Para colorir o dia
RAPHAELA RAMOS
A tarde de terça foi de arte e diversão para crianças e adultos que ocuparam o Pró-Música durante a exibição da peça Cabeça de vento, incluída como convidada na programação do 6º Festival Nacional de Teatro. Apesar do céu cinzento do lado de fora, as cores se multiplicaram pelo palco diante dos pequenos olhares que acompanhavam a trajetória do personagem Léo. Com direção de Cleiton Echeveste, a produção da Pandorga Companhia de Teatro conta com cenário e figurino assinados por Daniele Geammal. Nesta quarta, tem início a maratona de espetáculos da mostra competitiva do festival. No Parque Halfeld, às 16h, a comédia de rua A farsa do advogado Pathelin, do Grupo Rosa dos Ventos (Presidente Prudente – SP), usa jogo de palhaços, acrobacia e malabarismo para contar as trapaças do protagonista. Já a Companhia Rodrigo Vrech (RJ) apresenta Filemon, definida como um romance de bolso. Nele, o ator interpreta uma mulher e, paralelamente, narra um mito grego sobre compaixão e fidelidade. A montagem ocupa o Diversão & Arte (Rua Halfeld 1322 – Centro), às 19h.Para encerrar a noite, o espetáculo A igreja do diabo, da Cia. Teatral Boccaccione (Ribeirão Preto – SP), leva ao Pró- Música (Av. Rio Branco 2.329), às 21h, a história de uma religião fundada pelo demônio com base em promessas de paraíso na Terra. Os ingressos devem ser trocados por livros de literatura na portaria da Funalfa (Avenida Rio Branco 2.234 – Parque Halfeld), entre 9h e 17h, ou uma hora antes de cada sessão, de acordo com a disponibilidade.
Do teatro ao teatro
Diogo Liberano viveu em Juiz de Fora dos 12 aos 17 anos. Um curto e marcante período. Foi aqui, entre livros, cadernos e hormônios, que ele enfrentou a adolescência e descobriu o teatro. Na última segunda, o jovem, hoje com 24, retornou à cena local, como autor e diretor do espetáculo Sinfonia sonho, levado ao público pelo Teatro Inominável, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), durante o 6º Festival Nacional de Teatro. Ao fazer os agradecimentos após a apresentação, Diogo lembrou-se de amigos e professores que dividiram com ele as primeiras experiências sob os holofotes. As lembranças da cidade estão sempre presentes em meus trabalhos, conta o artista, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Sinfonia sonho, montagem de encerramento da graduação de Diogo e quarta produção de seu currículo, traz, entre outros personagens, duas crianças que ensaiam peças na escola. Por conta do tema, as referências ao período da vida em Juiz de Fora apareceram mais fortes. A plateia, formada por muitos atores locais, entendeu o recado. E riu. São citações discretas, mas de grande importância para mim. Tivemos uma recepção calorosa. Igual, só na estreia, observa o diretor, já de volta ao Rio para a reestreia de seu segundo espetáculo, Vazio é o que não falta, Miranda.
Natural de Vassouras (RJ), Diogo morou por estas bandas até 2005. Aqui, participou da Companhia de Atores da Academia e de peças do diretor Toninho Dutra. Também fundou um grupo com amigos, o Teatro do Nada. Tenho profundo amor pela cidade. Atualmente, por conta da correria, faço visitas pontuais, mas sempre me lembro dos meus momentos aí. O Teatro Inominável, com seis integrantes fixos e foco em criações coletivas, existe desde 2008 e tem circulado pelo país em festivais. Neste ano, Sinfonia sonho, definida como uma tragédia contemporânea, participou do Festival de Curitiba. Nunca busco falar de um assunto falando dele. Prefiro experienciar. Acho que esse projeto acabou abordando a infância e o futuro. Vejo perversa infantilização dos adultos e ‘adultização’ das crianças, encerra.









