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Permaneço Deitada lança segundo álbum

“Dedicado aos caracóis” está disponível no canal da banda no YouTube e na plataforma Plainsong; trabalho é influenciado pela perda e isolamento provocados pela pandemia


Por Júlio Black

08/04/2021 às 07h00

Bira L. Silva e Yugh Synth lançam segundo álbum, com letras influenciadas pela pandemia (Foto: Flávia Lopes/Divulgação)

A dupla (ou seria banda de dois?) Permaneço Deitada está com novo trabalho no vasto mundo digital. Formada por Bira L. Silva (vocais) e Yugh Synth (baixo, teclado e sintetizadores), lançou no último domingo (4) seu segundo álbum, “Dedicado aos caracóis”, que está disponível no canal da dupla no YouTube e também na plataforma Plainsong. Em breve, o trabalho deve chegar aos principais serviços de streaming.

Bira L. Silva conta que “Dedicado aos caracóis” foi produzido pela própria banda e gravado entre julho de 2020 e fevereiro deste ano no estúdio Rise Togheter, com as participações especiais de Tierez Oliveira (bateria, também responsável pela gravação e mixagem do álbum e considerado o “integrante fantasma” da banda), Letícia Torga (baixo em “Por todo o jardim”) e do coral Let’s Rock, que participou da faixa “Tar”. Uma das músicas, “Incensos de canela”, já era conhecida desde fevereiro, quando foi lançado o videoclipe. De acordo com Bira, a ideia é que cada música ganhe uma versão audiovisual. Bira e Yugh também planejam voltar a participar de festivais on-line, com apresentações ao vivo pela internet.

Quanto ao título da obra, ela provoca lembrança imediata do trabalho de estreia da Permaneço Deitada, “Assim falava o Homem Coelho”. De acordo com Bira, tanto o Homem Coelho quanto os Caracóis servem de metáforas e ilustrações para outras ideias.

“No primeiro álbum, o Homem Coelho estava ligado ao sentimento de isolamento e individualismo, de que vive numa toca; já ‘Dedicado aos caracóis’ é uma jornada inalcançável ao passado. É dedicado aos ausentes, e tenta ‘vestir’ essa linguagem da ausência tanto nas músicas quanto nos vídeos”, filosofa.

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“Nós trabalhamos com símbolos, e todo artista é fortemente influenciado por suas referências”, prossegue. “No meu caso, minhas referências sonoras vêm de Rozz Williams, Nick Cave, Lucas Lanthier, Sopor Aeternus. Já as referências estéticas e conceituais têm muito a ver com o surrealismo, principalmente de Alejandro Jodorowsky e também David Lynch, além de Edgar Allan Poe e Friedrich Nietzsche.”

Pandemia

No que diz respeito especificamente às letras, Bira L. Silva observa diferenças fundamentais entre os dois trabalhos da banda. “O primeiro álbum foi um ‘Frankenstein’ de versos feitos durante toda minha vida, enquanto que ‘Dedicado aos caracóis’ foi feito no auge da pandemia”, destaca. “As questões do distanciam08ento, do isolamento, essas mortes em massa fazem com que estejamos em constante estado de luto. Ao mesmo tempo em que é agressivo, tornou-se produtivo no lado artístico, pois afetou bastante a nós dois.”

Para o vocalista, a tragédia é capaz, ainda, de gerar um sentimento coletivo que acredita não existir antes. “Acho que um sentimento que antes era individual agora atingiu um nível coletivo, de massa, que atingiu o mundo inteiro. Sei que é algo que soa sombrio, mas é tudo sobre amor, saudade, aquilo que já não está do nosso lado. Creio que o mundo inteiro está sofrendo, e espero que a obra possa conversar com o maior número de pessoas num momento em que elas não têm muitas coisas próximas, em especial as pessoas que se foram.”

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