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Terminal de bambas


Por BRUNO CALIXTO

01/06/2012 às 07h00

'Ponto do samba' na contagem regressiva

‘Ponto do samba’ na contagem regressiva

No âmbito do samba, esperar ainda parece ser a sina dos compositores da categoria de locais como Geraldo Pereira e Synval Silva, além de Ary Barroso (Ubá), Ataulfo Alves (Miraí), Alcyr Pires Vermelho (Muriaé), Noca da Portela (Leopoldina), Mauro Duarte (Matias Barbosa) e Claudionor Cruz (Simão Pereira). Eles souberam aguardar para ver suas composições ganharem o Brasil pelas portas do Rio, onde trocaram composições com outros gênios e chegaram à conclusão de que um bom samba é feito de muito mais que oração. Por aqui, quem está à espera, esta sexta, é Roger Resende, compositor, cantor e violonista que, contando com muitos bambas locais e convidados no Cai & Pira, inaugura o novo "Ponto de samba".

Ao lado da cantora e compositora Juliana Stanzani, do cantor e compositor Carlos Fernando Cunha e da banda formada por Daniel Manganelli (Pandeiro), Caetano Brasil (Clarinete, Sax) e Fabrício Nogueira (cavaquinho), Roger será o anfitrião da nova roda de bambas, cuja participação será da cantora e compositora carioca Gabi Buarque. A noite será dividida em dois sets. Gabi encerra a bateria de apresentações, que tem Juliana Stanzani seguida de Carlos Fernando, além de uma surpresa, assim como o repertório, cuja única informação é que inclui autorais e clássicos do gênero. "Farei uma participação com seis músicas. Algumas de minha autoria, uma inédita, uma que faz sucesso com o público no show das Mulheres de Chico e outras duas que gosto muito de cantar", diz Gabi Buarque, atual vocalista do grupo carioca Mulheres de Chico.

Os três convidados têm uma história musical com o Roger e já foram convocados para outras rodas, separadamente. Os nomes para esta primeira edição vieram, de acordo com o músico, "como uma síntese dos encontros felizes que aconteceram até aqui".

Juliana Stanzani explica que a ideia surgiu da vontade de fazer um encontro entre a "galera" que fez e ainda faz participações em rodas de samba com o Roger, nome que se tornou referência para gerações de novos e antigos bambas locais. Roger Resende diz que pretende, com o novo projeto, divulgar o talento dos artistas daqui para outras partes do Brasil.

 Continuidade

Os organizadores anunciam a realização de outras três edições do "Ponto do samba" nos meses de agosto, outubro e dezembro deste ano. Mas as participações ainda não foram definidas. A ideia é levar a proposta a outros espaços. "Mas tudo vai depender da resposta ao primeiro local", diz. "O Cai & Pira é uma casa que tem tudo a ver com o projeto, pois serve de ponto de encontro de artistas da cidade, ao abrigar, uma vez por mês, o Encontro de Compositores", diz Roger.

"Este samba agoniza, mas não morre. Juiz de Fora é uma cidade que produziu e produz samba de altíssima qualidade", destaca Carlos Fernando. "Precisamos de um local, um dia, um horário em que as pessoas saibam que ali estará acontecendo, sempre, uma festa do samba, onde elas possam chegar e admirar antigos e novos talentos, antigas e novas músicas", conclui Carlos.

Pela proximidade com o estado fluminense e pelo fato de abrigar a quarta escola de samba do país (a Turunas do Riachuelo, de 1934), Juiz de Fora tem razões de sobra para ser, novamente, o "Ponto do samba", e, se depender do encontro entre Roger, Juliana, Carlos Fernando e Gabi, promete atrair ainda muitos outros passageiros em busca da estação que dá acesso à boa e velha música popular.

 

PONTO DO SAMBA

 Hoje, às 22h

 Cai & Pira

(Rua Roberto Stiegert 16 – São Pedro)