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Longe dos olhos


Por MARISA LOURES

05/06/2016 às 07h00- Atualizada 06/06/2016 às 13h54

Intervenções realizadas pela pela Cemig incluiram manutenção elétrica e pintura e reforma do piso

Intervenções realizadas pela pela Cemig incluiram manutenção elétrica e pintura e reforma do piso

Entre as curiosidades distantes do público, está um gerador fabricado pela Westinghouse

Entre as curiosidades distantes do público, está um gerador fabricado pela Westinghouse

Entorno da passarela que liga o clube ao museu começou a ser capinado às vésperas da visita da Tribuna

Entorno da passarela que liga o clube ao museu começou a ser capinado às vésperas da visita da Tribuna

Quando a Tribuna esteve no Museu Usina de Marmelos Zero em novembro de 2013, o cenário entristecia. Tombado como patrimônio público pelo município e pelo estado, o espaço que guarda o acervo da primeira Usina Hidrelétrica da América do Sul sofria com graves problemas de infraestrutura. Não passou muito tempo, e o imóvel entrou em obras, que já foram finalizadas. Contudo, com o fim do convênio entre a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), proprietária do conjunto, e a Universidade Federal de Juiz de Fora, instituição responsável pela administração do museu de 2000 a 2015, o local está fechado à visitação pública. Sua reabertura, hoje, é incerta.

“O museu encontra-se totalmente reformado, de acordo com as orientações do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac) de Juiz de Fora e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e pronto para voltar às atividades, desde que uma instituição se interesse pelo convênio na administração e reabertura do espaço”, informa a Cemig, por meio da assessoria de comunicação, completando que a “gestão de um museu não faz parte do negócio” da empresa e que “não existe qualquer negociação em andamento”. A assessoria ainda informou que a busca de uma possível parceria deve partir da companhia energética, mas ainda não há prazo definido.

Até ser fechada, há cerca de quatro anos, a construção era aberta à visitação diariamente, com monitoria acadêmica da universidade. De acordo com o diretor do Centro de Ciências da UFJF, Eloi Teixeira César, a instituição de ensino tem a intenção de retomar as atividades no local. “O reitor manifestou esse desejo durante a campanha. O termo venceu, depois teve todo o turbilhão da renúncia, a gestão atual assumiu há pouco mais de um mês, e não houve possibilidade de sentar e conversar. Esses procedimentos demandam tempo. Além disso, é um convênio que precisa ser assinado por instâncias superiores, o reitor e o presidente da Cemig. Depende, também, de a Cemig nos procurar. Acredito que seja só uma questão de tempo”, enfatizou o professor.

Na última sexta, quase três anos após a publicação da matéria que denunciava a degradação do Museu da Usina de Marmelos, a Tribuna voltou ao local. Não eram visíveis os vestígios de fissuras, fiações expostas, pisos danificados e a poeira que cobria o acervo. Tudo indicava que o espaço havia sido limpado pouco antes da chegada do jornal. Devido aos riscos de se estacionar às margens da Estrada União e Indústria, a equipe de reportagem tentou acessar o imóvel pela estrada lateral da Associação Recreativa e Cultural dos Empregados da Cemig (Gremig), no entanto a passagem estava fechada pelo mato. Segundo Milton de Melo, assessor de segurança que acompanhava a visita, é por essa passagem que alunos que excursionavam até o museu transitavam. De acordo com ele, a capina está sendo realizada.

Conforme a assessoria de comunicação da Cemig, os trabalhos de reforma, orçados em R$ 167 mil, foram feitos entre novembro de 2013 e fevereiro de 2015. Foram executados a recuperação de acesso lateral do clube ao museu, recuperação de guarda-corpo do clube ao museu, tratamento do piso, manutenção na instalação elétrica, pintura, manutenção da cobertura, fornecimento e instalação de placa no topo do telhado.

Curiosidades trancafiadas

O passeio a Marmelos permitia uma viagem a fins do século XIX e início do século XX, por meio de documentos valiosos, como um livro de ata e contabilidade dos primeiros acionistas da Companhia Mineira de Energia, fotografias antigas e rascunho da planta da usina. Longe dos olhos do público, estão equipamentos curiosos, entre uma máquina de escrever e de calcular, teodolito, manômetros, painel de controle de energia e uma réplica de um gerador fabricado pela Westinghouse. A história que encantava já começava a ser contada enquanto percorria-se a passarela que liga o clube ao museu. Por debaixo dela, de acordo com Milton de Melo, mantém-se a antiga tubulação.

Na época da outra reportagem, o espaço estava fechado há aproximadamente um ano, porque as péssimas condições colocavam os visitantes em risco. Na entrevista, o coordenador do Centro de Ciências afirmava que, embora o acervo estivesse em boas condições, a expectativa era de que, após as melhorias internas, houvesse uma segunda etapa dedicada à coleção. “O acervo não foi reformado porque encontrava-se em bom estado. Este acervo é de responsabilidade da UFJF”, afirma a assessoria de comunicação da Cemig.

“Existem dois tipos de acervo, um histórico, que pertence ao museu, como a mesa do Bernardo Mascarenhas, e outra parte, mais interativa, que disponibilizávamos para tornar a visita diferenciada. Estamos em cartaz com uma exposição sobre eletricidade no Centro de Ciências que tínhamos o intuito de apresentar lá”, diz o professor Eloi.

Planos adormecidos

Coube a Bernardo Mascarenhas idealizar o empreendimento que abrigaria a primeira usina hidrelétrica da América do Sul, inaugurada em 1889. Em 1983, Marmelos foi reconhecida como patrimônio público municipal, e a construção em alvenaria de tijolos maciços aparentes, embasamento de pedra, telhas francesas e beirais ornamentados de inspiração inglesa, foi transformada em um espaço cultural e museu. “Antes de o convênio terminar, quando houve a reforma, estávamos com um plano de visitação pronto. O espaço do museu é pequeno, e o que a gente tinha proposto era tornar essa visita para além da parte histórica, trazendo alguns aspectos da tecnologia atual em relação à eletricidade”, conclui Eloi.