Que venha 2017!

Rio de Janeiro (Gazeta Press) – A Seleção Brasileira começou o ano de 2016 ainda sob a desconfiança de um complicado 2015 e ameaçada pelo “Fantasma dos 7 a 1”, que parece que ainda vai assombrar as próximas gerações, assim como aconteceu após o Maracanazo de 1950. O que poucos poderiam acreditar é que a atual temporada fosse terminar de maneira tão positiva. A troca no comando técnico, de Dunga por Tite, motivada pela eliminação precoce na fase de grupos da Copa América, acabou fazendo muito bem aos canarinhos. O Brasil termina a temporada liderando com folga as Eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018, que será disputada na Rússia, e tendo vencido os seis últimos confrontos. A atual mentalidade, porém, não permite empolgações.
“Os bons resultados são excelentes, pois permitem que o trabalho seja feito com um pouco mais de tranquilidade, embora sempre exista grande pressão na Seleção Brasileira. O importante, porém, é seguir acreditando no que vem sendo feito e ter a consciência de que ainda falta muita coisa para a gente conseguir os nossos objetivos. Não ganhamos nada e apenas estamos nos aproximando da primeira meta, que é a conquista de uma vaga na Copa do Mundo”, analisou Tite.
Início sob pressão
Eliminada nas quartas de final da Copa América de 2015, o Brasil teve um começo de Eliminatórias marcado pela irregularidade. Dunga começou o ano já com duas pedreiras pela frente: Uruguai em Pernambuco e Paraguai em Assunção. Diante dos uruguaios o Brasil abriu 2 a 0, mas acabou cedendo a igualdade em falhas do zagueiro David Luiz. Já diante dos paraguaios, os canarinhos foram apáticos a maior parte do tempo, mas reagiram no fim, arrancando o 2 a 2.
Copa América
Dunga, então, mal nas Eliminatórias, foi pressionado para a Copa América Centenária, nos Estados Unidos. Um empate sem gols com o Equador, na estreia, aumentou a pressão. Nem mesmo a goleada de 7 a 1 sobre a frágil equipe do Haiti animou muito. A eliminação, ainda na fase de grupos, veio com uma derrota de 1 a 0 para o Peru, com um gol irregular. “Dominamos a maior parte do jogo. Fizemos um primeiro tempo em que poderíamos ter vencido com a e assegurado a classificação. Levamos um gol irregular e acabamos eliminados por esse erro. Mas no futebol as coisas funcionam dessa maneira”, lamentou Dunga.
Logo depois da eliminação, no retorno da delegação ao país, Dunga e o coordenador Gilmar Rinaldi foram demitidos. Tite assumiria a Seleção Brasileira principal e caberia ao estudioso Rogério Micale, que já vinha trabalhando o time olímpico para Dunga, comandar o sonho da medalha de ouro no Rio de Janeiro.
Ouro olímpico
Rogério Micale convocou a base que vinha jogando os amistosos, reforçada de três atletas acima de 23 anos: Neymar, já esperado, o meia Renato Augusto e o goleiro Fernando Prass. O arqueiro palmeirense, porém, se lesionou e cedeu a vez para Weverton, do Atlético-PR. O Brasil sofreu na fase de grupos, empatando sem gols o dois primeiros jogos contra os frágeis África do Sul e Iraque. Uma goleada de 4 a 0 sobre a Dinamarca começou a mudar a história, garantindo a vaga nas quartas de final.
O próximo rival seria a Colômbia, que não resistiu ao bom futebol de Neymar e perdeu de 2 a 0. Nas semifinais a Seleção Brasileira atropelou Honduras: 6 a 0. Quis o destino que a decisão pela medalha de ouro fosse contra a Alemanha, retornando o “Fantasma dos 7 a 1”. Na decisão, Neymar abriu o placar, mas a Alemanha conseguiu o empate e a decisão foi para uma disputada de pênaltis emocionante, vencida pelos canarinhos por 5 a 4. “É a realização de um sonho. Um dos dias mais felizes da minha vida”, dizia Neymar aos prantos no gramado.
A era Tite
Passada as Olimpíadas, o foco virou todo nas Eliminatórias. Era preciso recuperar o time canarinho, ameaçado de ficar de fora da Copa do Mundo pela primeira vez. Tite montou o time apostando em alguns dos seus velhos conhecidos, como Paulinho e Renato Augusto, mas também investindo em jovens promissores, como Gabriel Jesus. O astro palmeirense roubou a cena na estreia do treinador, sofrendo um pênalti, convertido por Neymar, e marcando os outros dois gols do triunfo de 3 a 0 sobre o Equador, em Quito.
Depois disso o Brasil, com alguma dificuldade, conseguiu se impor em casa contra a Colômbia, ganhando por 2 a 1. A sequência em termos de rodada dupla ajudou e a goleada de 5 a 0 sobre a frágil Bolívia e os 2 a 0 aplicados na Venezuela fizeram o time canarinho ganhar forma para o clássico contra a Argentina. Com um Messi apático, o Brasil passeou pelo gramado do Mineirão e ganhou dos argentinos por 3 a 0. “Demos uma grande demonstração de força. Estanos falando de uma Argentina que é vice-campeã do mundo e que jogou as duas últimas finais de Copa América (perdendo para o Chile)”, lembrou Tite. No último jogo do ano o Brasil venceu o Peru e mostrou que 2016 pode ser lembrado um dia como o começo do ressurgimento do futebol brasileiro. Que venha 2017.









