‘Mulheres alteradas’ hoje no Central

Samara Felippo, Flávia Monteiro, Marisol Ribeiro e Daniel Del Sarto protagonizam a peça
Um dos sucessos editoriais da Argentina, contabilizando mais de 300 mil livros vendidos, a série "Mulheres alteradas", da chargista Maitena, ganhou versão brasileira no teatro e chega a Juiz de Fora, com única apresentação, neste fim de semana. Samara Felippo, Flávia Monteiro, Marisol Ribeiro e Daniel Del Sarto protagonizam o espetáculo – assistido por mais de 140 mil espectadores em pouco mais de um ano -, que acontece no Cine-Theatro Central.
O texto de Andrea Maltarolli – novelista da Globo, falecida em 2009, após a trama "Beleza pura" -, que conta com colaboração de Bernardo Jablonkski, é uma adaptação inédita dos cinco volumes da série da cartunista argentina. Maitena começou a publicar tiras na década de 80 e, atualmente, estampa jornais diários e revistas da Argentina, Uruguai e Espanha, com a série "Superadas" (termo que seu pai usava para mulheres divorciadas, que tomavam anticoncepcionais ou faziam psicanálise). Suas figuras ágeis, donas de frases curtas e afiadas, também podem ser lidas, semanalmente, no jornal "Folha de São Paulo" e na revista "Claudia".
O Brasil é o primeiro país a exibir uma versão para o teatro da obra. Maitena negou a venda dos direitos autorais ao cineasta Pedro Almodóvar, assim como para produtoras de cinema do México e dos Estados Unidos. Os palcos da Argentina, Espanha e México também não foram contemplados. O respeito às ideias da autora, que mapeia o discurso sobre a feminilidade presente no mundo contemporâneo, é uma das razões para a aprovação de Maitena à adaptação, de acordo com o diretor, Eduardo Figueiredo. "É uma adaptação muito fiel, com todo o conteúdo baseado nesse universo da Maitena. Ela já assistiu ao espetáculo três vezes e se manifestou de forma positiva, nos deu força", diz.
Atribulado universo feminino
"Aquela que ontem esperava dormindo compra uma cinta-liga; a executiva que administrava uma empresa quer viver em um camping; aquela que cuidava da sogra como sua própria mãe interna as duas em asilo; a magra vira uma vaca de gorda, e a gorda perde 20 quilos", descreve Maitena.
Para ganhar os palcos, as personagens, que exploram diferentes facetas do mundo feminino nas tiras da cartunista argentina, adquiriram nomes e personalidades. "O espetáculo tem uma linguagem ágil, um figurino divertido, é todo pontuado pela música ao vivo da banda Alteradas (composta só por mulheres). Apesar de ser uma história linear, pode ser apreendido por partes, já que é composto por esquetes. Tudo pensado para realmente demonstrar que saiu dos quadrinhos", explica Marisol Ribeiro, que também conversou com a Tribuna e se diz contente com o primeiro trabalho na cidade.
A atriz Samara Felippo, que começa a gravar em breve a nova minissérie da Record, "José", interpreta Lisa, mãe de um único filho, separada do marido, que alimenta preocupações fúteis, mas se vê em crise por causa de um nódulo no seio. "A mulher moderna é aquela independente, acima de tudo. Ela tem que ser boa no trabalho, boa mãe, boa esposa, bonita, paciente, magra… Como não ser alterada?", brinca a atriz. Flávia Monteiro, que teve destaque no papel da professora Carolina, na novela infantil "Chiquititas", do SBT, e hoje protagoniza a novela "Máscaras", da Record, é Norma, uma executiva pragmática, casada, com dois filhos, e que se depara com a terceira gravidez. Já Marisol, que integrou o elenco de novelas recentes da Globo, vive Alice. "Ela é uma garota sonhadora, ingênua, delicada, que está em busca de um grande amor", explica a atriz.
Daniel Del Sarto, ator do humorístico "A turma do Didi", da mesma emissora, incorpora os personagens masculinos da trama. "Os homens da plateia têm uma identificação imediata com alguns desses personagens interpretados pelo Daniel, porque se vislumbram diante de suas mães, mulheres, filhas", diz Figueiredo.
Para o diretor, entrar no universo assolado por cobranças e demandas das mulheres contemporâneas não foi difícil. "As próprias atrizes, nos intervalos dos ensaios, não conseguiam se desvincular de filho, marido, namorado", brinca. "E essa é a mulher atual, que tem que ser bem-sucedida profissionalmente, manter o equilíbrio da família e estar bonita o tempo todo. Maitena transita com maestria por tudo isso", conclui.
MULHERES ALTERADAS
Única apresentação, hoje, às 21h
Cine-Theatro Central
(Praça João Pessoa s/nº)









