto imediato, do corpo se mexendo, o pessoal dançando. São músicas que fogem do padrão, dos hits, é para a galera que bota fé no que estou propondo ali, para quem está disposto a conhecer coisas novas, dançar e se divertir”, explica. “A minha felicidade é ver as pessoas saindo da festa sabendo mais de música do que antes.”
Segundo BNegão, o lance dele é não ficar preso a estilos musicais, e nisso aí rola muita do que chama de música brasileira moderna. “Toco o que gosto, não fico preso a essa obrigação que muitos DJs têm de ter que tocar o que a galera quer. Quem confia no meu gosto vai gostar”, afirma o faz-tudo-musical, adiantando que vai ter de tudo um pouco na festa. “Vai ter desde sucessos clássicos do groove, coisas novas, até aquelas que não saíram em disco. Às vezes a galera manda músicas que ainda não foram lançadas, e se gostar eu toco”, acrescenta, lembrando que a regra do bota som que se preza é tocar o que tiver à mão. “No Rio eu uso os meus vinis, mas fora da cidade fico com os CDs. Digo, inclusive, que no Bota Som ‘BNegão utiliza tecnologias atrasadas’, que é o caso do CD (risos).”
Artista full time
BNegão conta que a atividade de bota som começou em 1998, por motivos de força maior: com a prisão dos integrantes da banda em Brasília, o grupo permaneceu inativo por algum tempo. “Foi nessa época que me convidaram para fazer discotecagem numa festa que era famosa na época, a Zoeira, e daí comecei a discotecar geral. O lance foi dando certo, foram me convidando… e eu gosto de botar som. Quando lancei meu primeiro disco, em 2003, parei por um tempo porque tive que cuidar de muita coisa. Voltei em 2006, quando me convidaram para botar som em Curitiba e desde então tenho rodado pelo país. Em Curitiba mesmo vou todo mês, no final do ano fiz discotecagem para cinco mil pessoas em uma praia de Vitória (ES)”, relembra o artista, que também já mostrou seu ofício de bota som em Juiz de Fora, no Muzik, anos atrás.
O ofício de bota som e a turnê de retorno do Planet Hemp são duas das diversas atividades do artista, que lançou em 2015 o seu terceiro trabalho com o Seletores de Frequência, “Transmutação”. “O retorno tem sido muito bom, entramos nas listas de melhores do ano de diversas publicações. Ficamos em segundo lugar no ‘Estadão’ e entre os dez primeiros na (revista) ‘Rolling Stone’. A galera também tem comparecido aos shows, e vamos passar o verão no Hemisfério Norte tocando pela Europa. Vamos retornar após dez anos”, conta BNegão, que tem boas lembranças do Velho Continente. “A primeira vez que tocamos em Barcelona, em 2005, foi para um público de duas mil pessoas num lugar que costuma receber Manu Chao, Fantômas, em Londres foram mil pessoas. E tocamos em diversos festivais, como Roskilde (Dinamarca), um dos três maiores da Europa, que leva setenta mil pessoas por dia, num esquema muito legal e num dia que tinha Snoop Dog e Black Sabbath com a formação original.”
E não são apenas os shows que aparecem no horizonte de BNegão & Seletores de Frequência. “Devemos gravar este ano um DVD ao vivo do Seletores, talvez do show no Circo Voador (Rio) que faremos em maio. E também queremos gravar dois CDs, um de música instrumental e outro de funk como era nos anos 70. Quando não estou dormindo, estou trabalhando.”
BNEGÃO BOTA SOM
Nesta quinta-feira, às 23h
Pub’s
(Avenida Engenheiro Waldir Pedro Monachese 100 – Aeroporto)









