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Música e pintura em novo show de Arnaldo Baptista


Por BRUNO CALIXTO

05/06/2012 às 07h00

Ainda não há detalhes confirmados sobre o novo disco de Arnaldo Baptista, a não ser a canção "I don’t care", que, ao falar do uso de fontes de energia alternativas, ganhou videoclipe em 2011. Com a produção de Fernando Catatau (vocalista e guitarrista da banda Cidadão Instigado), "Esphera" será o quinto álbum solo da carreira de Arnaldo. Seu último trabalho, "Let it bed", é de 2004. Enquanto o disco não é lançado – a previsão é até o final de 2012 -, o artista, que assina a exposição "Lentes magnéticas", lançada no dia 24 de março em São Paulo com pinturas de sua autoria, segue com a bateria de shows pela capital paulista. Mais mutante que nunca, aos 63 anos, Arnaldo Dias Baptista conversou, por e-mail, com a Tribuna sobre a nova empreitada, o "Sarau o Benedito?", em que canta e toca piano, como fez durante a estreia da turnê no Sesc Belenzinho-SP, em outubro de 2011, e na Virada Cultural 2012, no Theatro Municipal de São Paulo, há um mês. A próxima parada será no Sesc Vila Mariana, nesta quinta, e os ingressos estão esgotados desde ontem.

"Artes plásticas não dependem de equipamentos; música, sim", justifica Arnaldo sobre sua escolha em levar para os palcos dos saraus algumas imagens da mostra "Lentes magnéticas", primeira grande individual do artista, que inclui trabalhos executados ao longo de 30 anos. "Quando eu pinto, por vezes, tenho inspirações vindas do meu conhecimento musical, em outros casos, são inspirações visuais. É a expressão do que a minha alma diz sobre o sol, sobre as nuvens… Eu construí esse novo caminho de criação, por enxergar minha alma de uma forma que conecta a música às artes plásticas", observou Arnaldo, em entrevista à Agência Estado.

Os desenhos e as pinturas, segundo ele, são projetados diante do público do "Sarau o Benedito?", enquanto Arnaldo executa canções em seu piano de cauda. No repertório, clássicos, como "Cê tá pensando que eu sou loki", "Não estou nem aí", "Jesus come back to Earth" e "Balada do louco’, além de inéditas do novo álbum, como "I don’t care’ e "Walking in the sky". Todas alternadas com canções de ídolos como Bob Dylan, Elton John, The Mamas & the Papas, entre outros.

"Executei esses shows seguindo a máxima: ‘What else do you want?’ (o que mais você quer?)". O primeiro sarau foi em um sítio na Serra da Cantareira (São Paulo). Fui contratado por fãs e toquei na beira do lago. Quero tocar em Juiz de Fora. Faltam contratos ainda", diz.

O documentário "Loki" (2009), de Paulo Henrique Fontenelle, conta a trajetória de Arnaldo, que teve uma carreira solo conturbada depois do fim dos Mutantes, nos anos 70, vivendo com a mulher, Lucinha Barbosa, num sítio em Juiz de Fora, onde, para o deleite dos fãs locais, não lhe falta inspiração para se dedicar à pintura e a novas canções. "Estilo: ‘exorrealista’. (exo ora da Terra). Juiz de Fora: lar (estúdio e amor)", define, com estas palavras. Em maio, as obras circularam por SP-Arte, feira SWAB (em Barcelona) e arteBA (Buenos Aires), não há previsão para outros locais.

Além de "Esphera", a exposição "Lentes magnéticas" faz parte de um projeto que prevê ainda o lançamento de um livro em 2013, contendo fotos e fichas técnicas das 120 obras da série. Afinal, uma vez mutante…