Moradores do Bairro Santo Antônio reclamam falta de ônibus e caminhão de lixo desde as chuvas

População relata angústia diante da falta de respostas da Defesa Civil


Por Tribuna de Minas

30/03/2026 às 14h55

Mais uma casa foi invadida por um barranco que deslizou após as chuvas do fim de fevereiro, no Bairro Santo Antônio, Região Sudeste de Juiz de Fora. No imóvel, na Rua Primeira Vitória, moravam Janaína de Freitas Gomes, com os filhos Lucas, de 13 anos, e Enzo, de 3. Só o que ela conseguiu tirar de casa foi a cama e algumas roupas, o resto foi soterrado. A casa do pai, Gilson, divide parede, então ele e a esposa também precisaram sair. 

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(Foto: Leonardo Costa)

A vizinha, Samara de Castro dos Santos, 36, conta que, hoje, a família de Janaína está “morando num cubículo”, sem saber se e quando poderá voltar para casa. A residência de Samira é próxima e começou a exibir ferragens, após a chuva, por isso, ela foi orientada a sair.

A casa de Ana Maria Rodrigues de Santos Oliveira, 58, tia de Samara, divide o quintal com a que foi invadida pelo barranco. Na entrada e nas paredes, aparecem rachaduras. A Defesa Civil também orientou a evacuação.

Os moradores do bairro sentem falta de respostas da Defesa Civil. “Eles não dão uma solução, uma explicação para a gente. Eu já pagava aluguel, mas a minha tia saiu da casa própria dela, do conforto dela, para poder pagar aluguel. Eles tinham que vir aqui, dar uma prioridade para a gente. Vou falar a verdade, a gente está jogado no Bairro Santo Antônio”, desabafa Samara.

Ela afirma que, desde as chuvas, caminhão de lixo e ônibus pararam de passar na rua. Com o local sendo bastante alto, é particularmente desgastante levar as crianças à escola, que fica em uma rua mais abaixo.

Ricardo Barbosa, 59, acredita que, para solucionar o problema, seria necessário um escoramento na rua. Segundo ele, vem pedindo a mesma coisa à Prefeitura desde 2019, quando uma parte da frente de sua casa desceu com a rua. A Prefeitura afirmou, na época, que era porque ele estava fazendo obra, mas ele alega que não. Diz que mantém uma causa na justiça, pedindo ressarcimento pelo trabalho de reconstrução que precisou fazer.

“Venho falando com eles: ‘Assim como desceu o meu, vai descer o resto da rua’. E está descendo”, alerta. “Os sacos de rip rap estão afundando. É só rip rap, praticamente, sem nenhum cimento. A água está descendo e fazendo uma bagunça lá para baixo, uma coisa que poderia ter sido corrigida aqui em cima”.

A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura de Juiz de Fora, abrindo espaço para um posicionamento, mas não teve retorno até o momento. O espaço segue aberto.