Exclusive os Cabides e BAAPZ fazem show em Juiz de Fora neste sábado

Apresentações marcam novidades nas carreiras de ambos os grupos


Por Renato Knopp*

04/04/2025 às 07h00- Atualizada 04/04/2025 às 09h53

Coisas estranhas podem acontecer em qualquer lugar, mas, neste sábado (5), a partir das 20h, elas acontecem no Maquinaria, com o show da banda de Florianópolis Exclusive os Cabides e do juiz-forano BAAPZ. Em uma mescla de rock, pop, psicodelia e vários outros adjetivos possíveis para as músicas que fazem, os músicos apresentam seus novos projetos no evento. Os ingressos podem ser adquiridos pelo Instagram da casa. Além da apresentação em Juiz de Fora, os grupos também tocam no Audio Rebel, no Rio de Janeiro, neste domingo (6).

As coisas estranhas de Exclusive os Cabides

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Exclusive os Cabides chega pela primeira vez a terras mineiras (Foto: Divulgação)

“A Exclusive os Cabides toca um pop-rock-psicodélico-alternativo brasileiro e autoral”, afirma Antônio dos Anjos, cantor e percussionista da banda, que faz o show em Minas Gerais. Ele prossegue: “É rock, mas não é psicodélico. É bem pop, no sentido de popular, tendo gente mais velha e mais nova curtindo, e é psicodélico para alguns – mas pode ser para qualquer um se você se esforçar um pouco”.

Mesmo que o som da banda, formada em 2018 e que conta atualmente com Antônio, João Paulo Pretto (voz e guitarra), Eduardo Possa (guitarra), Carolina Werutsky (bateria) e Maitê Fontalva (baixo), possa ser descrita com várias palavras, o processo de composições – ao menos do último álbum “Coisas estranhas” (2024) – pode ser descrito com duas: observação e andança.

“O processo de escrita tem bastante (a ver) com caminhar na rua. Adoro fazer isso. As histórias geralmente são de outras pessoas, de coisas que vi e acontecem. Não tenho muita carga literária. Então busco inspiração em coisas que acho legais, que são bem mais visuais. Descrever totalmente coisas que estou vendo, na maioria das vezes, é um recurso que me salva bastante”, afirma João.
“Luminárias de lava”, “Lagartixas tropicais” e “Siris paradinhos em um cantinho bem de boa” fazem parte desses recortes do cotidiano visual da banda – assim como a capa do último álbum, uma referência a uma famosa propaganda catarinense de conscientização contra violência infantil.

Já o cotidiano musical é diverso: Pixies, Pavement, Lô Borges, Erasmo Carlos, Boogarins, Catavento, Flame Lips, entre diversos outros artistas, em especial, da década de 1980 e 1990. Outra característica refletida, mesmo que indiretamente no trabalho da Cabides, é a relação que a banda constrói com o público nas redes.

A música “Lagartixa tropicais” viralizou no TikTok, sendo uma porta de entrada para que muitas pessoas conhecessem a banda. Entretanto, como afirma Antônio, viralizar nunca foi um objetivo, mas uma consequência natural. “Hoje em dia todo mundo é muito conectado. Fazemos porque é engraçado, aproveitamos o momento.” Carolina brinca: “Só queremos nos divertir no computer”. Eduardo, por outro lado, afirma: “Não queremos virar funcionários do Instagram”.

E como toda caminhada costuma ser banal, por mais espetaculares que possam ser as coisas observadas durante o caminhar, a Cabides busca registrar esse atual momento da banda e de suas vidas compartilhando fragmentos com o público por meio de vlogs em suas redes. “Não é como se nossa vida fosse super extraordinária. Além de documentar coisas bizarras e engraçadas, é legal mostrar que somos pessoas comuns, que somos cinco amigos, que às vezes é um perrengue ter banda, mas a gente se diverte. Acontecem várias situações, mas é tudo bem banal”, descreve Carolina.

E no nome da banda há um pouco do banal-extraordinário. A partir da manchete “roubaram tudo, exclusive os cabides” sobre um assalto a uma loja do familiar de um integrante do grupo, a banda foi nomeada, assim como primeiro disco “Roubaram tudo”.

Hipérboles de BAAPZ

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BAAPZ apresenta as canções do disco a ser lançado em 15 de maio, ‘Embalo sísmico’ (Foto: Divulgação)

“É como se tivesse colado de uma revista científica.” É assim que Pedro Baptista, multiartista juiz-forano que capitaneia o projeto BAAPZ, descreve o processo de criação para diversas composições que irão integrar seu primeiro álbum, “Embalo sísmico”, que será lançado no dia 15 de maio. Assim como a ciência tem suas especificidades e ramos, o artista entende que cada música de seu disco poderia ser descrita por um gênero distinto. Entretanto, como o Teorema de Pitágoras não resolve este tipo de equação, Pedro se sente confortável dentro da categorização de “rock alternativo”, independente do que isso signifique.

A matemática nesse álbum está atrelada à linguagem. O músico afirma que em “Embalo sísmico” tentou evitar o simples. “Quis brincar bastante com jogos de palavras, diferentes sentidos nelas, coisas meio matemáticas. Tem momentos em que falo sobre dividir por zero, mesmo sem nunca ter sido bom em resolver a fórmula de bhaskaras.”

Outros campos da ciência – como as biológicas, por exemplo – surgem em temáticas de relevância social, como o aquecimento global. Muitas das composições de BAAPZ nesse projeto, de acordo com o músico, partem de problemáticas ambientais para falar do cotidiano e de suas vivências. Em alguns singles lançados, como no caso de “Contato glacial (gelo)”, é possível observar essa característica presente no álbum.

Entretanto, a ciência não explica tudo. Da alquimia de referências dos gostos, Jorge Ben Jor e Daft Punk, e desgostos, Iron Maiden, surgiram hipérboles e exageros. “O BAAPZ é exagerado, acho que isso descreve bem. Em uma pintura, você não precisa pintar tudo de maneira realista. Na música é a mesma coisa.”

Além das músicas de seu primeiro álbum, BAAPZ apresenta canções de outros projetos, como a música “Sr. Dafoe”, da Gomo Records. O projeto é formado por Pedro Baptista (guitarra, synth e voz), Everton Surerus (guitarra), Pedro Tavares (baixo) e Cyro Soares (bateria).

*Estagiário sob supervisão da editora Cecília Itaborahy

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