Longe dos olhos

Intervenções realizadas pela pela Cemig incluiram manutenção elétrica e pintura e reforma do piso

Entre as curiosidades distantes do público, está um gerador fabricado pela Westinghouse

Entorno da passarela que liga o clube ao museu começou a ser capinado às vésperas da visita da Tribuna
Quando a Tribuna esteve no Museu Usina de Marmelos Zero em novembro de 2013, o cenário entristecia. Tombado como patrimônio público pelo município e pelo estado, o espaço que guarda o acervo da primeira Usina Hidrelétrica da América do Sul sofria com graves problemas de infraestrutura. Não passou muito tempo, e o imóvel entrou em obras, que já foram finalizadas. Contudo, com o fim do convênio entre a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), proprietária do conjunto, e a Universidade Federal de Juiz de Fora, instituição responsável pela administração do museu de 2000 a 2015, o local está fechado à visitação pública. Sua reabertura, hoje, é incerta.
“O museu encontra-se totalmente reformado, de acordo com as orientações do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac) de Juiz de Fora e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e pronto para voltar às atividades, desde que uma instituição se interesse pelo convênio na administração e reabertura do espaço”, informa a Cemig, por meio da assessoria de comunicação, completando que a “gestão de um museu não faz parte do negócio” da empresa e que “não existe qualquer negociação em andamento”. A assessoria ainda informou que a busca de uma possível parceria deve partir da companhia energética, mas ainda não há prazo definido.
Até ser fechada, há cerca de quatro anos, a construção era aberta à visitação diariamente, com monitoria acadêmica da universidade. De acordo com o diretor do Centro de Ciências da UFJF, Eloi Teixeira César, a instituição de ensino tem a intenção de retomar as atividades no local. “O reitor manifestou esse desejo durante a campanha. O termo venceu, depois teve todo o turbilhão da renúncia, a gestão atual assumiu há pouco mais de um mês, e não houve possibilidade de sentar e conversar. Esses procedimentos demandam tempo. Além disso, é um convênio que precisa ser assinado por instâncias superiores, o reitor e o presidente da Cemig. Depende, também, de a Cemig nos procurar. Acredito que seja só uma questão de tempo”, enfatizou o professor.
Na última sexta, quase três anos após a publicação da matéria que denunciava a degradação do Museu da Usina de Marmelos, a Tribuna voltou ao local. Não eram visíveis os vestígios de fissuras, fiações expostas, pisos danificados e a poeira que cobria o acervo. Tudo indicava que o espaço havia sido limpado pouco antes da chegada do jornal. Devido aos riscos de se estacionar às margens da Estrada União e Indústria, a equipe de reportagem tentou acessar o imóvel pela estrada lateral da Associação Recreativa e Cultural dos Empregados da Cemig (Gremig), no entanto a passagem estava fechada pelo mato. Segundo Milton de Melo, assessor de segurança que acompanhava a visita, é por essa passagem que alunos que excursionavam até o museu transitavam. De acordo com ele, a capina está sendo realizada.
Conforme a assessoria de comunicação da Cemig, os trabalhos de reforma, orçados em R$ 167 mil, foram feitos entre novembro de 2013 e fevereiro de 2015. Foram executados a recuperação de acesso lateral do clube ao museu, recuperação de guarda-corpo do clube ao museu, tratamento do piso, manutenção na instalação elétrica, pintura, manutenção da cobertura, fornecimento e instalação de placa no topo do telhado.
Curiosidades trancafiadas
O passeio a Marmelos permitia uma viagem a fins do século XIX e início do século XX, por meio de documentos valiosos, como um livro de ata e contabilidade dos primeiros acionistas da Companhia Mineira de Energia, fotografias antigas e rascunho da planta da usina. Longe dos olhos do público, estão equipamentos curiosos, entre uma máquina de escrever e de calcular, teodolito, manômetros, painel de controle de energia e uma réplica de um gerador fabricado pela Westinghouse. A história que encantava já começava a ser contada enquanto percorria-se a passarela que liga o clube ao museu. Por debaixo dela, de acordo com Milton de Melo, mantém-se a antiga tubulação.
Na época da outra reportagem, o espaço estava fechado há aproximadamente um ano, porque as péssimas condições colocavam os visitantes em risco. Na entrevista, o coordenador do Centro de Ciências afirmava que, embora o acervo estivesse em boas condições, a expectativa era de que, após as melhorias internas, houvesse uma segunda etapa dedicada à coleção. “O acervo não foi reformado porque encontrava-se em bom estado. Este acervo é de responsabilidade da UFJF”, afirma a assessoria de comunicação da Cemig.
“Existem dois tipos de acervo, um histórico, que pertence ao museu, como a mesa do Bernardo Mascarenhas, e outra parte, mais interativa, que disponibilizávamos para tornar a visita diferenciada. Estamos em cartaz com uma exposição sobre eletricidade no Centro de Ciências que tínhamos o intuito de apresentar lá”, diz o professor Eloi.
Planos adormecidos
Coube a Bernardo Mascarenhas idealizar o empreendimento que abrigaria a primeira usina hidrelétrica da América do Sul, inaugurada em 1889. Em 1983, Marmelos foi reconhecida como patrimônio público municipal, e a construção em alvenaria de tijolos maciços aparentes, embasamento de pedra, telhas francesas e beirais ornamentados de inspiração inglesa, foi transformada em um espaço cultural e museu. “Antes de o convênio terminar, quando houve a reforma, estávamos com um plano de visitação pronto. O espaço do museu é pequeno, e o que a gente tinha proposto era tornar essa visita para além da parte histórica, trazendo alguns aspectos da tecnologia atual em relação à eletricidade”, conclui Eloi.









