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Em vias de (f)ato poético


Por MAURO MORAIS

08/07/2016 às 07h00- Atualizada 08/07/2016 às 08h18

Enquanto uma nova geração vai se formando nos bancos da Faculdade de Letras da UFJF, outra geração, que ocupa a porção frontal das salas, segue formando, em versos ou prosa, uma cena literária que diz do agora em Juiz de Fora. No espaço acadêmico ou nas páginas de um livro, tudo parece uma aula, ora mais didática, ora mais subjetiva. Aula, nesse caso, como uma partilha generosa de inquietações. Neste sábado, 9, dois desses inquietos poetas-professores lançam seus mais recentes escritos, na Padaria e Livraria Bartlebee, no Cascatinha.

Reconhecido por uma obra, já agigantada, comprometida com o lugar do homem, principalmente do ser diaspórico, Edimilson de Almeida Pereira reúne em “Novos poemas”, três livros, independentes entre si, que representam um novo momento na carreira do escritor, mais inclinado a uma linguagem expressionista.

Passados seis anos da publicação de “Homeless” (Mazza Edições), que se voltava para o homem negro como um estrangeiro em sua própria casa-Brasil, Edimilson apresenta “Relva”, “Maginot, o” e “Guelras” (Mazza Edições/Sans Chapeau). “Na verdade, seriam quatro livros. ‘O caderno quase’ está com o Eduardo Lacerda, da Patuá. Esses livros fazem parte de um projeto de escrita de 30 anos”, comenta o escritor, que retorna à questão da memória, incluindo em “Maginot, o”, fotos de família e cenas e personagens célebres de Juiz de Fora, como o taxista Congo.

Sem a ‘erudição pela erudição’

Para falar do outro, ou dos outros, André Monteiro também fala um pouco de si. Ou, ao menos, expõe a si mesmo no que escreve e no que interpreta. Em “Uma prosa de Sócrates”, o autor se apresenta como mero instrumento. “Psicografada de ouvido pelo rapsodo André Monteiro”, escreve logo abaixo do título, reforçando a ideia de que o professor e escritor não passa de um veículo de comunicação do filósofo com o hoje. “Tenho preocupação de saber para que serve estudar? O importante é saber o que podemos fazer com isso hoje, e não ficar pensando o que aquilo foi, ou tentar desvendar o que foi ou não, ou acumular erudição pela erudição. Nessa tentativa desmitifiquei o Sócrates cristianizado que só pensa no alto”, aponta.

Publicada em formato de plaquete, a obra, editada pela Edições Macondo e pertencente à coleção Guilhotina, se faz na corda bamba entre ensaio, poesia e prosa. Inserindo o filósofo no mundano, mostra um pensador que, pelo contrário do que o tempo fixou, não apartou o corpo do pensamento. No curta-metragem “Uma prosa de Sócrates”, que lança junto ao livro, André sai às ruas da cidade vestido com uma túnica branca, como a dos gregos, recitando os poemas do livro para ou entre os transeuntes. Um desbunde, ao qual, segundo ele, Sócrates certamente se entregaria.

Durante o lançamento dos livros, Gabriel Lima Monteiro assume as picapes, discotecando, enquanto os poetas Anelise Freitas, Edmon Neto, Fernanda Vivacqua, Laura Assis e Otávio Campos, além do ator Marcos Marinho, recitam trechos das obras.

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VELÓRIO – PRA MORRER DE RIR!

“RELVA”, “GUELRA”, “MAGINOT, O”

Lançamentos de Edimilson de Almeida Pereira

“UMA PROSA DE SÓCRATES”

Lançamento de André Monteiro

Neste sábado, 9, às 16h

Bartlebee Deli/Livros

(Rua Antônio Altaf 460 – Cascatinha)

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