Auschwitz é cenário de ‘À espera de turista’

Ex-prisioneiro polonês e jovem alemão são obrigados a conviver sob as lembranças do holocausto
Quando mais um filme sobre o Holocausto é lançado, a expectativa do público costuma girar em torno de dúzias de judeus mortos, empilhados em um canto de Auschwitz, ou de algum romance humanista sobre a perseverança de prisioneiros que precisam superar as atrocidades nazistas. Pois bem, com mais de cinco anos de atraso, estreia no Brasil "Á espera de turistas", que não é nem uma coisa nem outra. A produção alemã, dirigida por Robert Thalheim, propõe uma abordagem pouco usual sobre o tema e, só de se passar nos tempos atuais, já se distancia de seus coirmãos.
Trata-se da história de Sven, interpretado por Alexander Fehling, um jovem alemão que vai para a Polônia trabalhar como voluntário no Museu de Auschwitz. Apesar de sua origem, não nutre qualquer tipo de preconceito ou culpa em relação ao campo de concentração. Na verdade, sua ida para a Polônia é uma espécie de última opção para fugir do serviço militar. Por lá, acaba trabalhando, também, como cuidador de um senhor mau humorado. Senhor Krzeminski (Ryszard Ronczewski), como exige ser tratado, é um octogenário que se recusa a sair do campo, do qual já foi prisioneiro, onde fica o museu em homenagem aos mortos pelo Holocausto. Em seu braço, inclusive, estão tatuados os números de sua inscrição na temida prisão nazista.
Dessa relação, entre um veterano sobrevivente da Segunda Guerra Mundial e um jovem que nasceu, pelo menos, duas gerações depois, está o pano de fundo do longa. Afinal, os protagonistas, mesmo que sob aspectos muito diferentes, carregam consigo as marcas de um período negro. Seja em Sven, que leva nas costas o peso de um passado da qual não fez parte, afinal de contas, trata-se de um voluntário do exército alemão em plena Polônia, ou de Krzeminski, que vive preso às suas lembranças. Se tudo parece desfavorecer o jovem Sven, uma polonesa pode mudar esse jogo. O romance iniciado com a intérprete Ania (Barbara Wysocka) trará um novo ânimo para seu cotidiano, apesar das marcas indissociáveis entre o passado e o presente daquele lugar.
Alameda 3: 14h40, 17h, 19h20 e 21h30. Classificação: 14 anos.









